Dos prefeitos de Palmas, apenas Fenelon tem digital tocantinense

  • 20/Mai/2019 10h47
    Atualizado em: 20/Mai/2019 às 10h52).
Dos prefeitos de Palmas, apenas Fenelon tem digital tocantinense Foto: Divulgação

A mais caçula das capitais brasileiras completa, neste 20 de maio, 30 anos de fundação com um registro histórico curioso, ou seja, dos sete prefeitos que administraram Palmas, considerando que Cínthia Ribeiro, mesmo não sendo eleita diretamente, vai governar a cidade com 68.75% do tempo de mandato, portanto, inserida entre os governantes palmenses, apenas Fenelon Barbosa traz, no registro de identificação, nascimento em território do antigo Norte goiano, hoje Tocantins. A propósito, o artigo não tem o fito de tratar de forma desigual quem não tem nascimento tocantinense, pois, no decorrer do texto, será fácil verificar que todos possuem vínculos e relações fortes com Palmas e o Estado, além da contribuição que deram para que Palmas fosse referência nacional em muitos índices positivos. E a premissa dos que lutaram pela criação do Tocantins, é bom que se diga, foi a de ter um Tocantins para todos. Por outro lado, e apenas para constar nos acervos históricos, já noticiamos neste veículo em uma outra edição, que o Tocantins, desde o período da sua criação, isto é, de também 30 anos, jamais elegeu um governador de nascimento tocantinense.

Fenelon, Eduardo e momentos duros da implantação

Fenelon Barbosa Sales
é natural de Pedro Afonso, mas sempre teve seus laços comerciais e familiares umbilicalmente ligados à região de Porto Nacional. A ele coube a elevada e dura missão de dar os primeiros dias de vida a Palmas. Afinal, para que Palmas pudesse ser Capital do Estado, Fenelon abdicou da gestão que realizava no então município de Taquaruçu e assumiu os desafios de implantar Palmas, junto com o governador Siqueira Campos, que, num ato de maestria política, operou aquele inacreditável traslado. No entanto, coube a Fenelon, sem dúvida alguma, a tarefa mais espinhosa de um governante, qual seja, começar uma capital do zero, iniciar as obras estruturantes, receber e agasalhar milhares de famílias vindas de todos os recantos do país, e mais: só poder governar com 24.6% do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), o restante desses recursos eram geridos pela Codetins (Companhia de Desenvolvimento do Tocantins). A rigor, um fato inconcebível para os padrões de hoje, um gestor não poder administrar suas verbas de fato e de direito. Contudo, apesar de algemado financeiramente, Fenelon deixou um legado de obras até hoje reconhecido pelos palmenses.

José Eduardo Siqueira Campos é de Campinas (SP), porém a sua chegada ainda criança em Colinas, na década de 60, junto com seus pais, o ex-governador Siqueira Campos e a ex-primeira-dama, Dona Aureny Siqueira Campos, faz dele um filho tocantinense com todas as credenciais. A fase da sua gestão foi marcada por bastantes obras, com destaque na urbanização de ruas, avenidas e quadras, obras de grande porte, como, por exemplo, construção de escolas, unidades de saúde e a construção do Ginásio Ayrton Senna e do Espaço Cultural.

Odir e Nilmar governaram em períodos melhores

Manoel Odir Rocha é mineiro de Araguari, com chegada no antigo Norte goiano no início dos anos 70. Foi prefeito em Colinas e tem até hoje a sua gestão enaltecida pelos colinenses. No entanto, a fase mais brilhante da sua carreira política aconteceu quando se candidatou em 96 e se elegeu prefeito de Palmas. O seu período administrativo foi de (1997 a 2000). A sua gestão teve como marca grandes programas sociais, a exemplo do CEACAP (Centro de Atendimento a Criança), o qual amparou centenas de crianças de rua. Foi no seu governo que a Saúde do município foi estruturada e organizada para atender uma população sempre em crescimento acima da média. Deixou, por sua vez, um legado de retidão e probidade no trato com a coisa púlbica. Ademais, o Parque Cesamar, local de lazer e diversão do palmense tem a placa que leva o nome desse gestor.

