Os desafios da Educação no processo ensino aprendizagem em meio à pandemia que mudou o mundo

  • 15/Mai/2020 09h24
    Atualizado em: 15/Mai/2020 às 09h30).

O mundo mudou. Não há dúvidas quanto a esta afirmação. Com a pandemia da Covid-19, o novo coronavírus, a sociedade passa, nas últimas semanas, por bruscas transformações. Estamos, diariamente, nos reinventando e adequando-nos às necessidades deste novo cenário. Assim como em todos os setores, na educação não tem sido diferente. Com a suspensão das aulas presenciais, as unidades buscam readequar-se, de modo que possam cumprir as exigências do Ministério da Educação (MEC), que por meio da Medida Provisória nº 934, suspendeu a obrigatoriedade dos 200 dias letivos por ano, desde que as instituições cumpram carga horária mínima anual de 800 horas.

Com a prorrogação divulgada pelo MEC do afastamento escolar e um cenário totalmente indefinido, as escolas, principalmente da rede pública buscam estratégias para a retomada das aulas. O ensino remoto é a principal alternativa. Mas é exatamente neste ponto que iniciam as críticas e aparecem problemas que revelam a desigualdade entre os sistemas.

Vamos nos ater à realidade tocantinense. Apesar de uma juventude superficialmente conectada, as aulas na modalidade Ensino a Distância (EaD) exigem mais que disciplina, responsabilidade e dedicação do aluno que poderá assisti-la quando quiser. A exclusão digital também é um fator, já que nem todos possuem dispositivos como computadores ou celulares e, em alguns municípios o acesso à internet é limitado ou escasso.

Outro ponto que precisa ser destacado: O professor é bem mais do que o canal entre o aluno e o conhecimento, ele é também o suporte para que ele assimile o conteúdo ensinado. Problemas na comunicação com estes professores podem interferir neste processo. Nem todos os alunos possuem em casa um lugar adequado para estudar, pais ou familiares dispostos ou com o conhecimento necessário para auxiliá-los no caso de dúvidas.

E os alunos que têm no Enem a única oportunidade de ingressar numa faculdade? Apesar dos sucessivos apelos dos congressistas e de entidades estudantis pedindo o adiamento do Exame, o ministro da Educação, Abraham Weintraub insiste em manter a data para realização das provas em 1º e 8 de novembro.

A transmissão das videoaulas pela TV Assembleia também foi apresentada como uma ferramenta adicional, mas a emissora não cobre os 139 municípios e apesar de estudantes nas mesmas séries, os conteúdos são de acordo com a realidade da turma. Os profissionais que atuam na educação pública estão preparados para administrar um ensino virtual? Mesmo assim, com o argumento de que o acesso à educação é um direito garantido pela Constituição Federal, a Segunda Relatoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) estabeleceu um prazo de 15 dias para que os gestores da rede pública nos municípios sob sua jurisdição, apresentem o plano de trabalho na modalidade a distância. A Segunda Relatoria abrange 27 municípios na Região do Bico do Papagaio.

Diante de todos estes fatores nos resta apenas o questionamento: Quais parâmetros seriam utilizados para analisar os resultados destas aulas na aprendizagem dos alunos? A preocupação é realmente em garantir um direito ou apenas que o calendário escolar de 2020 termine ainda em 2020? A que custo este direito constitucional deve ser mantido? O direito à educação faz diferença quando esta não atende o seu propósito? Dificilmente, no caso do Tocantins as aulas on-line terão êxito com o aproveitamento adequado.