Cinthia e os desafios da (re)eleição.

  • 06/Nov/2018 21h02
    Atualizado em: 06/Nov/2018 às 21h06).
Cinthia e os desafios da (re)eleição. Foto: Divulgação

As eleições de 2020 podem estar ainda distantes se observadas pelo calendário, mas seus efeitos já aquecem os bastidores e movimentam as peças no tabuleiro do processo político municipal, especialmente na capital.

Palmas, maior colégio eleitoral do Estado, é cobiçada por todos e tem peso diferenciado. Aqui estão concentrados todos os órgãos das três esferas do poder. Por aqui aportam cotidianamente líderes políticos de todos os municípios tocantinenses, tornando-se um termômetro natural que mede sentimentos e intenções político-administrativas. Por isso é o centro das atenções na formatação de qualquer projeto, inclusive daqueles que não vão disputar as eleições municipais, mas já estão de olho em 2022.

Num cenário extremamente atípico, os tocantinenses caminham pesados para o final de 2018, após terem vivenciado um processo político cheio de encantos e desencantos. E as coisas foram ainda mais complexas na capital. O cidadão palmense, além de compartilhar com os demais tocantinenses o duro impacto de mais uma cassação e das eleições suplementares, ainda conviveu (e convive) com os efeitos da troca intempestiva de gestor - com a saída de Amastha e a ascenção de Cinthia Ribeiro.

A mudança no comando da Prefeitura de Palmas implica, naturalmente, na reestruturação política e administrativa do paço municipal. Uma reforma amenizada na transição em função do período eleitoral e, é claro, dos compromissos de campanha entre Cinthia e Amastha. A dança das cadeiras, já esperada, traz desdobramentos que afetam a todos, especialmente a classe trabalhadora – seja no serviço público ou na iniciativa privada.

O primeiro impacto das mudanças, tanto de ares políticos como de condução administrativa, veio na semana passada. O luto, esperado pelo dia de finados, também atingiu diretamente 1.330 pessoas – de acordo com a edição 2.116 (suplemento) do Diário Oficial da Prefeitura de Palmas, publicado no dia 1 de novembro.

Entre exonerações, rescisões de contratos e funções gratificadas, a Gestão Municipal cortou gastos e abriu caminho para escalar um novo time. Cinthia exonerou 5 secretários municipais e autorizou a exoneração de 466 servidores - dos quais 5 foram a pedido. Foram cancelados 689 contratos de prestação de serviços e retiradas Funções Gratificadas de outros 181 servidores da administração municipal.

Especulações apontam para uma ação política onde a prefeita Cinthia estaria rompendo o ciclo Amastha, inclusive os cargos e contratos com indicações alheias ao seu projeto. Embora dos 31 principais cargos da administração (Secretarias, Fundações, Agências e Institutos) ainda restam 4 ou 5 nomeados na Gestão do ex-prefeito, tudo indica mesmo o início de uma era 100% Cinthia Ribeiro.

Oficialmente, o Paço Municipal garante outra versão. Seguindo o que prenuncia o presidente eleito Jair Bolsonaro, Cinthia fará uma reforma abrangente economizando no custeio e pessoal para ampliar a margem de investimentos. De acordo com o secretário de Governo, César Augusto, a reforma vai enxugar a estrutura (pastas) e tornar a máquina mais ágil. Segundo ele a Prefeitura não extrapolou ainda o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas tendo em vista uma possível redução de receita para 2019 (previsto na LDO) já estaria assegurando o enquadramento legal para 2019/2020.

Fato mesmo é que os contratos extinguidos e as exonerações certamente vão atingir a prestação de serviços essenciais à população, a não ser que todos os demitidos façam parte de uma gorda lista de cargos políticos com finalidades adversas ao serviço público. Nesse viés, os serviços essenciais devem ser restabelecidos o mais breve possível. O que muda mesmo é o caminho das recontratações.

Sendo ou não um ato político, o ganho para um futuro processo eleitoral é natural. Na porta de entrada, recepcionando os futuros servidores da atual gestão, estarão os fiéis escudeiros da Cinthia e não mais do ex-prefeito Carlos Amastha (seja no Executivo ou nas indicações do Legislativo).

Essa ‘Reforma’ será o primeiro desafio da prefeita, candidata natural à (re)eleição. Afinal, não se aposta em quem está no cargo, simplesmente aprova-se ou não o(a) gestor(a). Nessa linha de entendimento a “governabilidade” é primordial. Para governar bem é preciso escalar um time leal ao escudo e aplicar com eficiência os recursos disponíveis. Com a ‘Reforma’, os dois quesitos serão atendidos.

Mesmo com as primeiras movimentações prenunciando um confronto entre o Palácio Araguaia e o Paço Municipal em 2020, é bom avisar aos navegantes que Palmas é terra de todos, mas ao mesmo tempo... de ninguém.

*Por Ricardo Abalem Júnior