Nilmar Gavino Ruiz governou Palmas de (2001 a 2004). Natural da cidade do Rio de Janeiro, chegou a Palmas no nascer dos anos 90, fazendo do Tocantins o seu berço nativo. A sua gestão é até hoje considerada de muita inovação. Era aclamada de “prefeita comunitária” pelos laços que mantinha com as entidades de moradores. Dentre as obras de destaque, implantou os Shoppings da Cidadania, o ecoturismo com polo em Taquaruçu, o turismo de eventos, como o Carnaval fora de época, transporte gratuito aos domingos, além da instalação das praias da Graciosa, Prata e das Arnos. No último ano do seu governo, as pesquisas apontavam sua gestão com cerca de 70% de aprovação, mas não se reelegeu.

Raul e Amastha de perfis administrativo diferentes

Raul de Jesus Lustosa Filho
possui sua naturalização da cidade de Gilbués (PI), muito embora quando tinha cinco meses de vida seus pais se instalaram em Araguaçu, antigo nortão goiano, onde foi prefeito e, a partir daí, floresceu uma caminhada política de sucesso, elegendo-se deputado por dois mandatos e duas vezes prefeito de Palmas (2005 a 2012). Sendo assim, sua afinidade é estritamente tocantinense. Pois bem, como prefeito nenhum gestor o superou no quesito educacional, implantando as Escolas de Tempo Integral e modelos educacionais premiados por entidades e órgãos ligados ao setor. Por outro lado, o setor habitacional teve bastante relevância, com a construção de quase 10 mil unidades habitacionais. Um feito proeminente. Outro setor vital de uma gestão, a Saúde, por exemplo, recebeu muitos investimentos e a população pôde contar com uma medicina inovadora, democrática e de qualidade. Fato comprovado em pesquisas.

Carlos Enrique Franco Amastha é colombiano de Barranquilha, com naturalização brasileira. De todos, é o único que não possui uma identificação cultural e de nacionalidade com o tocantinense. Como gestor (2013 a 04/2017), soube usar bem as técnicas de marketing governamental a fim de persuadir os governados acerca das suas ações. Tem méritos reconhecidos pelos serviços de limpeza urbana executados em Palmas. As festividades, principalmente as de finais de ano, ganharam tons diferenciados no seu período de governo. Entretanto, vai custar extinguir da mente do palmense a política de arrocho fiscal efetuada pela sua gestão.

Cinthia Alves Caetano Ribeiro é goiana de Anápolis. Com a renúncia de Carlos Amastha para disputar o governo tocantinsense, em 2018, Cinthia Ribeiro assumiu o Paço Municipal em abril do mesmo ano. A identificação de Cinthia com o Tocantins não é de agora, vem dos tempos do senador João Ribeiro, político de enorme expressão, sem dúvida o maior do estado antes da ocasião da sua morte. A prefeita, segundo consta, não pôde ainda governar como deseja, visto que encontrou uma prefeitura de terra arrasada no ano passado, com um orçamento estourado já antes mesmo da metade do ano. A gestora tem praticamente 2019 para imprimir um ritmo administrativo de obras e bons programas que venha convencer o palmense da sua capacidade de continuar no Paço por mais um mandato.

Finalmente, o que se espera do próximo prefeito de Palmas, seja ele tocantinense ou não, é que possua visão e experiência administrativa, proativo e democrático, zelo e respeito com os negócios públicos, compromisso inarredável com o melhoramento de áreas vitais como saúde, educação, habitação, saneamento, infraestrutura urbana, industrialização dos parques para a geração de emprego e renda, além do acolhimento das pessoas de baixa renda em programas sociais alternativos e não os eleitoreiros.