Jornalista Antônio Oliveira lança novo livro. “O Homem Abílio Wolney” é a releitura da saga do Cel. Abílio Wolney

  • 23/Mar/2019 16h24
    Atualizado em: 23/Mar/2019 às 16h28).
Jornalista Antônio Oliveira lança novo livro. “O Homem Abílio Wolney” é a releitura da saga do Cel. Abílio Wolney Foto:

Antigo nordeste goiano, hoje sudeste do Tocantins, vila de São Jose do D’ouro (ou Duro), hoje Dianópolis. Lugarejo pacato, onde predominavam quatro principais famílias: os Póvoa, os Wolney, os Rodrigues e os Costa. Entre elas um jovem se destacava por sua liderança política que extrapolava as fronteiras daquela microrregião goiana e ia até o oeste da Bahia: Abílio Wolney, uma liderança que ameaçava a oligarquia dos Caiado, poderosa em Villa Boa (hoje Cidade de Goiás), então capital de Goiás, que tinha na principal cadeira deste Estado, Antônio Ramos Caiado, o “Totó Caiado”.

Essa oposição de Caiado a Wolney tinha suas ramificações na Vila do Duro por meio de altos funcionários públicos, como um Juiz de Direito e um Cartorário. A ordem era destruir a crescente liderança política de Abílio Wolney, filho de um dos homens mais ricos daquela região, senhor de milhares de cabeças de gado e vastas extensões de terra, Joaquim Wolney.

Esta oportunidade surgiu, segundo se evidencia no desenrolar dos fatos, a partir de um desencontro entre o cartorário Sebastião de Brito e Abílio Wolney – dois primos -, este era advogado de uma viúva que tinha processo de inventário tramitando no cartório da Vila. Esse inventário foi o estopim para que os dois parentes se desentendessem. Esse desentendimento foi o que Totó Caiado tanto queria para destruir Abílio Wolney: enviou para o pequeno vilarejo uma tropa de mais ou menos 50 soldados, mal preparados e equipados, comandados por um Juiz sedento de poder e na expectativa que sua missão lhe daria isto.

O resultado foi o assassinato covarde de Joaquim Wolney por traiçoeiros soldados, após “um acordo de cavalheiros” entre os Wolney e o juiz Celso Calmon, o comandante da tropa militar e de mais alguns jagunços arrebanhados para engrossar as fileiras do Estado; a fuga de Abílio Wolney, que escapando de balas assassinas oficiais, fugiu para Bahia e Alagoas onde contratou um batalhão de jagunços para tomar sua terra das mãos da tropa de Caiado. O resultado foi a chacina de nove filhos da terra, tomados como reféns e presos a um tronco.

Este episódio da história do antigo norte goiano que repercutiu em todo o Brasil, por meio de grandes jornais do Rio de Janeiro, antiga capital brasileira, ficou conhecido como “A Chacina dos Nove”, ou “A Noite do Barulho.

O fato ganhou ainda mais notoriedade quando caiu nas páginas de livros, principalmente do autor goiano, Bernardo Elis, que o romanceou, em 1956 – de forma deturpada, diga-se -, sob o título de “O Tronco” e que ganhou as telas de cinema em 1999.

Elis foi seguido por vários outros autores que descreveram a Chacina, como o professor Osvaldo Rodrigues Póvoa, descendente de uma das vítimas da tragédia, que escreveu e publicou “Quinta-Feira Sangrenta”; outros biografaram o Cel. Abílio Wolney ficando sempre a pergunta: “bandido ou mocinho”.

O Jornalista Antônio Oliveira, filho natural de Dianópolis, mas criado em Barreiras no oeste da Bahia até aos 7 anos de idade, e até sua juventude em Goiânia, foi o primeiro profissional de imprensa a escrever um artigo de uma página de jornal stander contestando Bernardo Elis, no que encontrou resistência de editores de cultura de dois grandes jornais goianos, até que foi publicado por um deles, por ordem de seu dono e editor geral. Depois disto, outros artigos, com este tema, da lavra de Oliveira, foram para as rotativas dos jornais de Goiás e Tocantins.

Dos artigos, Antônio Oliveira foi tentado a reescrever esta história, após a leitura de quase uma dezena de livros sobre Wolney e a “Chacina” e ouvir a família Wolney e importante historiadora em Barreiras, Ignez Pitta.

O livro, com 228 páginas, da Cerrado Editora, fundada e dirigida pelo autor, terá noites de autógrafos no dia 12 de abril, na Câmara Municipal de Barreiras e dia 24 do mesmo mês na Assembléia Legislativa do Tocantins.

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