O Tocantins possui uma dívida de gratidão enorme com os irmãos Santillo

  • 12/Mar/2021 09h58
    Atualizado em: 12/Mar/2021 às 10h10).

*Por Goianyr Barbosa


A morte do ex-deputado, ex-secretário de Estado e ex-prefeito de Anápolis, Adhemar Santillo, na última terça-feira, 9, em Goiânia, pegou muitos tocantinenses de surpresa, sobretudo aqueles que mantinham, como eu, uma relação muito próxima com o paulista de Ribeirão Preto, que mudou para Anápolis ainda criança e, ali, com seus pais e irmãos, fixou-se definitivamente para tornar, tempos depois, ao lado dos irmãos Henrique e Romualdo, os mais célebres personagens da política goiana. De fato, o começo bem-sucedido de Adhemar na vida pública ocorreu em 1970, ocasião em que se elegeu deputado estadual. Com uma carreira ascendente, tribuno eloquente, versado nos mais variados temas, Adhemar conquista, simultaneamente, três mandados de deputado federal, a saber: 1974, 78 e 82. Na década de 80, no governo Iris Rezende, Adhemar assume a Secretaria da Educação. Porém, com a eleição do irmão Henrique Santillo ao governo de Goiás, novamente volta a assumir a pasta da Educação. Convém ressaltar, que Adhemar assumiu a chefia de gabinete da prefeitura de Anápolis, nos fins dos anos 60, época em que seu irmão Henrique Santillo fora prefeito. Em resumo, Adhemar deixou ainda em seu vitorioso currículo na vida pública dois mandatos de prefeito por Anápolis.Adhemar com integrantes da diretoria da Conorte

A bravura de Adhemar Santillo na Câmara Federal e do irmão Henrique Santillo no Senado, os fizeram conhecidos em todo o Brasil. Por outro lado, tanto Adhemar quanto Henrique Santillo vestiram, destemidamente, a camisa da luta dos líderes do outrora Norte de Goiás ajudando no que era possível na batalha pela criação do Tocantins. Todavia, com a chegada de Henrique ao governo, em 86, um passo à frente foi dado, pois Santillo, durante o período que peregrinou em campanha ao governo pelas cidades do antigo Norte goiano afirmara de maneira convicta: “Dói no meu coração ver partir no meio o meu Estado. Mas as circunstâncias dessa transformação e o espírito de brasilidade me tranquilizam e me dizem que assim é melhor para o Norte goiano e para o Sul de Goiás”. Um personagem de destaque no governo Santillo, que chegou a ser seu líder na Assembleia Legislativa, o portuense Totó Cavalcante, ressalta que tanto o governador Henrique Santillo como o seu irmão Adhemar foram impávidos na luta pela divisão, apoiando em todos os sentidos as ações que chegavam até eles através dos líderes políticos e das entidades que estavam à frente da luta separatista, como, por exemplo, a Conorte. “Sem Henrique Santillo permitir que Goiás fosse dividido, toda a luta cairia por terra. De modo que, a luta divisionista possui muitos atores importantes, sendo um deles o povo, mas sem Henrique e Adhemar no momento decisivo, não teríamos conquistado o troféu da separação”.

Adhemar e a sua última passagem pelo Tocantins

Na verdade, poucos sabem que foi Adhemar Santilo, na condição de secretário da Educação de Goiás, no governo Iris Rezende, que pôs em funcionamento a Faculdade de Filosofia de Porto Nacional, até então inativa desde a sua criação, ainda no governo Mauro Borges. Foi, por outro lado, também através de seus esforços e iniciativas como titular da Pasta da Educação no governo do seu irmão Henrique Santillo, que foi plantada a primeira semente de criação da Unitins. Ora, desde a criação do Tocantins, que uma política grosseira e de segregação fora adotada a fim de apagar da memória e dos anais da história tudo o que de positivo os Santillo fizeram para que o povo do então Norte goiano tivesse as condições de ser um povo livre e independente. Todavia, por inciativa desse jornalista, do ex-vereador de Natividade, Maurício Brito (o Nica), e do ex-deputado Totó Cavalcante, utilizando-se da máxima de que, “mais vale um reconhecimento tarde do que nunca”, uma vez que em pouco mais de 30 anos de existência do Tocantins, nenhuma homenagem de fato e à altura do merecimento tenha sido feita ao ex- governador Henrique Santillo, fomos à luta e propusemos ao então deputado Wanderlei Barbosa, um projeto que denominasse a TO-050 de “Rodovia Governador Henrique Santillo”, que de pronto foi acatado, aprovado pelos 24 parlamentares do Legislativo estadual e sancionado pelo governador da época, Marcelo de Carvalho Miranda.

Afinal, o dia 15 de março de 2017 entrará para a história como a data em que as autoridades deste Estado amenizaram sensivelmente as injustiças cometidas contra o ex-governador e senador Henrique Santillo. Na aludida data, caravanas de ex-integrantes da Cenog e Conorte, entidades que estiveram à frente da luta separatista, além de convidados de honra, lotaram o Plenário e as galerias da Assembleia Legislativa tocantinense para prestigiarem a homenagem póstuma que o Legislativo fez ao ex-governador Santillo. Na ocasião, Adhemar Santillo e a sua esposa Onaide Santillo vieram representar a família Santillo e o governador Marconi Perillo, que não pôde comparecer em virtude de se encontrar em viagem ao exterior. Apesar de ausente, enviou um discurso, o qual foi lido pelo próprio Adhemar sob os aplausos de uma grande plateia. No encerramento, Adhemar dirigiu-se a mim e desabafou: “Goianyr, estamos felizes por tudo, por tudo mesmo, pelo reconhecimento que vocês fizeram ao meu irmão e por tudo que ele fez por aqui. Chegou em boa hora esta homenagem”, declarou emocionado. No caminho ao aeroporto, de regresso a Goiânia, ao meu lado, o telefone toca. Do outro lado da linha, o governador Marconi, da China, indaga de Adhemar acerca da solenidade. Adhemar informa: “Marconi, foi um evento marcado pela emoção por rever muitos amigos de outrora. Estamos felizes pelo gesto de reconhecimento dos deputados tocantinenses, do governador Marcelo Miranda e uma grande parcela de amigos queridos”, finalizou.