Liberato Póvoa: Mais uma estrela no céu!

  • 05/Jan/2020 16h01
    Atualizado em: 05/Jan/2020 às 16h06).

*Por Joana Castro

Enquanto nós cristãos celebrávamos o nascimento do menino Jesus, o Tocantins parou diante da notícia, no dia 25 de dezembro, do falecimento do desembargador aposentado José Liberato Costa Póvoa, justamente no período que nos encontrávamos no recesso coletivo que fazemos anualmente. Naquele momento me dei conta que a morte, no qual referíamos, era apenas passagem para um plano superior e que, Liberato, que por muito tempo lutou contra um câncer descansava seu corpo e partia em espírito para morar junto ao Pai. O céu ganhava mais uma estrela.

Falar de Liberato e sua trajetória é algo que emociona. O goiano tocantinense, natural de Dianópolis e membro de família tradicional na região, mudou-se ainda jovem para cursar Direito na Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em concurso público, voltou para o Estado e assumiu, em janeiro de 1988, a função de Juiz, na Comarca de Taguatinga, Norte Goiano. Com a criação do Tocantins foi nomeado, em 1989, Desembargador no Tribunal de Justiça (TJ).

Era o início de uma brilhante trajetória profissional, cheia de desafios e muitas conquistas. Naquele período enquanto Presidente do TJ, assumiu a responsabilidade de instalar as comarcas e realizar o primeiro concurso para a magistratura no Estado recém-criado. Sua vida acadêmica não parou na graduação, especializou-se em várias áreas do Direito, fez doutorado.

Assumiu a função de governador do Tocantins e nos seus primeiros anos de trabalho dedicado à magistratura teve publicadas, mais de 15 obras de cunho jurídico. Contribuiu com a fundação da Academia Tocantinense de Letras e tornou-se o primeiro presidente da Instituição. Foi fundador da Escola Superior de Magistratura, e compartilhou o seu conhecimento, na função de professor pela Unitins.

Mas na sua vida, nem tudo foram flores. Foi perseguido, e mesmo sem comprovação diante das denúncias foi afastado das funções no Tribunal de Justiça, e para proteger sua família das maledicências, mudou-se para Goiânia. Após alguns anos, já aposentado por tempo de serviço, quebrou o silêncio, mencionou nomes e detalhou os prejuízos causados a ele e toda a família.

Em 1990 teve a sua primeira obra literária publicada e não parou mais. Jornalista e crítico literário com mais de 1000 artigos publicados na imprensa do País. Durante muito tempo contribuiu, voluntariamente, com O Jornal (impresso), enriquecendo o caderno de cultura com seus contos e causos. Na modalidade on-line do veículo, sempre contribuiu com artigos de opinião.

Liberato escrevia sobre qualquer coisa. De forma simples e poética nos desafiava a pensar. Ao contar os causos da sua vida na então São José do Duro, evidenciava a cultura e, automaticamente nos levava a vivenciar aquela época com saudosismo. Apesar do extenso currículo, nunca se gabou do conhecimento ou títulos que possuía. Liberato não falava sobre humildade, mas ensinou na prática, no trato àqueles que tiveram a oportunidade em estar em sua presença. Hoje, não há palavras para manifestar a gratidão que sinto por ser uma das agraciadas em seu convívio. Você partiu, mas deixou um legado, um legado de amor e sabedoria.