Identidade gastronômica quilombola com oficinas in loco do projeto Sabor que Toca

  • 08/Dez/2020 15h13
    Atualizado em: 08/Dez/2020 às 15h21).

Com o objetivo de identificar, resgatar e fortalecer a identidade gastronômica das comunidades quilombolas, a chef de cozinha Ruth Almeida executa, ao longo desta semana, edição in loco do projeto “Sabor que Toca” nas comunidades do Prata e Mumbuca, localizadas na região do Jalapão, bem como para empresários, restaurantes e trabalhadores de gastronomia da região. As oficinas de gastronomia tiveram início na última segunda-feira, 6, e seguem até quarta-feira, 9. A realização é do Sebrae Tocantins e as receitas foram desenvolvidas pela chef Ruth Almeida, a partir de produtos, temperos e elementos que marcam as raízes gastronômicas da região.

Nas oficinas, além de destacar a importância de se levar à mesa as receitas que resgatam a memória dos ancestrais dessas comunidades, a chef de cozinha ensina técnicas simples sobre reaproveitamento de alimentos e, principalmente, sobre a valorização de produtos raízes, como a técnica do revestimento de alimentos na folha de bananeira. “A folha de bananeira é acessível, pode ser utilizada para revestir pratos salgados e doces, ir ao fogo e ainda é lindo para apresentação e ornamentação à mesa”, descreve Ruth Almeida.

Nas oficinas, Ruth Almeida não ensina novas receitas, mas trabalha o fortalecimento da identidade gastronômica de cada comunidade. “A galinha caipira, a costelinha suína, o cuscuz de farinha, a salada de feijão de corda, o bolo de milho e muito mais são produtos que já estão há décadas nas receitas de família e cada casa tem uma técnica especial, o nosso trabalho é resgatar essas memórias e fortalecê-las”, complementa.

A chef de cozinha destaca que é perceptível nos tipos de alimentos, no cuidado com a terra, na comunhão das comunidades a luta pela preservação de sua cultura, gerando uma conexão da gastronomia com os saberes e sabores ancestrais. “Toda comida carrega uma história, uma identidade, então, cozinhar é também um ato de resistência. E é essa história e resistência que trabalhamos em cada prato, cada receita, de forma que esses quilombolas possam resgatar a sua identidade, de seus ancestrais e levar essas memórias à mesa”, declara.

Projeto

As oficinas do projeto “Sabor que Toca” tiveram início no mês de novembro, com transmissão de lives para oficinas online, na ocasião foram trabalhadas identidades do Jalapão, Serras Gerais, Taquaruçu e Palmas, com o compartilhamento de várias dicas sobre seleção e preparação de ingredientes, cortes de carnes, tratamento e cortes de peixes, temperos regionais, reaproveitamento de ingredientes, culinária afetiva, identidade regional e gastronomia criativa. (Cinthia Abreu)