Hemocentro fornece sangue para 68 hospitais no Tocantins e precisa de doações

  • 22/Mar/2019 14h45
    Atualizado em: 22/Mar/2019 às 14h49).
Hemocentro fornece sangue para 68 hospitais no Tocantins e precisa de doações Foto: Frederick Borges/Governo do Tocantins

A demanda por sangue na Hemorrede Tocantins é alta e a coleta de bolsas de sangue precisa atender 68 hospitais do estado, dos quais 23 deles são unidades privadas. “O Hemocentro é o responsável pelo fornecimento dos hemocomponentes a todos os hospitais públicos, sendo 2.532 leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), e também aos privados, sendo 690 leitos não SUS”, informou a superintendente da Hemorrede do Tocantins, Pollyana Gomes.

A Hemorrede realiza 100% do serviço de coleta de bolsas de sangue no Tocantins. Conforme Pollyana Gomes, cada bolsa coletada pode salvar até quatro vidas. “A Hemorrede conta com 163.360 doadores cadastrados desde sua implantação, porém no período de um ano, comparando março de 2018 até março de 2019, 13.464 doaram apenas uma vez; 3.309 doaram duas vezes; e 1.174 doadores doaram três vezes ou mais”, disse.

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a recomendação é que 1 a 3% da população seja doadora de sangue, mas também recomenda que cada região avalie qual a melhor taxa para dar conta das demandas locais.

“No Brasil, a taxa de doação de sangue fica em torno de 1,6 a 1,8% da população doadora. No Tocantins, em 2018, a taxa de doação foi de 1,52%, levando em consideração que a população é de 1.555.229 habitantes segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), totalizando 23.657 doações, em 2018. Embora o percentual esteja dentro dos parâmetros preconizados pela OMS, o Ministério da Saúde e o Governo do Tocantins têm se esforçado para aumentar esta taxa a fim de garantir a autossuficiência no abastecimento de sangue”, disse Pollyana.

Doação

Projetos de Lei tramitam para ampliar o público que pode se tornar doador de sangue. Atualmente, duas normas vetam a doação de sangue por homens que tenham feito sexo com outros homens, uma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) - RDC Nº 43/2014 - e outra do Ministério da Saúde (Portaria Nº 158/2016). Elas permitem a doação apenas 12 meses após o último ato sexual do tipo.

 De acordo com a legislação em vigor, servidores públicos que doam sangue tem um dia de folga para recuperação. Já na iniciativa privada, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) diz que o empregado obterá um dia de folga a cada doze meses de trabalho, em caso de doação voluntária de sangue devidamente comprovada.

Ao procurar o Hemocentro para fazer a doação é oferecida para a pessoa a possibilidade de hidratação oral antes e depois da coleta. “Na Hemorrede, o lanche pré e pós-doação é padrão em todas as unidades no estado. O lanche pré-doação é oferecido para iniciar a hidratação oral e quebrar o jejum, às vezes prolongado, antes da doação. Na pós-doação, o principal objetivo é repor o volume hídrico retirado durante o processo”, explicou Pollyana.

Triagem

No ato da doação de sangue são realizados exames de triagem sorológica para qualificação do sangue do doador em todas as bolsas coletadas, sendo obrigatória a realização de exames laboratoriais de alta sensibilidade a cada doação, para detecção de marcadores para as seguintes infecções transmissíveis pelo sangue durante as transfusões: sífilis, doença de Chagas, hepatite B, hepatite C, AIDS; e HTLV I/II.

De acordo com a superintendente da Hemorrede do Tocantins, os exames são realizados para triagem, porém podem ser disponibilizados para os doadores. “A pessoa tem acesso aos exames porque trata-se de um sangue dela. Os resultados de soro Não Reagentes [doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV, sífilis, entre outras] podem ser disponibilizados via e-mail ao doador, para isso ele precisa fazer a solicitação e realizar o cadastro na recepção do Hemocentro. Os demais exames são disponibilizados em um prazo de 30 dias”, disse.

Pollyana alertou também para as pessoas que querem doar, mas que foram infectadas recentemente pelo mosquito Aedes aegypti. “As pessoas que tiveram dengue não hemorrágica devem aguardar o período de um mês para fazer a doação. Já os casos que envolvem dengue hemorrágica o período de inaptidão é de seis meses após a cura, desde que não tenha recebido transfusão”, explicou.

A superintendente falou ainda sobre os casos de chikungunya e zika. “Quem teve chikungunya, a restrição é de 30 dias após a cura completa. Em relação à zika, a restrição também é de 30 dias. Agora, para quem esteve em região com transmissão sustentada do vírus, a inaptidão é por 30 dias após a saída desses locais”, concluiu.

Perfil

Entre as exigências para doação de sangue está a apresentação de um documento de identidade com foto e a realização de um cadastro. Doadores precisam ter entre 18 e 67 anos de idade e pesar no mínimo 50 quilos. Além disso, é necessário responder a um questionário e passar por uma triagem clínica.

Homens podem doar sangue a cada 60 dias, em um limite de até quatro doações por ano. Já as mulheres podem doar a cada 90 dias, sendo o limite de três vezes por ano. Uma pessoa adulta tem, em média, cinco litros de sangue. Em cada doação, o máximo de sangue retirado é de 450 ml.

Estão temporariamente impedido de doar sangue pessoas que passaram por resfriado (até o desaparecimento dos sintomas); gravidez - 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana; amamentação (se o parto acorreu há menos de 12 meses); fizeram ingestão de bebida alcoólica nas ultimas 12 horas que antecedem a doação; ou tatuagem nos últimos 12 meses; possuíram comportamento de risco para doenças transmissíveis (aguardar 12 meses); ou estão em uso de medicação.

Não podem doar sangue pessoas que tem ou tiveram um teste positivo para HIV; hepatite após os 11 anos de idade; doença de chagas; algum tipo de câncer, incluindo leucemia; graves problemas no pulmão, coração, rins ou fígado; e problema de coagulação de sangue.

Também estão na lista pessoas que tem diabetes em uso de medicamentos; tuberculose extra-pulmonar; elefantíase (filariose); hanseníase ou calazar (leishmaniose visceral); recebeu transplante de córnea ou implante de material biológico à base de dura-máter; tem alguma doença que gere inimputabilidade jurídica; foi submetido a gastrectomia total, à pneumectomia, à esplenectomia não decorrente de trauma, ou a transplante de órgãos ou de medula. 

Governo do Tocantins