Em Almas, grupo Cintra é atropelado quando tentava o Penta eleitoral

  • 01/Mar/2021 08h40
    Atualizado em: 01/Mar/2021 às 08h43).

*Por Goianyr Barbosa

O denominado grupo Cintra, que tem como expoentes Osmar Lima Cintra, pai, e Leonardo Cintra, filho, ambos ex-prefeitos de Almas e com 16 anos de comando administrativo no município, sofreu um revés político nas últimas eleições de 2020, quando tentou emplacar mais um integrante do clã familiar, a proficiente profissional da saúde, Giselly Cintra, filha de Osmar e irmã de Leonardo. Numa disputa sem medir o real tamanho do adversário e confiando num histórico de grandes conquistas, o prefeito Wagner Nepomuceno, o Waguinho, com uma gestão sob os aplausos do povo, não tomou conhecimento e pôs abaixo a pretensão de Osmar de chegar à quinta vez ao Paço Municipal, agora através da filha. Aliás, a respeito de Osmar Cintra não há como negar seu enorme carisma, habilidade no trato com o povo, além do talento requintado em armar suas equipes políticas ao confronto com as urnas. Ademais, quanto a Giselly, trata-se de uma profissional altamente capacitada, reconhecida pelos elevados serviços prestados tanto na saúde municipal da capital como na do estado, porém competiu num momento inoportuno e intempestivo.

Segundo os registros da historicidade, Osmar Cintra gerenciou Almas durante oito anos, sendo que o primeiro mandato ocorreu de 1997 a 2000 e o segundo, de 2001 a 2004. Já o filho Leonardo Cintra também governou o município por 8 anos, a saber, de 2009 a 2012 e, reeleito, de 2013 a 2016. Osmar chegou ao município de Almas, vindo interior paulista, no florescer dos anos 80 e, em tão pouco tempo, transformou-se num bem-sucedido empresário do ramo agrícola. Por sua vez, Waguinho é nativo de Almas, filho de tradicional família, além de ser um empreendedor notável do ramo comercial. A propósito, Waguinho pisou no gramado político oficialmente na eleição que conduziu Leonardo Cintra a prefeito de Almas, isso em 2008, ocasião em que Waguinho foi o candidato a vice na chapa vitoriosa de Leonardo. Entretanto, nos primeiros anos, já não concordando com certos rumos administrativos tomados pela gestão de Leonardo, Waguinho desliga-se do grupo Cintra e vai procurar construir a sua carreira solo com correligionários e amigos que comungavam dos seus ideais.

Um Governo sério e realizador

Após um incansável trabalho de ajustes nas contas da municipalidade, o segundo passo foi dar respostas a um problema crônico que há tempos causava indignação na população, ou seja, a falta de uma política voltada à saúde que atendesse às necessidades reais do povo. Nesse sentido, não custou para que a gestão encarasse o problema de frente, com a criação de um plano de metas, sob a batuta do experiente profissional Jurimar Trindade, que assumiu a pasta da Saúde. Desta forma, em pouco tempo o hospital do município transformou-se numa referência, atendendo com frequência pacientes vindos de cidades vizinhas. Mas, para isso, houve investimentos na contratação de médicos especializados, atendimento humanizado, aquisição de aparelhos para exames mais complexos, sem descuidar do abastecimento de medicamentos. Com a saúde em patamares positivos, o governo Waguinho foi cuidar da infraestrutura da cidade, isto é, implementou um arrojado programa de asfaltamento urbano, revitalização das praças públicas, limpeza rigorosa da cidade, melhorias no ensino e todo um olhar administrativo para a zona rural.

A primeira pesquisa realizada pelo Ipepe, em Almas, ocorreu em novembro de 2019, portanto a um ano das eleições. O levantamento avaliatório apontava que a gestão Waguinho caminhava bem e com chances de buscar um novo mandato. Segundo os dados, 45% afirmavam estar satisfeitos com a maneira de Waguinho administrar Almas. Todavia, para 21.28% a gestão estava regular, contra 26.86% que afirmavam não estar satisfeitos e 3,94% que declaravam estar em parte satisfeitos. Foi medido, na ocasião, a preferência do almense num confronto entre Waguinho e Osmar Cintra, que, até então, era um pré-candidato. Pelos números, a disputa revelava um empate técnico, uma vez que Osmar possuía 38.42% das intenções de votos e Waguinho 37.93%. O percentual de indecisos com os que não sabiam em quem votar era de 9.85%. Já a soma de votos nulos, brancos e em nenhum atingia 11%. Finalmente, o governo Mauro Carlesse também passou por aferição. Pelos dados coletados, 38.92% dos eleitores entrevistados não estavam satisfeitos com o ocupante do Palácio Araguaia, enquanto 13.30% estavam satisfeitos, 27.59% deram nota mais ou menos e 20% não opinaram.

Ano de 2020: O da Virada

O Ipepe voltou a aferir o sentimento dos eleitores almenses, dessa vez em meados de agosto de 2020, a noventa dias das eleições. De acordo com os números levantados e num confronto entre Waguinho e Giselly Cintra, a vantagem do prefeito para Giselly era de 35.2 pontos percentuais. O percentual de indecisos e dos que não sabiam ainda em que votar somava 16%. Por outro lado, o somatório de votos em branco, em nenhum e nulos chegava à casa de 4.8%. Na mesma clivagem o estudo avaliou a satisfação da população com a gestão Waguinho. A nota positiva, ou seja, a aprovação direta alcançou 79.20%, ao passo que a reprovação ficou em apenas 8% e 12.80% não opinaram. As ações de combate à Covid-19 posto em prática pela gestão Waguinho teve os seguintes índices: para 73.20% a prefeitura agiu de forma correta através das medidas postas em prática, contra apenas 3.60% que reprovavam as ações da prefeitura e 13% que deram nota regular. Paralelamente, o governo Mauro Carlesse passou a contar com 50% de aprovação e 23% de reprovação. Por fim, 26% não quiseram ou não souberam opinar. Note-se que, o governo Mauro Carlesse recuperou os percentuais de avaliação negativa da pesquisa Ipepe realizada em novembro de 2019, conforme já dissertado no parágrafo acima.

A última passagem do Ipepe por Almas sucedeu em outubro de 2020, na reta final da campanha, por volta de um mês da caminhada dos eleitores às urnas. Na época, a medição estimulada apontou a dianteira de Waguinho sobre Giselly, com índices de 62% das intenções de voto ante 31.20% de Giselly. Pelos dados, a vantagem do prefeito sobre a sua adversária era de 30.8 pontos percentuais. Abertas as urnas, Waguinho obteve 61.40 dos votos válidos, enquanto Giselly ficou com 38.60%. Apesar de restar ainda um mês para a eleição, os resultados do instituto foram certeiros. Na pesquisa em questão, Waguinho alcançou 77.91% de aprovação (ótimo e bom) e reprovação de 16.09% (péssimo e ruim). Contudo, 6% não opinaram. Em síntese, a reeleição de Wagner Nepomuceno, em Almas, foi sendo pavimentada a partir do momento em que foi criado um novo modelo de saúde pública, que possibilitou até receber pacientes de cidades vizinhas, além das melhorias provenientes de um arrojado programa de pavimentação asfáltica, revitalização de praças e vias urbanas, pagamentos rigorosamente em dia do funcionalismo e fornecedores, entre outros. De modo que, as pesquisas feitas antes e no decorrer da campanha eleitoral já indicavam o sentimento de aprovação popular da gestão, assim como o desejo de continuidade, isto é, de não mudar o que estava dando certo.

*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.