O legado de trabalho trouxe de volta José Salomão ao poder em Dianópolis

  • 14/Mar/2021 17h30
    Atualizado em: 15/Mar/2021 às 08h57).

• Por Goianyr Barbosa

A chegada triunfal do padre Gleibson Moreira à prefeitura de Dianópolis, em 2016, foi cercada de muitas expectativas e esperanças, pois, para muitos, emergia ali, das terras do antigo São José do Duro uma liderança de fato, não só no município, mas em todo o Sudeste, com previsão de mando político para uma boa faixa de tempo. Na realidade, as razões para tão assertivo prognóstico residia no seu elevado carisma como líder eclesiástico, pregações contundentes nos púlpitos, as quais arrebatavam jovens e velhos em torno de si, além do trabalho social incontestável num município sequioso de políticas públicas voltadas ao social. Entretanto, com alguns meses à frente da gestão, não foi difícil diagnosticar, através de pesquisas, que Gleibson pedalava pela contramão, cujas ações revelavam o quão complexo é comandar um rebanho por meio do trabalho religioso e, por outro, gerenciar uma sociedade através da investidura num cargo público. A primeira sondagem que o Ipepe fez em Dianópolis foi em agosto de 2018, portanto há um ano e oito meses após o prefeito ascender-se ao trono. De acordo com os dados, o prefeito desfrutava de apenas, pasmem, míseros 6.18% de aprovação administrativa, enquanto 62.16% reprovavam a sua gestão. Por outro lado, a nota regular era de 20.85% e 6.18% diziam apoiar em partes o governo pilotado pelo pároco.

No mesmo estudo foi aferido o grau de satisfação dos usuários para com a saúde sob a responsabilidade do município. Pelos dados, 57% disseram que a saúde municipal piorou em relação à gestão anterior. Contudo, para 30.59% a saúde ofertada pelo município estava igual em relação à gestão passada do prefeito Régis de Melo, sendo que, 12.35% declararam que a saúde estava melhor. Desta forma e com base nesses dados, a conclusão é clara de um governo que já caminhava à decadência. No entanto, em novembro de 2019, a um ano das eleições, o Ipepe volta novamente a medir a temperatura política na cidade das Dianas. Na estimulada, com a indicação de nomes aos entrevistados, José Salomão liderava com 75.42% de preferência, seguido, em empate técnico, dentro da margem de erro, o vereador Gena (9.30%) e Jailtinho (8.64%). Por fim, o prefeito Gleibson aparece com apenas 1% de preferência eleitoral. No quesito rejeição, o prefeito é o mais rejeitado, com 68.33% afirmando não votar nele em nenhuma hipótese. José Salomão e Jailtinho possuem, cada, apenas 1.33% de rejeição popular, ao passo que a rejeição do então vereador Gena é de 7.67%.

Jailtinho cresce e Governo Carlesse é mal avaliado

A primeira sondagem eleitoral do Ipepe em 2020, em Dianópolis, ocorreu em fevereiro. Na época, na modalidade estimulada, José Salomão apareceu com 54. 2% das intenções de voto, contra 9.92% de Jailtinho, 8.78% alcançado pelo vereador Gena, Hagahús Neto atinge a faixa de 5.34% e o padre Gleibson, na lanterna, com apenas 1.15% de preferência. O estudo exibiu o prefeito como o mais rejeitado, uma vez que 51% afirmaram não votar nele em nenhuma hipótese. Lembrando que, desta pesquisa para a anterior, realizada no mês de novembro de 2019, num lápso de dois meses, o ex-prefeito José Salomão viu dissipar 16.9 preciosos pontos percentuais. Por sua vez, foi perguntado ao eleitor se ele aprovava a gestão do prefeito Gleibson. Segundo os dados levantados pelo Ipepe, 82.06% não aprovavam as ações administrativas do prefeito, ao passo que apenas 7.25% disseram sim a sua gestão. Na opinião de muitos, foi nesse período que o sonho de buscar uma reeleição foi se tornando um pesadelo para o prefeito, visto que a empolgação inicial ao seu nome só desvanecia. Paralelamente, o governo Mauro Carlesse foi pesado e medido pelo dianopolino. Pelos números, 69.08% afirmaram que Carlesse não tem sido um bom governador para Dianópolis, enquanto 16.41% disseram que sim, que ele tem sido um bom governante para a cidade e 14.50% não se manifestaram.

