Desvendando a equação da melhor odontologia do mundo no país de desdentados

  • 27/Fev/2020 09h48
    Atualizado em: 27/Fev/2020 às 09h53).

*Por Adriano Carvalho de Oliveira

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), os dentistas brasileiros estão entre os três melhores do mundo, ao lado de suecos e norte-americanos.

Os melhores dentistas da área de estética estão no Brasil. Somos referência mundial em facetas, laminados, cirurgias gengivais. Nossas fábricas de implantes já superam a qualidade das produções alemãs e norte-americanas. A ortopedia funcional brasileira também está sendo difundida para toda a Europa e Turquia. A especialidade previne que crianças de 7 a 10 anos tenham um inadequado desenvolvimento crânio facial, estimulando o desenvolvimento natural da arcada.

Muitos estudiosos atribuem a evolução dos especialistas brasileiros à necessidade de adaptação das técnicas, mantendo a qualidade, de forma a reduzir os custos para abranger o acesso da população. Mas, até aqui isso não garantiu que a população tenha um sorriso saudável. Para se ter uma ideia, chega a 11% o percentual da população que não tem um único dente na boca, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, cujos dados são de 2013.

É inconcebível que mais de 20 milhões de pessoas de uma nação, em pleno desenvolvimento, sofram com problemas de saúde bucal em um nível máximo. A falta de um único dente é suficiente para interferir negativamente na qualidade de vida como um todo. Falo aqui dos aspectos emocionais (vergonha de conversar e sorrir em público, baixa estima), dos distúrbios alimentares (comprometimento do sistema gastrointestinal, úlceras, prisão de ventre, ganho de peso), problemas de sono e outros. Quanto maior o número de dentes perdidos, maiores serão os problemas. Além disso, a perda óssea que se segue com a perda dos dentes e a falta do estímulo da mastigação afetam a estrutura músculos da face, afetando a harmonia o rosto.

Diante de tantas dicotomias, falta uma articulação maior dos profissionais do setor. Não estou falando aqui daquele corporativismo nocivo. O dentista precisa entender que o seu vizinho não é seu inimigo, e sim seu colega. Quanto mais unidos, mais quebraremos paradigmas. O paciente precisa ter informação para ter poder de escolha.

Muitos deixam de procurar o consultório dentário por acreditar que não conseguirão pagar os tratamentos, mas, como já disse, eles estão cada vez mais acessíveis. Outras evitam os dentistas por temerem a dor nos procedimentos, mas isso é coisa do passado. Na Oral Unic, por exemplo, temos um sistema inovador de sedação consciente, realizado por médico, que mantém a consciência do paciente e os reflexos protetores. O paciente fica tão relaxado que muitas vezes chega a dormir. Há casos em que a pessoa se rende ao fato de ficar sem o dente por acreditar que o processo de implante irá demorar meses, sendo que já temos procedimentos feitos em até 48 horas. Outros pensam que o dentista deve ser procurado apenas quando a insatisfação estética chega ao seu limite. Na verdade, quanto antes buscar ajuda, menos problemas terá que solucionar. Com o tempo, tudo se agrava.

As razões que afastam as pessoas do dentista precisam ser desmistificadas. Afinal, um sorriso saudável está muito além da beleza.

*Adriano Carvalho de Oliveira é especialista em implantodontia e próteses, diretor clínico e responsável técnico da unidade Oral Unic em Palmas.