Decotelli deixa o MEC antes mesmo de tomar posse

  • 30/Jun/2020 18h24
    Atualizado em: 30/Jun/2020 às 18h25).

Carlos Alberto Decotelli deixou o Ministério da Educação antes mesmo de tomar posse. A decisão se deu após a suspeita de plágio em sua dissertação de mestrado e a descoberta de que ele não tinha os títulos de doutor e pós-doutor pelas universidades de Rosário, na Argentina e de Wuppertal, na Alemanha, respectivamente. Ele entregou a carta de demissão ao presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 30.

Decotelli afirmou nessa segunda, 29, a jornalistas que seguia como ministro e que não houve cópia na dissertação. Disse ainda que o doutorado em Rosário não foi concluído, pois a banca o orientou a fazer adequações na tese, mas que por dificuldades financeiras não pôde voltar ao país para concluir o processo. "Fiquei com o diploma de créditos concluídos, posso disponibilizar a vocês", declarou.

Durante o fim de semana, a FGV anunciou que vai apurar a denúncia de plágio na dissertação de mestrado. A faculdade também afirmou que "Decotelli foi professor colaborador dos cursos de pós-graduação lato sensu da FGV. Não tinha vínculo com a FGV", diferentemente do que informava seu currículo.

Decotelli é o terceiro ministro da Educação no governo Bolsonaro. Ele sucede Abraham Weintraub, demitido por ter participado de um ato contra o Supremo Tribunal Federal. “Já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”, disse na época. Ele também é alvo de investigação do STF por ter defendido, em reunião ministerial de 22 de abril, que os ministros da mais importante corte do país fossem presos.

Antes de Weintraub a pasta era comandada por Ricardo Vélez Rodriguez, que em dois meses no comando do MEC demitiu o presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues, pediu que as escolas filmassem os alunos cantando hino nacional e enviassem o vídeo ao ministério, afirmou que universidade não é para todos e disse em entrevista que o brasileiro parece um "canibal" quando viaja ao exterior.