Há 30 anos...

  • 19/Mai/2019 09h08
    Atualizado em: 19/Mai/2019 às 09h11).
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20 de maio de 1989, uma data histórica para Palmas. Dia que os sonhos de se erguer uma nova e planejada cidade começavam a se materializar. Tratores rasgando o cerrado davam contornos a um ousado, futurista e louco (até então) projeto. Construir uma capital moderna para todos os tocantinenses, uma cidade acolhedora para todos os brasileiros.

No lançamento da Pedra Fundamental, muitos que ali estavam não acreditavam, alguns até debochavam e outros nem sabiam do que se tratava (só seguiam o fluxo). Tinha gente, inclusive da ‘’cozinha” do governador Siqueira Campos, que torcia para que ele abortasse a “missão”. Afinal uma boa e simples leitura política naquele momento deixava claro que a queda de braço entre se criar uma nova capital e escolher uma cidade já existente já estava perdida (pelos interesses regionais).

Entre o dia 20 de maio de 1989 e o dia 1º de janeiro de 1990, data da instalação oficial da Capital, muita água passou debaixo das pontes que separavam dois lados que se digladiavam no projeto Palmas. Analisando hoje, 30 anos depois, podemos retirar o véu e contar a história.

A verdade é que a maioria absoluta dos líderes políticos do novo Estado não queria uma nova capital. Com a pressão natural de Araguaína, Gurupi, Porto e Miracema – os municípios com maior população e densidade eleitoral – os deputados estaduais ficaram na berlinda. A decisão era difícil. Acompanhar o governador Siqueira - no que para muitos era uma aventura - ou agradar aos eleitores tocantinenses defendendo uma das cidades que lutavam pela capital? Os parlamentares ficaram na famosa “sinuca de bico”.

Araguaína, cidade com maior potencial (até hoje), nutria naturalmente esperanças de abrigar a capital do novo estado, pelo peso econômico e pela força política.
Gurupi, posicionada como segundo maior polo econômico, seguia a mesma linha e apostava na articulação de seus representantes e computava apoio do Sudeste.

Porto Nacional, berço histórico do norte goiano, foi fundamental nas lutas emancipacionistas e também se credenciava pelo peso de sua representação nas esferas política e cultural.

E é claro, Miracema, que afinal abrigou os poderes do novo estado na condição provisória, de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 1989. O prefeito Sebastião Borba articulou politicamente e estruturou da melhor forma possível a pacata Miracema, mas a ideia de implantar uma nova cidade à margem direita do Rio Tocantins falou mais alto, e até o presidente da Assembleia, Raimundo Boi (representante de Miracema), não teve escolha. Boi, inclusive, pagou um preço alto politicamente (nos primeiros anos) por defender a nova capital.

Siqueira travou uma luta interna, silenciosa, no seu grupo político para assegurar que alguns companheiros, como Raimundo Boi, Antônio Jorge, Lindolfo Campelo, Luiz Tolentino e tantos outros enfrentassem o desgaste de dizer sim a um sonho e não à vontade da maioria absoluta da população tocantinense (à época). Convenceu o prefeito Fenelon e os vereadores da recém emancipada Taquarussu do Porto, já no apagar das luzes do ano de 1989. E por fim enfrentou de frente a população das cidades descontentes, uma conta que seria cobrada logo nas eleições de 90.

Foi no dia 18 de dezembro de 1989, que a Câmara Municipal de Taquarussu do Porto, através da resolução 001/89 finalizava o primeiro capítulo dessa saga.

“A CONSTITUINTE DO MUNICÍPIO DE TAQUARUSSU DO PORTO DECRETA E EU PROMULGO A SEGUINTE RESOLUÇÃO:
Art. 1º É transferida a sede do Município de Taquarussu do Porto para a localidade de Palmas.
.....
Tarcísio Machado da Fonseca – PFL ( Presidente), Valdir Pereira da Silva – PFL (Vice-presidente), Euclides Correia Costa – PFL (1º Secretário), Afonso Vieira Ramalho – PDC (2º Secretário), Antônio Pereira de Sá – PFL, Mario Benício dos Santos – PMDB, Gilberto Gomes da Silva – PMDB, Hudson Terêncio de Souza – PMDB, Pedro da Silva Alencar - PMDB”.

Ao relatar um pedacinho da nossa história e transcrever parte do texto da Resolução que deu legitimidade à instalação oficial da nossa Capital, assinado pelos nobres vereadores constituintes e sancionado pelo prefeito Fenelon Barbosa Sales, rendo aqui minhas homenagens e de toda a equipe de O Jornal aos pioneiros de Palmas. Parabéns pelos 30 anos de luta, suor e conquistas. Palmas, o Brasil inteiro está aqui!