Otoniel perde duas eleições de virada e na reta final

  • 07/Fev/2021 20h02
    Atualizado em: 08/Fev/2021 às 07h40).

*Por Goianyr Barbosa

Se Otoniel Andrade Costa fizesse hoje a tradicional volta olímpica nos “gramados da política” e pendurasse as chuteiras, sem dúvida alguma já entraria consagrado para a história como o prefeito que mais vezes administrou o município de Porto Nacional, conquistando três mandatos, duas vezes deputado estadual, além de uma votação significante para deputado federal, atingindo a cifra de 30 mil votos. Entretanto, quando findava o terceiro mandato, em 2016, buscou a reeleição, o que lhe faria gestor pela quarta vez, caso fosse eleito, porém fora atropelado por Joaquim Maia Leite até então sem muita militância política na cidade, apesar de vereador em Palmas e pertencer à nobreza familiar de Porto. Aliás, o plano de Maia foi pra lá de audacioso, uma vez que deixou uma reeleição praticamente certa de vereador na capital e foi buscar o sonho de ser prefeito no seu berço natal. Mas, para isso, Joaquim Maia fez uso correto do marketing político, não foi ao embate às escuras, embasado em pesquisas e sob a orientação do consultor Arlênio Sampaio decidiu competir, após o estudo apontar viabilidade de sucesso no certame eleitoral.

A primeira pesquisa, realizada em março de 2015, quase um ano antes do ano eleitoral, trouxe dados precisos e animadores tanto para o consultor Arlênio como para Maia, visto que a gestão do prefeito Otoniel não estava bem avaliada, contava com aprovação direta de 22.07%, reprovação de 40.52% e regular, segundo o Ipepe, repousava em 32.99%. Um dado preocupante, naquela primeira sondagem, era o grau de conhecimento de Joaquim Maia entre os portuenses. Se por um lado, 13.77% afirmavam conhecê-lo bem e 19.48% conhecê-lo mais ou menos, 44.68% garantiam não conhecê-lo, além de 17.44% afirmarem conhecer Joaquim Maia pouco. E mais: de acordo com os dados, concorrendo a prefeito Paulo Mourão, Joaquim Maia e Otoniel Andrade, o ex-prefeito Paulo Mourão liderava com 38.07% de intenções de voto, Otoniel 15.58% e Joaquim Maia 15.06%, portanto, os dois últimos empatados. E numa simulação entre Joaquim Maia e Otoniel, Joaquim pontuava com 35.94% e Otoniel Andrade com 19.79%

De posse dos dados, ficou evidenciado que a gestão do prefeito Otoniel não caminhava bem, longe dos anseios do povo; que Joaquim Maia carecia de uma identidade mais próxima do povo, embora num confronto direto entre eles, Otoniel X Joaquim, os votos de Paulo Mourão migravam-se para Maia e com facilidade. Portanto, foi aí que a equipe de trabalho de marketing contratada por Maia elaborou um plano de pré-campanha eleitoral, cujo destaque era o programa “Ouvindo a minha cidade”. Tal projeto era inovador, pois a cada sábado realizava uma reunião num bairro da cidade, os moradores relatavam as suas demandas e, no final, Maia fazia o encerramento. Com isso, Joaquim foi ganhando visibilidade, acessibilidade junto da comunidade, o povo feliz por ser ouvido, além de um plano de governo estar em gestação. Segundo se apurou, o prefeito Otoniel fora avisado reiteradas vezes acerca desse projeto que estava germinando como fogo de monturo nos bairros periféricos e distritos de Porto, todavia se fez de surdo, descredibilizou o movimento, o que foi seu grande erro.

Na convenção que homologou Joaquim Maia a prefeito e Ronivon Maciel a vice, o ex-prefeito Paulo Mourão e o deputado Ricardo Ayres já estavam incorporados à campanha de Maia, visto que as pesquisas os alertavam que, se a oposição não fosse unida para a disputa, Otoniel já poderia encomendar o figurino da posse. A partir daí, e após Joaquim Maia já ter exposto seu programa aos portuenses, andar em cada rua e adentrar em cada casa, levando sua mensagem mudancista, um vento de mudança sacudiu os corações dos velhos, jovens, negros, brancos, amarelos e, no levantamento do final de agosto, de acordo com o Ipepe, Joaquim já estava colado em Otoniel a poucos palmos para alcançá-lo, a saber: Otoneil 37.38%, Joaquim Maia 32.88% e Capitão Diógenes na lanterna com 5.68%. Portanto, uma diferença apertada para Otoniel de 4.5 pontos percentuais, na divisa de um empate técnico. Indecisos e quem não sabiam em quem votar somavam 17.61%. Foram esses que decidiram o pleito. Todavia, faltando 10 dias para a eleição, o Ipepe foi a Porto e apontou a virada de Maia sobre Otoniel, quando o jogo caminhava para o seu final, isto é, Joaquim Maia 46.02%, Otoniel Andrade 34.77% e Diógenes 2.24%. De modo que o jogo encerrou praticamente com esses dados.

