O que há por trás das críticas: preocupação ou oportunismo?

  • 26/Mai/2020 16h51
    Atualizado em: 26/Mai/2020 às 17h07).

*Por Joana Castro

Quando o assunto é covid-19, são inúmeras as notícias sobre aglomerações e o desrespeito ao isolamento social neste período de quarentena. Assim como em vários lugares, no Tocantins não tem sido diferente. Na Capital, com o fechamento dos bares e o corte de energia elétrica dos locais públicos, tem sido comum reunir os amigos em casa para confraternizar. Não bastassem os churrascos aos finais de semana, com a monotonia, iniciaram as aglomerações nas portas das residências. Diante da situação, a prefeita da Capital, Cínthia Ribeiro publicou no dia 15 de maio o Decreto da “Lei Seca”. Mas o documento não proibia apenas o consumo de bebidas alcoólicas em lugares públicos, porém a comercialização pelos supermercados, conveniências ou qualquer estabelecimento varejista.

Como se não bastasse, o Decreto determinava também o fechamento de pontos turísticos, praias e parques de Palmas. O objetivo? Conter a aglomeração e reduzir o índice de covid na Capital. Mas foi exatamente o tal decreto que deu início a uma discussão política em que as redes sociais transformaram-se num palanque virtual. E como em todo palco, há sempre plateia. Que o Decreto é inconstitucional não restam dúvidas, afinal ele infringe os direitos básicos do cidadão. O texto não deixou explícito quanto a liberdade do consumo, mas se você não tem onde comprar fica óbvio a proibição por tabela. De certo modo consigo compreender a análise que levou a prefeita Cinthia Ribeiro a tomar tal decisão, mas ela não foi levado em consideração que além da pandemia estamos em um ano eleitoral e qualquer brecha é um prato cheio! Nos últimos dias não se fala em outra coisa.

A Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa) protocolou uma ação contra o Decreto que foi acatado pela Justiça. Uma liminar derrubou o Decreto da Prefeitura, que recorreu da ação e perdeu em segunda instância. Sem mencionar os pontos apresentados por aqueles que são a favor ou contra a proibição vamos nos ater aos fatos.

O coronavírus é uma doença assintomática que leva até 14 dias para manifestar. Neste período, do contágio até o possível diagnóstico, um indivíduo que não está em isolamento social ou cumprindo as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode contaminar várias pessoas, pessoas saudáveis, mas também aqueles que estão no grupo de risco e apresentam maior vulnerabilidade. Que a classe política utilizou do episódio para promover-se não resta dúvida.

Mas nos últimos dias tenho feito alguns questionamentos. É importante destacar que 80% da população é usuária do sistema público de Saúde. Os hospitais estão preparados caso o fluxo de contaminação aumente? Em ano eleitoral e diante da pandemia um olhar crítico sobre as ações daqueles que desempenham funções eletivas certamente nos ajudará na escolha dos nossos representantes. O que os agentes públicos têm feito num período tão crítico? Claro que o Decreto desagradou a muitos, mas é necessário levar em consideração que se estivéssemos fazendo a nossa parte o Decreto não seria necessário. É preciso substituir por rostos para compreender a gravidade da situação? Quantas vidas ainda iremos perder? Muitas mortes podem ser evitadas se cada um fizer sua parte.

#FicaemCasa!