Uma historinha que ajuda a entender algumas coisas

  • 09/Jul/2019 09h58
    Atualizado em: 09/Jul/2019 às 10h00).
Uma historinha que ajuda a entender algumas coisas Foto: Divulgação

Sabe-se que este nosso Brasil é um saco-de-gatos, onde os rabos de políticos e autoridades vivem entrelaçados, que não permitem apurar as irregularidades.

Vemos coisas que ocorreram e que nos deixam sem explicação. Mas só para que o leitor tenha uma pálida ideia, aqui vai só uma parte que – digamos – está visível.

Paulo Bernardo, ex-ministro das Comunicações (aquele que surrupiou os consignados da Caixa fazendo a ponte entre o Ministério do Planejamento e a empresa Consist), é marido da deputada Gleisi Hoffmann, ex-Chefe da Casa Civil de Dilma. Foi o primeiro ex-ministro do governo Dilma a ser preso. Paradoxalmente, a empresa Consist foi contratada para “evitar fraudes nos empréstimos consignados”.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência da República de Dilma, é irmão de Miriam Belchior, ex-ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão também da equipe de Dilma.

Essa Miriam Belchior já foi casada com Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, que morreu assassinado de forma misteriosa, depois de submetido a torturas, fato atribuído a suas denúncias de propinas de empresas de ônibus que favoreciam o Partido dos Trabalhadores.
Depois de sua misteriosa morte, vários personagens ligados ao crime viria a morrer.

Não custa relembrar esses mortos, todos ligados à morte do ex-prefeito:

1 - Antônio Palácio de Oliveira, morto em fevereiro de 2003: - o garçom do restaurante “Rubaiyat” que atendeu Celso Daniel e Sombra em jantar pouco antes do sequestro. Morreu em um acidente de moto perseguido por vários homens.

2 - Paulo Henrique da Rocha Brito, morto em março de 2003 - testemunhou à cena do acidente e acionou o serviço de resgate. A polícia não pôde ouvir seu depoimento, pois vinte dias depois a única testemunha seria morta no mesmo lugar com um tiro nas costas. A suspeita de sua morte recaiu sobre dois menores, conforme conclusão policial.
3 - Iran Moraes Rédua, assassinado em dezembro de 2003:- era funcionário da empresa Serviço Funerário da Serra, e foi responsável pelo recolhimento do corpo de Celso Daniel. Foi o primeiro a reconhecer o rosto do político. Iran seria assassinado no dia 23 de dezembro de 2003.

4 - Dionízio de Aquino Severo, assassinado em abril de 2002 - Dionízio seria o suposto elo entre a quadrilha e Sombra. As circunstâncias de sua morte foram bastante atípicas. Aílton Freitas, um dos presos que fugiram com ele, disse em depoimento que Dionísio havia sido resgatado para cumprir a tarefa de "queima de arquivo" de um "peixe grande" e que o empresário Sérgio Gomes da Silva, o "Sombra", seria o mandante do crime.

5 - Manuel Sérgio Estevam, o Sérgio Orelha, assassinado em 2002 - amigo de Dionízio, com quem dividira uma cela na Penitenciária de Avaré. Sérgio deu guarida a Dionízio em seu apartamento logo após este fugir da prisão. Orelha seria assassinado em setembro de 2002.

6 - Otávio Mercier: - investigador que ligou para Severo na véspera do crime. Morto em julho de 2003.

7 - Carlos Delmonte Printes – era o médico legista que emitiu o laudo identificando sinais de tortura no corpo de Celso Daniel; foi encontrado morto em seu escritório, em outubro de 2005. A Polícia Civil concluiu que o médico cometeu suicídio por causa do fim de seu casamento, ingerindo um coquetel de medicamentos.

Se alguém sabia, e não contou pra ninguém, saiba agora: que a doutora Elizabete Sato, delegada da Divisão de Homicídios, que sempre está prestigiando o programa “Cidade Alerta”, da Band, conduzido pelo repórter José Luiz Datena, que foi escalada para investigar o processo sobre o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, é tia de Marcelo Sato, que é marido da Lurian da Silva, que, apenas por coincidência, é filha do ex-presidente Luiz Inácio Lula Da Silva.

Exatamente: Marcelo Sato, o genro do ex-presidente da República, é sobrinho da delegada Elizabete Sato, titular do 78º DP, que demorou séculos para concluir que o caso Celso Daniel foi um "crime comum", sem motivação política, apesar de todas as evidências a indicarem exatamente razões políticas.

Também, apenas por coincidência, Marcelo Sato é dono de uma empresa de assessoria que prestava serviços ao BESC – Banco do Estado de Santa Catarina (federalizado), no qual é dirigente Jorge Lorenzetti (churrasqueiro oficial do ex-presidente Lula e um dos petistas envolvidos no escândalo da compra de dossiês). E ainda, por outra incrível coincidência, o marido da ex-senadora Ideli Salvatti (PT-SC), Jefferson Figueiredo é o presidente do BESC.

Querem mais? É só pesquisar, que vão achar outros ninhos infestados de abutres que Bolsonaro vai ter trabalho para desfazer.

*Por Liberato Póvoa - Desembargador aposentado, Membro-fundador da Academia Tocantinense de Letras e da Academia Dianopolina de Letras, Membro da Associação Goiana de Imprens - AGI - escritor, jurista, historiador e advogado. e-mail: liberatopovoa@uol.com.br