Otoniel larga na frete, mas é ultrapassado por Ronivon

Pelas últimas eleições, percebe-se que o portuense vem adotando uma filosofia diferente na hora de decidir quem comandará os seus destinos, ou seja, pela renovação. Em 2016, foi com Joaquim Maia, e agora, 2020, com Ronivon Maciel. Como registro, em dezembro de 2017, portanto, há quase um ano de gestão do prefeito Joaquim Maia, o Ipepe realizou uma pesquisa na cidade, através da qual constatou que um pequeno tremor começava a abalar as estruturas da gestão Maia. No levantamento foi perguntado ao eleitor se a gestão de Joaquim Maia estava melhor ou pior do que se esperava. Como resposta, 34.08% disseram que estava pior, 10.83% que estava melhor, 9.55% dentro do esperado e 42.68% nem melhor e nem pior. De fato, com os erros de ajustes no início de gestão, a chama mudancista já não ardia com tanta intensidade e esperança. Pois bem, o protagonista do próximo capítulo político de Porto estava ajustado perfeitamente nos quadros institucionais da gestão do prefeito Joaquim Maia, aliás, com relativo destaque – Ronivon Maciel, vice-prefeito.

De um comportamento exemplar como vice-prefeito, sempre colaborando com a gestão, reconhecido pela humildade e bom trânsito na sociedade portuense, Ronivon foi adquirindo admiradores e pessoas dispostas a investir num projeto mais ousado, a disputa pelo Paço Municipal. Lembrando que, na eleição de 2018, Ronivon foi o deputado estadual mais votado de Porto, alcançando 5.352 mil votos, deixando para trás o deputado Toinho Andrade, com 4.379 mil votos, político de grande respeito na cidade e outros medalhões como Ricardo Ayres, Valdemar Júnior, Cleiton Cardoso, professor Júnior Geo. Para muitos, Joaquim Maia falhou em não valorizar o seu vice, evitando, com isso, perdê-lo aos adversários. E foi justamente isso que ocorreu, no afã de que uma divisão no grupo do prefeito favorecia Otoniel, a semente da discórdia foi lançada com o sinal verde de pessoas do círculo oposicionista. Com pesquisas em mãos, revelando a Ronivon ser possível entrar no jogo e sair dele vencedor, este pulou do barco, reuniu um séquito de correligionários e foi construir um projeto político de feição oposicionista e independente.

Uma medição realizada pelo Ipepe, em novembro de 2019, um anos antes das eleições, dava Otoneil Andrade com 24.01% de intenções de voto, Paulo Mourão com 20.34%, Joaquim Maia com 14.97%, Ronivon com 11.86% e outros nomes mais abaixo. Este resultado já colocava Ronivon no jogo e bem próximo de Joaquim Maia. Por sua vez, em outra medição do aludido instituto de pesquisas, em agosto de 2020, ano eleitoral, Otoniel lidera com 33.57%, Ronivon 20.42% e Joaquim 12.44%. Outros nomes aparecem com números insignificantes. Por estes dados, Ronivon já ultrapassa Joaquim Maia e segue em direção a Otoniel. Contudo, no levantamento de 02 de novembro, a 13 dias do pleito, Otoniel possui 32.05% de intenções de votos, Ronivon 26.26% e Joaquim Maia 19.44%. Portanto, a diferença de Otoniel para Ronivon era de 5.79 pontos percentuais, aproximando de um empate técnico, visto que a margem de erro era de 3 pontos para mais ou para menos. A pesquisa constatou que o número de indecisos e dos que não sabiam em quem votar era de 17.22%. Estes eleitores fizeram a virada da eleição.

Finalmente, a pesquisa em questão, em Luzimangues, distrito de Porto, trazia os seguintes dados: Ronivon 30.83%, Otoniel 25.83% e Joaquim Maia 14.17%. Ora, se em Luzimangues, tradicional reduto de Otoniel Andrade a eleição já havia virado a favor de Ronivon, a competição, naquela altura, estava praticamente perdida. Com os dados em mãos, liguei para o deputado e presidente da Assembleia, Toinho Andrade, que se encontrava em comício na região sul do Estado, passei-lhe os números e o aconselhei a voltar urgente e assumir a direção da campanha em Porto. Conclusão: novamente a cena política se repetiu, com Otoniel Andrade perdendo as eleições na etapa final da partida, num jogo que liderou durante o ano de 2019 até a etapa final de 2020. Não saiu absolutamente fragilizado, uma vez que concorreu com dois nomes fortes e ainda obteve um capital eleitoral de mais de 9 mil votos.

*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.