Natividade comemora 32 anos de tombamento com lançamento de livro e exposição cultural

  • 14/Out/2019 15h56
    Atualizado em: 14/Out/2019 às 15h59).
Natividade comemora 32 anos de tombamento com lançamento de livro e exposição cultural Foto: Divulgação

Os Filigraneiros de Natividade, Tocantins: Patrimônio Imaterial, Identidade e Turismo, obra do professor Wátila Misla Fernandes Bonfim, contou com apoio de empresários de Natividade e o lançamento é uma iniciativa da ASCCUNA – Associação Comunitária Cultural de Natividade. O evento acontece na quarta-feira, 16, data que Natividade comemora 32 anos de tombamento como patrimônio histórico nacional, na Câmara Municipal da cidade, às 18h.

A cidade de Natividade, localizada no Sudeste do Tocantins, foi a primeira localidade tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no estado. Guarda nas suas ruas, praças e becos vestígios dos séculos XVIII e XIX. Um deles, e que codifica a cidade, considerada um patrimônio imaterial por seus moradores é a secular fabricação de joias utilizando a técnica da filigrana, que consiste puxar e trançar fios de ouro ou prata, acrescidos de pequenos grãos.

Segundo o escritor, no caminhar desta pesquisa, foi possível observar que a tradição de se confeccionar joias em ouro e prata na cidade, pelas mãos dos mestres-ourives locais acontece há várias gerações e permanece viva, sendo o modo de fazer repassado a aprendizes em três oficinas artesanais. Ao mergulhar na investigação, descobriu-se que as joias mais antigas têm ligação com a cultura local, sobretudo o sentido religioso. Percebeu-se que as festas religiosas de Nossa Senhora da Natividade e do Divino Espírito Santo são as épocas do ano que os nativitanos mais se adornam. No que diz respeito ao turismo, ficou descortinada a tendência a visitação às ourivesarias por parte de visitantes que valorizam o turismo cultural. Tal fato mobiliza a economia da cidade e atrai dividendos. Embora gere recursos para o município e seja uma fonte de renda para várias famílias, as oficinas ainda necessitam de maior apoio e incentivo por parte dos poderes públicos.

Desta forma, o objetivo principal deste trabalho foi investigar como a as joias tradicionais e/ou filigranadas de Natividade marcam a relação da sociedade com o lugar, dinamizando as relações sociais e econômicas das pessoas. A pesquisa está inserida na perspectiva da geografia cultural e teve como principais conceitos abordados: patrimônio, identidade, turismo e o lugar. No que se refere à metodologia, a pesquisa foi realizada através da abordagem qualitativa bola de neve, ou seja, os entrevistados eram indicados pelos anteriores. Teve como principais técnicas utilizadas a pesquisa bibliográfica e de campo. Foram entrevistados no total 44 pessoas, entre ourives, ex-ourives, aprendizes, moradores e sujeitos ligados ao turismo local. Para análise dos dados utilizou-se fontes bibliográficas e orais.

Fez-se uso também da pesquisa documental. Percebeu-se que passado e presente continuam entrelaçados como tênues fios que dão origem as peças em filigrana, e que essa manifestação artística, além simbolizar, também fortalece o espaço em que está inserido.

Também faz parte das comemorações do aniversário de tombamento, uma exposição cultural, e para encerrar o evento será servida uma típica mesa nativitana, com café, bolos e licores tradicionais da cidade.