BR-153: Um Açougue Humano na venta das autoridades

  • 14/Nov/2018 16h50
    Atualizado em: 14/Nov/2018 às 16h55).
BR-153: Um Açougue Humano na venta das autoridades Foto: Divulgação


Os cerca de 700 km de extensão da BR-153 que serpenteiam parte do território tocantinense, batizada de Belém-Brasília, obra iniciada nos primeiros anos do governo do presidente Juscelino Kubitschek, tem, em mais de meio século de existência, produzido um saldo fúnebre, horripilante e de incontáveis mortes por acidentes, além dos inválidos e incapacitados para o curso da vida. Segundo os dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), somente nas rodovias federais tocantinenses, e a BR-153 é o destaque, no período de 2007 e 2017, portanto uma década, foi registrado um total de 5.815 (cinco mil, oitocentas e quinze) vidas perdidas, com uma média de aproximadamente 50 vítimas por mês, sem falar no alto número de feridos, em face da política insensata e criminosa do Governo Federal, que permite que milhares de carros entrem em rodovias sem que as mesmas estejam em bom estado de conservação e segurança.

De acordo com os levantamentos da CNT, cerca de 60 mil veículos trafegam por dia na BR-153, também cognominada por caminhoneiros de Rodovia da Morte. Ora, acender a luz verde para que milhares de carros circulem diariamente numa pista notadamente de estado precário, com buracos a cada palmo de pista, sem sinalização adequada tanto na vertical como na horizontal, além das que estão ocultas pelos matagais, e mais: que no trânsito noturno a rodovia não dispõe de sinalização reflexiva, e quando isso ocorre é em locais esparsos, acostamento de escape quase nenhum, ou seja, não restam dúvidas que as autoridades negligenciam o direito de ir vir com segurança, abrindo as comportas da morte e transformando muitas viagens em imensas tragédias.

Cabe ressaltar que, além dos fatores humanos, tais como, a ingestão de bebidas alcoólicas pelos condutores, desatenção, comportamentos impróprios ao andar com velocidade acima do permitido, somado ao aumento de 95.6% da frota de veículos nos últimos dez anos, só tem crescido as estatísticas de acidentes com óbitos nas rodovias. A propósito, nos países que construíram estratégias de reduzir as altas taxas de mortalidade no trânsito, o primeiro passo foi melhorar significativamente a malha rodoviária, com as vias duplicadas, rigorosamente sinalizadas, modificação do traçado em locais de curvas sinuosas e de superelevação, instalação de controle de velocidade em pontos críticos, além da entrada em vigor de leis duras contra os infratores de trânsito.

Portanto, as mais de cinco mil mortes causadas nos últimos 10 anos, bem como outros milhares de feridos na famigerada BR-153 é algo espantoso e inaceitável. É como se uma população inteira do município de Palmeirante, localizada no Norte do Estado, com seus 5.800 habitantes deixasse de existir, fosse evaporada do mapa estadual no espaço de uma década. Todavia, o mesmo estudo é estarrecedor, pois no mesmo período de dez anos, ou seja, já em todo o Brasil, tanto nas rodovias federais como estaduais e vias urbanas 403.733 (quatrocentos e três mil, setecentos e trinta e três) vidas foram eliminadas, com uma média de 40.373 (quarenta mil, trezentos e setenta e três) óbitos por ano. Confrontando novamente os dados, as mais de 400 mil mortes no período de 10 anos significam a soma dos habitantes de Palmas (291.855 ha), Gurupi (85.737 ha) e Guaraí (25.677 ha).

É, sem dúvida, um genocídio patrocinado pelo governo contra seu povo, visto que, constitucionalmente o Estado tem o dever e a obrigação de oferecer segurança e amparar os seus cidadãos. Enquanto não se vislumbra melhorias ao setor, milhares de cruzes estão fincadas às margens das rodovias brasileiras, com riachos de sangue escorrendo diariamente pelas pistas, além do luto e dos desamparados que se formam por todo o território nacional. Em resumo, o momento é agora de os parlamentos municipais, estaduais, federais, as entidades representativas da sociedade e o povo se mobilizarem, aproveitando a chegada de um novo governo e seus representantes e exigirem uma nova política para a matriz de transportes, eliminando os descasos, mirando o desenvolvimento, que, aliás, passa por uma malha rodoviária eficiente.

* Por Thiago Marcos Barbosa de Carvalho - Advogado-OAB-TO Nº 8321
E-mail: thiagombarbosa.advogado@gmail.com e barbosaferreiraadv@gmail.com