Conseguiremos preservar vidas e salvar a economia? Executivos do Tocantins e da Capital adotam medidas distintas

  • 15/Abr/2020 16h18
    Atualizado em: 15/Abr/2020 às 16h22).

*Por Joana Castro

Não é necessário sermos especialistas para afirmar que 2020 será um divisor de águas, um período que pós-crise dá início a um mundo novo. Toda mudança exige muita cautela e consciência, principalmente quando elas são associadas a decisões com foco na preservação de vidas. Como vamos encarar o mundo “pós-guerra” depende muito das ações praticadas hoje.

O Decreto Estadual nº 6.072, publicado pelo Governo do Tocantins, com o aval do Comitê de Crise para Prevenção à Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, que flexibiliza a reabertura dos comércios nos municípios tem dado o que falar, principalmente porque a autorização coincidiu com a data do falecimento de Francisca Romana Sousa Chaves, primeiro óbito no Tocantins em decorrência do contágio pelo vírus.

Em outros países, o isolamento vertical se mostrou ineficaz tendo em vista que ele foca apenas nos grupos de risco e dá uma “certa liberdade” a outra parcela da população. O fato é que não há normalidade no cenário que estamos vivendo, mas vamos nos limitar ao Tocantins. Hoje, 90% da população supostamente está apta a voltar à rotina, mas são estes que têm contato com as pessoas dos demais grupos e podem provocar o contágio.

Já temos 28 casos confirmados no Estado, dentre estes aqueles que não viajaram e não tiveram contato com pessoas “contaminadas”. Isso demonstra a ineficácia do mapeamento de contaminação e propagação do vírus. Parece simples, mas é uma situação cautelosa e demonstra que testes feitos apresentam resultados superficiais em que os números podem ser bem maiores. O isolamento vertical abre brecha para ampliar o número de contaminação. O Tocantins está preparado caso haja uma propagação em massa?

É claro que quando falamos em vidas, elas estão associadas a uma série de fatores, dentre eles questões econômicas. Não podemos ignorar os índices de desemprego ou a drástica queda de vendas no comércio nas últimas semanas, o que reduz a arrecadação de impostos. Este é um cenário mundial, não limita-se ao Brasil, tampouco ao Tocantins.

MPE recomenda revisão do Decreto

Diante de tantos questionamentos, órgãos fiscalizadores que atuam no Tocantins solicitaram que o Governo apresente um plano estratégico referente aos testes, quantidade e tempo para obter os resultados; um cronograma de como acontecerá o isolamento vertical; capacidade dos hospitais para absorver adequadamente os pacientes infectados; disponibilização de equipamentos de proteção individual aos profissionais da saúde bem como o número de pessoas disponíveis para atender os pacientes em caso de propagação em massa do vírus.

Os órgãos ministeriais recomendam a revisão do Decreto de flexibilização das medidas de prevenção ou que o Executivo reconsidere o decreto de estado de calamidade pública com a suspensão de atos relacionados à dispensa de licitação. O documento direcionado ao secretário Estadual de Saúde foi assinado por membros do Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho.

Palmas

Responsável por divulgar a primeira morte no Tocantins, a decisão da prefeita Cinthia Ribeiro certamente não agradará a todos, uma vez que a gestora optou em ir na contramão das recomendações do Governo do Tocantins. A prefeita de Palmas tem sido cautelosa e bastante firme na tomada de decisões. Nos últimos dias autorizou a reabertura da feira e das lotéricas. Para os próximos dias está previsto a continuidade dos serviços da construção civil. Cinthia destacou que não é hora para embates, mas o momento requer união. Mostrou que os dados na Capital são mais alarmantes do que os demais municípios e cobrou dos órgãos fiscalizadores um alinhamento nas decisões.

Pressão

Não podemos ignorar a pressão que os gestores têm sofrido neste momento. Seja dos empresários, dos profissionais da saúde, dos órgãos fiscalizadores e pela população em geral. Hoje, qualquer decisão tomada por eles trazem inúmeras consequências. Se elas são positivas ou negativas, o tempo dirá. A pergunta que certamente tem sido feita por todos nós tocantinenses. Como ficaremos quando tudo isso acabar? Sinceramente espero que todos vivos e prontos para recomeçar. A covid-19 não mudou simplesmente a nossa rotina, ela mudou nossas vidas.