Ainda temos motivos para comemorar?

  • 05/Out/2018 10h03
    Atualizado em: 05/Out/2018 às 10h09).
Ainda temos motivos para comemorar? Foto: Divulgação

O Estado do Tocantins, o mais novo estado brasileiro completa nesta sexta-feira, 5, 30 anos de existência. Além do feriado estadual a data será comemorada com certa discrição. Em que pese fatores circunstanciais da data, proximidade das eleições, o que impede agentes políticos de realizar manifestações, nada justifica a indiferença da opinião pública quanto à importância da data. Quase nada se ouve falar. Um selo, competições esportivas em alguns municípios relativos à data e nenhuma reflexão sobre a importância da criação dessa nova unidade da federação e o que está sendo feito para vencer os desafios, ainda enormes, não apenas para justificar a sua criação, mas para orgulhar os brasileiros pela decisão.

A construção da imponente Palmas, a abertura de novas fronteiras agrícolas, a descoberta e exploração de províncias minerais, construção de hospitais de referência e expansão do ensino superior com instalação de inúmeras universidades e, sobretudo, a presença dos poderes são apenas algumas conquistas que comprovam o enorme impacto das transformações na vida da cada cidadão que aqui vive. Só quem viveu a experiência do norte abandonado e discriminado pode dizer o quanto se avançou, mas para ser um Estado respeitado ainda precisa fazer muito. Um desafio para as novas gerações que pode até não valorizar a história , mas precisam reconhecer que estão diante de um Estado de oportunidades.

É preciso reconhecer que o desinteresse aparente não reflete falta de motivos, pelo contrário, talvez reflita o desconhecimento ou desinteresse pela a história. Neste caso posso arriscar dizer que o abuso na exploração dos símbolos de tocantinidade levaram à exaustão dos sentimentos identitários perdendo a essência. O tocantinense desde que o Estado foi criado passou a ser bombardeado por uma avalanche de informações oficiais de cunho histórico com apelos emotivos aos novos símbolos de identidade tocantinense. Dados, fatos e narrativas descontextualizadas levaram a versões pouco compreensíveis da história que mais afasta do que atrai o desejo de conhecer. Bem, mas isso é uma outra história.

Parece que foi ontem, mas já se passaram três décadas. A imagem do presidente da Constituinte Dr. Ulysses Guimarães, Dr. Diretas Já, empunhando a nova Constituição Federal ainda está bem viva na memória dos brasileiros, especialmente dos tocantinenses que viverem aquela experiência, ou deveria estar. A data era cinco de outubro de 1988, o Brasil ganhava uma nova Constituição, dava um passo importante para enterrar o passado autoritário e reconquistava a liberdade, garantia do estado democrático de direito, alicerce indispensável na edificação da democracia. Aquele ato simbólico que enchia o País de esperança também realizava o sonho do povo tocantinense que finalmente viu o Estado do Tocantins ser criado. A cada ano que passa esta data deveria ganhar uma importância cada vez maior. Para enaltecer a coragem dos que lutaram e para não permitir retrocesso.

Avante Tocantins!

Querer é poder. E todos nós queremos mais.

*Ruy Bucar – especial para O JORNAL