Se Eli não arrumar a casa, ela vai cair.

  • 22/Out/2020 11h35
    Atualizado em: 22/Out/2020 às 11h38).

*Por Joana Castro

A candidatura de Eli Borges nasceu no cenário mais turbulento da história política de Palmas, quando cerca de 20 candidatos a prefeito disputavam uma pré-campanha na capital. Sondado em outros pleitos, o deputado federal que iniciou sua carreira política como vereador em Palmas, sempre definiu pela não candidatura, mas dessa vez topou o embate. Porém somente na reta final do período pré-convenção é que seu nome entrou mesmo no páreo e assim teve pouco tempo pra articular, especialmente na cúpula política.

Quando se confirmou sua candidatura, após a convenção, a campanha ganhou força pela arquitetura construída com as bênçãos do Palácio Araguaia, sob o comando do vice-governador Wanderlei Barbosa e na composição com o PTB de Antonio Andrade, presidente da Assembleia Legislativa.

Tudo parecia ir bem até que um compromisso firmado com o governador Mauro Carlesse de afastamento do parlamentar, para dar lugar ao palaciano Lázaro Botelho, não foi cumprido por Eli. Fontes que testemunharam o acordo confirmaram a informação, mas pediram para não serem identificados em respeito aos dois.

A decisão de Eli em não se afastar nesse momento se baseou na estratégia de manter o microfone ligado no Congresso Nacional, especialmente por integrar a bancada evangélica que tem força para minimizar a influência de Eduardo Gomes junto ao presidente Bolsonaro. Segundo informações de bastidores, Eli chegou a pedir a Carlesse que aguardasse o fim das eleições para se afastar. Se Eli está certo ou errado não cabe aqui julgar, mas voltar atrás num acordo feito não é um gesto simpático.

Como companheiro é companheiro... muita gente ligada ao governador se aproximou para ajudar na campanha de Eli Borges, mas com o não cumprimento do acordo foram e estão se afastando aos poucos.

O primeiro sinal foi o afastamento da Agência e da Produtora que iniciaram os programas eleitorais e construíram a identidade visual do candidato. Vieira de Melo, que estava colaborando diretamente como estrategista e fazendo essa ponte na campanha, em seu contraturno de trabalho, também se afastou.

O próprio vice-governador, maior articulador de Borges, que entrou de corpo e alma parece que vai deixando somente a alma na campanha. Sua ausência nas reuniões de cúpula e nas caminhadas de Eli são sinais claros de que o Palácio não está nada feliz com a decisão de Eli.

Não bastassem os problemas na esfera política, a campanha de Eli Borges tem mais um incêndio pra apagar. A coordenação geral sob o comando do Tenente Célio não está agradando a maioria dos colaboradores de Eli. Segundo informações, Célio seria o responsável inclusive por um tom mais agressivo no discurso de Eli e tem vendido ao candidato um peixe que não pode pescar.

Ao desagregar o grupo com a imposição de suas ideias, Célio se apresenta como solução para todos os setores da campanha, quer definir da estratégia política ao conteúdo jornalístico, passando é claro pelo controle do jurídico, das pesquisas internas e da contabilidade. Campanha é feita por grupo, distribuindo funções e tudo indica que o Tenente não pensa assim.

Comprovação do pensamento estranho do coordenador é sua insistente posição de não valorizar os candidatos proporcionais. Os vereadores, segundo um dos candidatos, não são prioridade na estratégia da campanha. Tem candidato que recebeu como apoio, até ontem, pouco mais de 1.000 santinhos. Se os vereadores são a linha de frente do candidato, realmente não dá pra entender essa concepção, ou é muito avançada para nosso entendimento ou arcaica demais para nos lembrarmos se já deu certo.

Fato é que Eli tem um nome leve, embora a campanha esteja se tornando pesada em função de sucessivos erros estratégicos. Mesmo assim a campanha está bem avaliada nas ruas e o coloca entre os três primeiros na maioria das pesquisas já publicadas. Sinal de que essa arquitetura construída pelo seu grupo evangélico, somada aos novos apoiadores (Palácio e PTB) surtiu um bom resultado. Avançar ou não está nas mãos do próprio Eli que, na tomada das decisões a partir de agora, irá definir seu destino nessa campanha.

E com certeza, tanto a prefeita Cíntia Ribeiro como a deputada Vanda Monteiro estão atentas e de olho nos próximos capítulos dessa novela.