Curiosidades da toponímia tocantinense

  • 07/Jan/2019 15h15
    Atualizado em: 07/Jan/2019 às 15h18).
Curiosidades da toponímia tocantinense Foto: Divulgação

O Tocantins guarda muitas histórias e curiosidades, que o próprio tocantinense desconhece.

O nome “Tocantins”, para uns pesquisadores, significa “nariz de tucano”, que designava uma tribo da região cujos compo¬nentes possuíam o nariz comprido; para outros, deve-se ao fato de viver na região deste grande rio a valente tribo dos ín¬dios Tocantins, que teriam dado nome ao rio.

Lendo a sua história, ora os historiadores falam em “Capitania”, ora em “Província”. Os termos “Capitania” e “Província“ são sinônimos: Capitania era utilizado antes da Independência, e Província, depois de 1822. A denominação Capitania se deve ao fato de serem governadas por capitães-generais, que Siqueira Campos tanto evocava na sua campanha pela criação do Estado. Com os primeiros movimentos pela independência, a denominação de Província, governada por um Presidente, surgiu, fir¬mando-se após 1922. Mas os historiadores empregam ambos indistintamente, o que, tecnicamente é errado.

Com a criação do Estado, desmembrado de Goiás, todas as cidades que tinham a expressão “do Norte”, passaram a ser “do Tocantins”: Miracema, Paraíso, Colinas, Conceição, Aurora etc, de sorte que, somadas às criadas após a criação, dos 139 municípios, 46 tem “do Tocantins” no nome.

Para satisfazer à curiosidade de muitos tocantinenses, que nasceram há menos de trinta anos, vale informar os nomes antigos de algumas de suas cidades:

Ananás teve o antigo nome de “Chiqueirão”.

Araguaçu chamou-se “Matinha” e “Serra de São Clemente”.

Araguacema também se chamou “Presídio de Santa Maria”, e depois, “Santa Maria do Araguaia”.

Araguaína chamou-se “Livra-nos Deus”, ”Lon¬tra” e “Petrolina”.

Araguatins era o antigo “São Vicente do Araguaia”.

Arapoema chamou-se “Jenipapo”.

Arraias teve o antigo nome de “Chapada dos Negros”.

Aurora do Tocantins foi a cidade que teve mais nomes: chamou-se, antes da criação do Estado, “Saco”, “Arraial do Saco”, “Manhã”, “Arraial da Manhã” e “Aurora do Norte”.

Babaçulândia foi “Cocos” e depois, “Nova Aurora do Coco”.

Couto Magalhães foi conhecida antigamente por “Porto Franco”, mas mudou de nome para homenagear José Vieira Couto de Magalhães, 53º presidente da Província de São Paulo, a que pertencia Goiás no Século XVII.

Cristalândia era Itaporé.

Dianópolis, antes de ter o atual nome, chamou-se “D´Ouro”, “Duro”, “Vila do Duro”, “São José do D´Ouro” e “São José do Duro”. O nome “Duro” é devido à serra que leva esse nome. A curiosidade fica por conta da inexistência de registros conhecidos ou qualquer documento oficial sobre a famosa e riquíssima Mina dos Tapuias, ainda hoje existente em Dianópolis. Só se pode creditar o seu desconhecimento oficial ao fato de ter sido explorada pelo Administrador da Recebedoria do Duro, João Nepomuceno de Souza, seu fundador, que se omitiu nos registros para fugir ao pagamento de impostos. Os documentos oficiais não são precisos quanto à denominação dos povoamentos que eles denominam de aldeias. Mas a Aldeia do Duro tinha essa denominação por causa da Serra do Duro, trecho da Serra Geral, confrontante a Leste. Este aldea¬mento costumava ser chamado de São Francisco Xavier, nome da missão religiosa que cuidava da administração espiritual.

Filadélfia era o antigo “Porto dos Paulos”.

Guaraí foi “Guará” e “Trindade”.

Gurupi chamou-se “Travessia do Brejo Mutuca”.

Itaguatins já se chamou “Cachoeira das Três Barras” e “Santo Antônio da dos Índios”.

Lizarda chamava-se antigamente “Boa Sorte”.

Miracema do Tocantins - “Xerente”, “Bela Vista” e “Miracema do Norte”.

Monte do Carmo chamou-se antigamente apenas “Carmo”.

Natividade, a “capital da cultura” tocantinense, sendo o mais antigo núcleo urbano do Tocantins, surgiu a partir do “Arraial de São Luiz”, criado em 1734.

Novo Acordo - foi o novo nome dado a “Dourados”.

Paranã era “Palmas”, onde Teotônio Segurado viveu.

Pedro Afonso já teve os nomes de “Paz” e “Traves¬sia dos Gentios”.

Peixe, antes de chegar ao nome atual, chamou-se “Santa Cruz da Itans”, “Santa Teresinha” e “Santo Antônio do Peixe”.

Pindorama chamava-se “Formiga”.

Pium era “Piaus”.

Porto Nacional teve os antigos nomes de “Porto Real”, “Porto Real do Pontal” e “Porto Imperial”.

Tocantínia era “Piabanha”.

Taguatinga, que significa “barro branco”, foi fundada por Francisco Lino de Souza, teve anti-gamente os nomes de “Brejo” e “Travessia do Brejo”; em 1834, já se chamava “Santa Maria”; em 1855 passou a denominar-se “Santa Maria de Taguatinga”, e em 1948 adotou o nome atual.

O antigo nome de Tocantinópolis era “Boa Vista” e “São João da Boa Vista”.

Assim, deve haver mais lugares com seus nomes antigos.


* Por Liberato Póvoa - Desembargador aposentado do TJ-TO, Membro-fundador da Academia Tocantinense e Letras e da Academia Dianopolina de Letras, Membro da Associação Goiana de Imprensa – AGI, escritor, jurista, historiador e advogado. (E-mail: liberatopovoa@uol.com.br)