Distorções na divulgação de dados relativos à ocupação de leitos de UTI em Araguaína preocupa MPE e DPE

  • 31/Jul/2020 17h16
    Atualizado em: 31/Jul/2020 às 17h26).

O relaxamento das medidas de distanciamento social e informações equivocadas que passam falsa sensação de tranquilidade quanto à Covid-19 levaram o Ministério Público do Tocantins (MPTO) e a Defensoria Pública do Tocantins (DPTO) a emitirem, nesta sexta-feira, 31, uma nota de alerta e de esclarecimento à população de Araguaína com relação à taxa de ocupação de leitos de UTI.

A nota é assinada pelos promotores de Justiça Saulo Vinhal e Leonardo Olhe Blanck e pelo defensor público Sandro Ferreira.

Conforme o documento, há distorções da taxa de ocupação dos leitos de UTI decorrentes de falhas na transparência dos dados. A afirmação baseia-se no fato de que os boletins divulgados somam todos os leitos avançados (leitos de estabilização em UPA, leitos pediátricos e leitos privados) para chegar ao cálculo do percentual, quando, na verdade, os percentuais deveriam ser analisados isoladamente, para cada grupo de leito. “Com um número maior de leitos na base de cálculo, há uma distorção da taxa de ocupação, a qual tende a ser menor, produzindo a falsa impressão de tranquilidade”, diz a nota.

Conforme o esclarecimento, os leitos pediátricos não podem ser ocupados por adultos e os leitos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) não deveriam ser considerados no cálculo da oferta, por serem destinados a pacientes transitórios.

Em outro ponto, o documento esclarece que algumas vezes, por questões pontuais, leitos são bloqueados porque não têm condições de tratamento de paciente, mas, ainda assim, constam como leitos abertos e em funcionamento. Para se ter uma ideia, das 17 vagas de UTI exclusivas para os pacientes de Covid-19 no Hospital Regional de Araguaína, apenas 10 estão atualmente em operação e as demais encontram-se bloqueadas por falta de profissionais.

A nota finaliza conclamando a população a se prevenir e a adotar meditas de isolamento social, a fim de que não haja aumento no número de doentes, de pacientes hospitalizados e de mortes no município. “Ainda que estejamos trabalhando para ampliar a disponibilidade de leitos em Araguaína, sem o esforço conjunto de todos não conseguiremos deter a Covid-19 e sofreremos inevitavelmente os seus terríveis reflexos em todo o sistema de saúde – como já estamos sofrendo, aliás”.

A cidade de Araguaína registrou no mês de julho uma média diária de 100 casos de Covid-19 confirmados, maior média do período de pandemia. (Denise Soares)