MDB tem a maior bancada de vereadores no estado, seguido do DEM.

  • 08/Mar/2021 08h33
    Atualizado em: 08/Mar/2021 às 08h35).

*Por Goianyr Barbosa


No jogo democrático pelo voto, travado renhidamente em novembro último, no qual 1.307 (mil e trezentas e sete) cadeiras estavam em disputa nos 139 municípios tocantinenses, o MDB, outrora combativo “Manda Brasa”, saiu na frente ao eleger 221 vereadores, correspondendo a 16.91% do número de vagas ofertadas. Na segunda colocação ficou o Democratas, com 187 vereadores diplomados, percentual de 14.31% das vagas em disputa. A terceira colocação em eleitos ficou com o Solidariedade (SD), com 156 vereadores empossados, o que representa 11.93% das vagas. É oportuno ressaltar, que o SD, com apenas oito anos de fundação, ainda fazendo xixi nas fraldas, deixou para trás partidos tradicionais com mais tempo de atividade política, como, por exemplo, o Partido dos Trabalhadores (PT), criado em 1980, que só elegeu 40 vereadores no estado, assim como o PSDB, fundado em 1988, outrora um gigante da política tocantinense, mas que, desta vez, diplomou apenas 13 parlamentares.

Por sua vez, o PSD, sob o comando do senador Irajá Abreu, foi o quarto partido com maior número de eleitos, ou seja, 132 parlamentares municipais, ocupando um naco de 10.09% do total de assentos nos legislativos. Convém assinalar, que os eleitos sob a gerência partidária de Irajá, somados aos 78 eleitos pelo PP, dirigido pela senadora Kátia Abreu, o saldo de eleitos do grupo Abreu vai para 210, chegando bem próximo dos 221 eleitos pelo MDB. Portanto, além dos partidos citados acima, outra agremiação partidária que elegeu vereadores acima de uma centena foi o PTB, cujo comando está com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Toinho Andrade. Ao todo foram 103 eleitos pela sigla. Já o PC do B, com desempenho pífio, na chamada zona do rebaixamento, foi o único partido na competição a eleger apenas um membro ao parlamento tocantinense, a saber, o vereador Durão de Moura, da cidade Arraias, no Sudeste do estado.

Não deixa de chamar a atenção, por outro lado, as Câmaras Municipais que possuem apenas duas bancadas partidárias, fato não muito comum nesse período de proliferação abundante de partidos políticos. Em Sítio Novo, no Bico do Papagaio, a representação partidária quase ficou em um só partido político, pois o MDB elegeu 8 vereadores contra 1 apenas do SD. Caso semelhante sucedeu em Porto Alegre do Tocantins. Lá, o PL elegeu 8 parlamentares, enquanto o PSB emplacou 1 parlamentar. Outros municípios, porém, como Angico, Barra do Ouro, Crixás, Luzinópolis, Brejinho de Nazaré, Itapiratins, Bom Jesus, Nova Rosalândia, Rio do Sono, Santa Maria, Sandolândia, Santa Tereza e Tupirama as bancadas são representadas por apenas dois partidos políticos. Com base em dados, em 125 municípios as câmaras municipais são compostas por 9 vereadores, enquanto em 14 os números de vagas são a partir de 11 cadeiras até 19, neste último caso Palmas.

MDB encolheu nas cinco maiores cidades

Com uma safra bem colhida de vereadores nas médias e pequenas cidades, conforme dados acima, contudo nas cidades de grande peso eleitoral, tais como, Araguaína, Gurupi, Palmas, Paraíso e Porto Nacional, cuja população somada é de 682.349 (seiscentos e oitenta e dois mil e trezentos e quarenta e nove) mil habitantes, com percentual de 42.91% da população tocantinense, o MDB elegeu apenas 10 vereadores de um total de 79 vagas dessas cinco cidades. Desta forma, o partido totalizou 12.65% da divisão das vagas. Note-se que, dentre as cinco cidades, o MDB elegeu prefeito apenas em Paraíso, graças ao capital político-eleitoral do então prefeito, o médico Moisés Avelino, que nesta eleição elegeu cinco vereadores, 50% do total de eleitos pela sigla nas cidades supracitadas. Em Gurupi, a rigor, onde o partido tem uma longa tradição de prefeitos eleitos, o partido não elegeu sequer um vereador na capital da amizade, fato incomum e que caracteriza um partido sem comando e ação no município. Segundo um prefeito emedebista, da ala mais autêntica do partido, se não houver uma grande renovação no partido, com novos métodos e mudanças nas velhas práticas, o parido pode não voltar ao protagonismo dos tempos memoráveis.


*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.