O vestibular acirrado ao Senado em 2022

  • 01/Fev/2021 10h16
    Atualizado em: 01/Fev/2021 às 10h32).

*Por Goianyr Barbosa

Nas próximas eleições de 2022, uma vaga estará em encarniçada disputa em todo o Brasil, é a cadeira de Senador da República. Num passeio pelos anais históricos, desde a primeira eleição, ocorrida no ano de 1988, quando a poderosa União do Tocantins elegeu facilmente todos os três senadores, até a de 2002, com a eleição de Leomar Quintanilha e João Ribeiro, os vencedores sempre estiveram sob uma mesma corrente partidária, ou seja, gravitando em torno do siqueirismo.

No entanto, essa predominância foi rompida em 2006, com a vitória da senadora Kátia Abreu sobre Eduardo Siqueira, que na época pleiteava a reeleição ao Senado pela União do Tocantins. De lá para cá houve equilíbrio e nem sempre o governador eleito carrega os seus candidatos ao Senado, prova cabal foi a última eleição, na qual Eduardo Gomes e Irajá Abreu se elegeram em palanques opostos.

Quando fevereiro chegar, provavelmente após o feriado de Carnaval, seja bem provável que alguns nomes comecem a se movimentar de maneira mais perceptível. Não é segredo, há buchichos em volta dos seguidores do ex-prefeito de Gurupi, Laurez Moreira, que ele vem se preparando para uma disputa ao Senado ou até mesmo ao governo. Laurez cumpriu dois mandatos de exitoso trabalho, deixando marcas reconhecidas até pelos seus adversários, cuja aprovação administrativa antes de deixar o governo oscilava acima de 80%. Aliás, a vitória de Josi Nunes resultou de um rompimento político entre ela e o ex-prefeito. Aos que não sabem, Dolores Nunes, mãe de Josi, foi vice-prefeita nas duas gestões de Laurez. Fala-se que Moreira, no afã de eleger uma pessoa mais próxima a ele, foi se desligando paulatinamente da família Nunes. O governo, por sua vez, sabendo da ocorrência de fissuras entre os dois lados, aproveitou e equipou Josi à disputa, embora Josi já possuísse voo próprio e um respeitável histórico político. Quem acompanhou o processo de perto, avalia que se o governo não fizesse uma operação emergencial em Gurupi, na reta final, o jogo poderia ter tido outros desdobramentos.

Outro ex-prefeito muito lembrado ao Senado é Ronaldo Dimas, gestor capaz, portador de dois mandatos à frente do Executivo da segunda maior cidade do Estado, Araguaína, além do saldo positivo de ter um filho na Câmara Federal. A grande pedra no caminho de Dimas é não possuir densidade político-eleitoral fora do Norte do Estado e algumas doses de carisma. Dentro desse rol de previsões, o nome da senadora Kátia Abreu não pode ser descartado, mesmo que alguns achem que a parlamentar tem acumulado muitos desgastes na carreira política. Ora, na eleição de 2018, em que disputou o governo na eleição suplementar e foi abatida, amargando a quarta colocação, não custa lembrar que em seguida veio a sua reação e reabilitação com a eleição do filho Irajá Abreu ao Senado, numa concorrência de gigantes. Portanto, menosprezar Kátia Abreu e considerá-la pequena é um risco, é apagar da memória dois títulos já conquistados ao Senado da República.

Governo Carlesse com média baixa de aprovação

Os analistas de plantão e os palacianos já lançaram o governador Mauro Carlesse para concorrer à única vaga ao Senado. O governador ainda não se pronunciou a respeito, contudo é quase certo que concorra ou para o Senado ou à Câmara Federal. No pódio maior da política estadual, o governador já caminha para quase três anos de governo, levando-se em conta que assumiu o Palácio Araguaia no final de março de 2018, com a cassação do governador Marcelo Miranda. No geral, o governo não anda bem avaliado, fator que põe em risco uma disputa nesse cubículo espaço senatorial. No Sudeste do Tocantins, por exemplo, uma rodada de pesquisas do IPEPE, no segundo semestre de 2020, registrou nas seis principais cidades da região (Natividade, Almas, Dianópolis, Taguatinga, Arraias e Paranã) uma média de reprovação do governo Carlesse de 52.52%, enquanto a média de aprovação ficou em 24.7%. O percentual dos que não se manifestaram foi de 22.78%.

No trecho de Dianópolis até a divisa com Goiás, próximo a Campos Belos, encontra-se uma das mais importantes obras do governo estadual, a recuperação de toda a malha asfáltica da TO-110, numa extensão de 200 Km. A melhoria da rodovia conta com sinalização em todo o trecho e obras de drenagem. Todo esse trabalho não foi suficiente para o governo Carlesse impulsionar seus índices de avaliação no Sudeste. Fica evidente, portanto, uma falta de sintonia e comunicação do governo com a sociedade e seus líderes na região. Acerca da obra citada, nem por lá o governo pisou os pés por ocasião da sua conclusão.

Na região do Jalapão, onde o governo propaga a pavimentação da rodovia ligando Novo Acordo a São Félix, a situação não é boa politicamente. De acordo com o IPEPE, em rodada realizada em cinco cidades (Novo Acordo, Rio Sono, Lizarda, São Félix e Mateiros), em outubro de de 2020, a média de reprovação do governo Mauro Carlesse é de 58.6%, ao passo que a aprovação está na casa de 22.76%. Em Mateiros, no centro “jalaponês” do turismo, o governo possuía uma desagradável rejeição de 67.72%, e aprovação de 24.68%. E mais: na região Norte/Bico, tomando como amostra as cidades de Babaçulândia, Darcinópolis, Araguatins e Axixá, a média de reprovação nestas cidades é de 48.23% e aprovação de 35.52%. Portanto, em três regiões aferidas os dados não estão favoráveis ao governo Carlesse, que carece de ação política e administrativa para ontem, a fim de reverter esse quadro adverso.

Na região Sul, no corredor da BR-153, há uma melhora no quadro de avaliação. Na verdade os índices estão em equilíbrio, ou seja, a média de aprovação nas cidades de Aliança, Alvorada, Crixás, Fátima, Figueirópolis e Gurupi é de 43.65% e reprovação de 41.34%, portanto em empate técnico.

Pois bem, além dos prováveis nomes já escalados, cujos perfis já são do conhecimento de grande parte do eleitorado, para muitos analistas, no entanto, nomes novos podem surgir e o eleitorado costuma responder positivamente para candidatos que tenham uma trajetória ilibada, portador de discurso inovador e comprometido com áreas estruturantes e prioritárias, as quais não tiveram ainda uma resposta mais efetiva e direta ao povo tocantinense.

*Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.