Reviravolta: Senadora Kátia Abreu é escolhida coordenadora da bancada tocantinense

  • 12/Mar/2020 07h01
    Atualizado em: 12/Mar/2020 às 07h06).

*Por Joana Castro

Até ontem, tudo indicava que o substituto do deputado Carlos Gaguim (DEM) na coordenação da bancada tocantinense seria o senador Eduardo Gomes (MDB) ou o deputado federal Osires Damaso (PSC), mas em se tratando de política, tudo pode acontecer. Em um artigo publicado nesta terça, 10, após mencionarmos os nomes mais cotados para a função que incluía a deputada professora Dorinha, abordamos a possibilidade de uma surpresa dos congressistas em escolher a pessoa mais improvável.

E foi exatamente o que aconteceu. Na manhã desta quarta, 11, o Portal CT, publicou uma matéria que trazia Kátia Abreu (PP) como coordenadora da bancada. A competência da senadora ninguém questiona, a questão é: como assim? Sim. Kátia foi a escolha da maioria, apesar de tudo parecer consensual.

Segundo o CT, o nome da senadora na disputa foi fruto de uma articulação política dos parlamentares Vicentinho Júnior (PL) e Dorinha Seabra (DEM). Não deu muito trabalho fazermos os cálculos! Vicentinho é opositor declarado. Todos sabem, apesar dos panos quentes e negativas, que a professora Dorinha vem se estranhado com o governador Mauro Carlesse (DEM) há algum tempo.

Ainda no campo da oposição temos a deputada federal Dulce Miranda (MDB). Com um perfil mais discreto, Dulce faz o seu trabalho sem mencionar o Executivo, mas mesmo em silêncio a parlamentar é oposição ao governo. O petista Célio Moura (PT) seria o quarto voto da bancada na senadora Kátia Abreu, até porque a parlamentar foi ministra da Agricultura no governo da presidenta Dilma Rousseff, sempre se posicionou contra o impeachment. Além do mais, Kátia é oposição ao presidente Bolsonaro, ou seja, o voto de Célio Moura era certo.

Nem vamos mencionar o senador Irajá (PSD), filho de Kátia. Pronto, dos onze votos da bancada, se colocado em xeque, Kátia Abreu teria no mínimo seis votos. A vitória era certa! Mas havia o senador Eduardo Gomes, Osires Damaso, Eli Borges (Solidariedade), Carlos Gaguim e Tiago Dimas (Solidariedade). Apesar do bom trânsito do senador Eduardo Gomes, e da empatia do deputado Osires Damaso com os demais colegas, eles eram a aposta do Palácio Araguaia e as relações entre o governador Mauro Carlesse e a bancada tocantinense andam estremecidas.

Articulação

Se a escolha de Kátia Abreu foi articulação de Vicentinho, Dorinha ou da própria parlamentar não vem ao caso, mas é preciso admitir que esta foi uma jogada de mestre. Se estivéssemos em uma disputa de xadrez seria xeque-mate, a dama destruiu o rei do oponente. Mas assim como no xadrez, o jogo não termina necessariamente com o xeque-mate, na maioria das vezes os jogadores desistem da partida se acreditam que irão perder.

Consenso

Diante das evidências, Kátia poderia ainda contar com o voto do deputado Tiago Dimas, que é filho do prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas (Podemos), que também não anda muito amigo do governador.

Ano passado, Dimas chegou a nomear um evento realizado no Palácio Araguaia, com a presença do presidente Jair Bolsonaro e todos os prefeitos do Tocantins, de “protocolo de intenção de empréstimo”, já que os gestores haviam sido convidados para assinatura de um contrato entre o Governo do Tocantins e a Caixa Econômica Federal que beneficiaria os 139 municípios, mas até hoje não aconteceu, o que gerou frustração nos convidados.

Panos quentes

Em uma declaração do senador Eduardo Gomes à Gazeta do Cerrado, o parlamentar diz que saiu da disputa devido às muitas obrigações, uma vez que é líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional. Faz todo sentido, se não corresse nos bastidores o buchicho de que o senador estaria decepcionado com o Governo do Tocantins, já que não deu a devida atenção para a escolha do coordenador e não se propôs a articular com os membros do grupo.

Visita ilustre

Apesar de correr solto a informação de que Kátia Abreu coordenaria a bancada, o martelo foi batido na reunião desta quarta. No encontro, a senadora e o seu filho, senador Irajá, chegaram acompanhados do deputado estadual licenciado Eduardo Siqueira Campos (DEM).

Em uma visita extremamente rápida, o parlamentar cumprimentou os colegas, trocou umas duas palavras e deixou a reunião. Até onde se sabe, Eduardo está filiado ao Democratas, presidido pela deputada Dorinha que também tem como membros, o governador Carlesse e o deputado Carlos Gaguim. Se a ida de Eduardo Siqueira Campos em um dia tão importante sinaliza qualquer acontecimento ainda é cedo para dizer, talvez tenha sido mesmo apenas uma visita de cortesia, mas como em política tudo pode acontecer e coincidências raramente ocorrem...

Dulce Miranda reage

Depois de divulgado oficialmente a escolha da senadora para a coordenação da bancada, a deputada Dulce Miranda resolveu se manifestar. Em nota a parlamentar disse que sempre esteve e estará ao lado dos tocantinenses, mas deixa claro que não assinou o documento que dá a Kátia Abreu a outorga de coordenadora da bancada tocantinense.

O voto de Dulce até poderia mudar um pouco o cenário, mas sabendo que ela é oposição ao governo do Estado, poderia também não assinar o documento caso a escolha fosse Gomes, já que das poucas coisas declaradas pela bancada tocantinense, parece ser consensual o revezamento dos líderes entre Câmara e Senado.

Depois desta reviravolta surpreendente podemos aguardar muito mais, esta foi apenas a primeira partida do jogo que dá início à disputa das eleições municipais.