Na clivagem realizada pelo Ipepe, no início de agosto, portanto, a 3 meses das eleições, Salomão continua na dianteira, com 47.89% das intenções de votos, vindo em seguida Jailtinho, com 15.33% de preferência eleitoral. O padre Gleibson reage para 7,66%, empatando dentro da margem de erro com a professora Francisca, sua vice, que detém 5.75% das intenções de voto. Já Hagahús Neto aparece na lanterna da competição, com minguados 1.92% de preferência. Nesta rodada para a anterior, José Salomão perde consideráveis 6.31 pontos, enquanto Jailtinho sobe, conquista 5.91 pontos. Passo seguinte, o governo Mauro Carlesse é novamente avaliado. A pesquisa aponta uma insatisfação de 61.69% acerca do seu governo, uma satisfação popular de 20.31% e 18.01% que não opinaram. Com base nos dados, nesta rodada o governo Carlesse tem uma pequena queda na rejeição e sobe 4 pontos na aprovação. Contudo, não deixa de ser bastante negativo como a população da mais importante cidade do Sudeste do estado avaliava a conduta do governo estadual.

Salomão vence, mas já avistando Jailtinho pelo retrovisor

Já na reta final de campanha, a 13 dias das eleições, o Ipepe prospecta novamente em quem o eleitor vai decidir o seu voto a prefeito. Para um universo de 350 entrevistas, foi perguntado em quem o eleitor vai votar para ser o próximo prefeito de Dianópolis. Num direcionamento em que é revelado os nomes dos concorrentes, numa cartela, o ex-prefeito José Salomão crava 39.44% das intenções de voto. Na segunda colocação, Jailtinho possui 20.83% de preferência. A terceira e quarta vagas registra empate técnico entre Hagahús (9.44%) e Professora Francisca (7.54%). Nesse sentido, a diferença de pontos percentuais de José Salomão para Jailtinho é de 18.61 pontos. Convém assinalar, que na primeira pesquisa, realizada em novembro de 2019, a vantagem de José Salomão para Jailtinho era de 62.46 pontos. Ora, um ano após o primeiro levantamento, segundo os dados do Ipepe, em pontos de vantagem, a queda de José Salomão para Jailtinho foi de 41.63 pontos. Em resumo, abertas e processadas as urnas, os resultados foram: José Salomão 48.32%, Jailtinho 33.30%, Professora Francisca 11.87% e Hagahús Neto 6.50%. Em síntese, quando você analisa a diferença de José Salomão para Jailtinho obtido pelo Ipepe e compara com a diferença do resultado final das urnas, as pontuações estão dentro da margem de erro, assim como os resultados entre Hagahús Neto e a Professora Francisca, embora a pesquisa do Ipepe tenha sido a 13 dias das eleições e ainda havia 17% de eleitores que se diziam indecisos.

No resumo da ópera, a vitória de José Salomão, a terceira em Dianópolis, fato não conquistado ainda por outro ator político na história da cidade, deve-se a um modelo de gestão implementado ainda na sua primeira passagem pelo Paço Municipal, em que o zelo ético extremoso pela coisa pública e um arrojado plano de trabalho fez o município conhecer uma nova era de desenvolvimento. Com os pilares bem fincados em métodos transparentes, Salomão carimbou sem muitos esforços o passaporte para um segundo mandato. Por seu turno, Jailtinho, que entrou na concorrência sem despertar muito a atenção da classe política local, foi a grande revelação do pleito ao conquistar a simpatia de 33.30% dos votantes, o que significa um pouco a mais de 3 mil votos. De fato, faltou à oposição bom senso político para enfrentar um adversário do calibre de José Salomão, uma vez que, a soma do percentual da professora Francisca com a de Hagahús Neto atingiu a cifra de 18.37%, acima da diferença que deu a vitória a José Salomão. De modo que, a união das oposições falhou, poderia, pelo menos em tese, ter ocorrido outro resultado eleitoral, todavia é o Partido dos Trabalhadores (PT) que vai governar a mais importante cidade do Sudeste nos próximos 4 anos.