PSD mostrou força no Tocantins ao eleger maior número de vice-prefeitos

  • 29/Mar/2021 13h50
    Atualizado em: 29/Mar/2021 às 13h53).

*Por Goianyr Barbosa


É praticamente consensual a relevância que o cargo de “vice” ocupa no cenário político republicano brasileiro, seja a prefeito, a governador ou a presidente. Embora na própria etimologia o substantivo “vice” remeta à noção hierárquica de subalternidade ou inferiorização, não é bem isso que está patente nos registros históricos. Nestas eleições, apenas exemplificando, três prefeitos eleitos cavalgaram antes nas garupas dos chefes do Executivo, são eles: Ronivon Santiago, vice de Joaquim Maia; Celso Moraes, vice de Moisés Avelino e Cínthia Ribeiro, que, de vice de Amastha, passou à cela do cavalo arriado, elegendo-se prefeita da capital tocantinense, a propósito a mais importante de todas as cidades. Na realidade, com a chegada definitiva do marketing na política e a sua consequente profissionalização, a escolha de um vice numa eleição de prefeito, por exemplo, passa por uma série de intervenções. Primeiro, se o nome preferido possui capital eleitoral para potencializar a chapa em disputa, se detém uma imagem conceitual positiva ou negativa junto ao eleitorado, verificação dos pontos fortes e fracos, enfim, mas, para isso, torna-se imperativo a realização de uma pesquisa qualitativa, proveniente de um instituto de credibilidade, cujos dados vão apontar o melhor nome, o mais agregador e competitivo.

O cargo de vice, numa analogia com o futebol, é como uma linha de defesa de um time que vai preparado para vencer numa competição. É ele, o vice, que guarnece, que faz bem o papel dos laterais, desarmando e afunilando jogadas políticas importantes, ou mesmo na eficiência dos centrais de zagas, atuando nos cortes precisos nos avanços de partidários contrários e, por fim, como um arqueiro, apto a segurar as bolas sinuosas lançadas pelos partidários adversários.

Desta forma, foi-se o tempo em que o vice era uma peça decorativa sem funções oficiais, mantido à distância, apenas para substituir o titular do cargo. No contexto político atual, é unânime a máxima de que, ao lado de um candidato a prefeito deve haver sempre um conceituado candidato a vice. Ao longo da história, 8 vice-presidentes assumiram a chefia da Nação, seja por falecimento, renúncia ou impeachment do titular, Foram eles: Floriano Peixoto que assumiu com a renúncia de Deodoro - de 1891 a 1894. Nilo Peçanha com a morte de Afonso Pena - de 1909 a 1910. Delfim Moreira, com a morte de Rodrigues Alves, governou de 1918 a 1919. Café Filho, com o suicídio de Getúlio Vargas ficou no posto de 1954 a 1955. Já João Goulart, com a renúncia de Jânio Quadros, governou de 1961 a 1964. José Sarney assume com a morte de Tancredo Neves e governa de 1985 a 1990. Itamar Franco, com o impeachment de Collor, governou de 1992 a 1995. Por fim, Michel Temer assumiu de 2016 a 2018 com o impeachment que tirou Dilma do Planalto.

Os Partidos e seus vice-prefeitos

De acordo com os dados divulgados pelo TRE-TO, consta que o Partido Social da Democracia (PSD), sob a presidência do senador Irajá Abreu, carimbou o diploma de 25 vice-prefeitos na eleição próxima passada, passando, com isso, a ter um total de 17.98% do total de vices eleitos. Subiu ao pódio, na segunda colocação, o MDB, com 18 vices, faturando 12.23% do percentual de diplomados. O terceiro lugar é do PP, partido político da senadora Kátia Abreu, com 12 vices, o que dá 8.63% do número de eleitos. Convém ressaltar, que o PTB e o DEM, respectivamente, compõem as siglas que fizeram vice-prefeitos a partir de uma dezena, ou seja, 10 e 11. Já nas cinco maiores cidades, Palmas, Araguaína, Gurupi, Paraíso e Porto Nacional só o MDB, levando-se em conta os grandes partidos, elegeu vice-prefeito, a saber, na cidade de Paraíso. Todavia, no tocante a força política de cada grupo no estado, novamente o agrupamento Abreu se vê em vantagem, visto que a soma dos eleitos pelo PSD de Irajá com os do PP de Kátia Abreu, chega-se a 37 vices eleitos, cujo percentual é de 26.62% de eleitos.

Em artigos anteriores, ficou assinalado que o MDB elegeu 221 vereadores no estado, porém a soma dos eleitos pelo PSD e PP o resultado é de 210 vereadores, bem próximo do MDB. Já no número de prefeitos eleitos, o DEM elegeu 26, porém a soma dos eleitos por Irajá e Kátia, total de 29 prefeitos já empossados, ultrapassa, individualmente, MDB e DEM. Finalmente, o certo e recomendável seria que os vice-prefeitos tocantinenses se unissem e, sem delongas, criassem uma entidade forte e representativa, a exemplo do que já possui os prefeitos (ATM) e vereadores através da UVET.


*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.