Eleições 2020: Quem se fortaleceu para 2022

  • 25/Jan/2021 09h44
    Atualizado em: 25/Jan/2021 às 10h25).

*Por Goianyr Barbosa

O campeonato eleitoral de 2020, encerrado a pouco mais de dois meses, em que muitos prefeitos e vereadores foram eleitos ou reeleitos, já desperta uma crescente movimentação e interesse entre partidos políticos e nos que cobiçam assento ao trono do Palácio Araguaia, bem como numa das cadeiras do Senado Federal.

Fato notório, as principais siglas partidárias que participaram da competição eleitoral, todas, sem exceção, gabam-se do êxito obtido, isto é, das metas atingidas por conta do número de prefeitos e vereadores eleitos. Portanto, em números absolutos o partido que mais elegeu prefeitos foi o DEM, presidido pela deputada Dorinha Rezende, que alcançou a marca de 26 prefeitos, os quais vão administrar um contingente populacional de 146.643 mil habitantes, com um percentual 9.22% da população tocantinense.

O segundo partido com maior número de prefeitos eleitos foi o MDB. Os tradicionais ‘modebas’ vão administrar 187.554 mil habitantes, cujo percentual representa 11.79% da população. Pela amostragem acima, o MDB fez menos prefeitos que o Democratas, porém em importância de números de habitantes o MDB vai governar mais pessoas.

Outro feito marcante das urnas foi obtido pelo PSD, chefiado pelo senador Irajá Abreu, com a conquista de 22 municípios. Neste caso, o peso populacional administrado pelos prefeitos é de 194.321 mil habitantes, 12.22% do povo tocantínio. Observem, que o PSD com um número menor de prefeitos que o MDB e DEM, vai governar um conjunto de habitantes bem maior que as duas siglas individualmente.

Pois bem, o Partido Progressista (PP), pilotado pela senadora Kátia Abreu, emplacou 7 prefeituras e comandará uma população de 75.750 mil, o que representa 4.76% de moradores do estado.

Por sua vez, o Solidariedade (SD), sob a condução do deputado Vilmar Oliveira, colocou faixa em 14 gestores, incluindo a segunda maior cidade, Araguaína. Esses municípios juntos somam 274.920 mil habitantes. Significa, portanto, 17.59% da população estadual. É importante frisar, que o SD com 14 prefeitos vai administrar mais pessoas, individualmente, que as siglas: DEM, PSD, MDB, PP, só ficando atrás do PSDB da prefeita Cínthia Ribeiro.

PSDB Conquista Palmas; Grupo Kátia elege mais prefeitos

Apesar de ter eleito apenas dois prefeitos, Palmas e Pium, os prefeitos Tucanos (PSDB) vão administrar a maior fatia da população tocantinense, a saber, 314.039 mil habitantes, num total de 19.74% dos habitantes do Estado. Já o conglomerado Abreu, constituído por mãe e filho, senadora Kátia Abreu, na gerência do PP e o senador Irajá Abeu, no PSD, respectivamente, juntos elegeram 29 prefeitos, ultrapassando o Democratas que elegeu 26 prefeitos. Ressaltando, no entanto que, individualmente, o DEM triunfou com mais prefeitos eleitos, ao passo que, em termos de população e orçamento, o PSDB está em vantagem, seguido do Solidariedade (SD). Detalhe: uma coisa é eleger mais prefeitos, outra é eleger menos, porém com densidade populacional e orçamentos maiores.

Por fim, outra sigla que emergiu notavelmente das urnas foi o PTB que, de 5 prefeitos, saltou significativamente para 10 gestores, os quais já estão administrando 66.116 mil habitantes. A sigla é comandada pelo presidente da Assembleia, deputado Toinho Andrade.

Em linhas gerais, o que se comenta pelos bastidores é como o mapa geopolítico gestado das urnas 2020 estará configurado nas eleições de 2022. Não é segredo, é fato, não há uma fidelização entre prefeitos e seus comandos partidários, pois, conforme se constata, gestores eleitos por um partido, na maioria das vezes estão alinhados com deputados federais, estaduais, senadores de uma outra agremiação partidária por conta dos socorros das emendas parlamentares.

Nesse emaranhado político, entra o Palácio Araguaia, local em que os gestores estão sempre em busca de melhorias para as suas cidades, empregos em órgãos estaduais em seus municípios e nos repasses constitucionais, como os da Saúde, Educação, que fazem de muitos chefes do Executivo dependentes do governo estadual.

Em Brasília, por exemplo, onde as torneiras jorram com maior intensidade de recursos, o senador Eduardo Gomes tem sido um socorro presente a prefeitos e ao próprio governo Carlesse. Praticamente todos os prefeitos eleitos e reeleitos já estiveram com Gomes e, de lá, sempre retornam com respostas positivas aos pleitos.

De maneiras que, subir ao trono do Palácio Araguaia em 2022, não será tão fácil assim, como fora em 2018, cuja cassação do ex-governador Marcelo Miranda abriu um mar de oportunidades para que Mauro Carlesse aportasse no governo tocantinense, e de lá construísse uma engenhosa articulação, que o levaria a conquista do governo tocantinense.

* Goianyr Barbosa é jornalista, radialista e consultor político.