Comodismo de Carlesse empurra eleição para o segundo turno

  • 24/Set/2018 21h03
    Atualizado em: 24/Set/2018 às 21h08).
Comodismo de Carlesse empurra eleição para o segundo turno Foto: Divulgação


O governador Mauro Carlesse (PSL) ainda mantém vantagem significativa na disputa pelo Palácio Araguaia em relação ao seu concorrente direto, ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB). E tudo indica que pode vencer as eleições ainda no primeiro turno. Mas é preocupante o nível de insatisfação que ronda a campanha governista, que se não for estancada a tempo pode contrariar essa expectativa. Pelos dados de hoje não será nenhuma surpresa se a eleição for para o segundo turno. E neste caso, significa, complicar uma eleição ganha.

O governador inadvertidamente deixou o clima de já ganhou tomar conta de sua campanha. O que de início poderia ajudar consolidar uma vitória fácil está virando um adversário virulento. O já ganhou impede a adesão de novas lideranças porque não há empenho em conquistá-las, e por outro lado afasta apoios consolidados. Líderes estão abandonando o palanque governista reclamando da falta de atenção política e não cumprimento de promessas e acordos. A insatisfação começa por qualquer detalhe e quando se vê virou bola de neve.

Uma candidatura governista vitoriosa sofrer defecções não é muito comum. E se está ocorrendo com Carlesse, como se comenta nos bastidores, é porque algo está errado na campanha. Líderes percebem rapidamente que se não são prestigiados quando o candidato precisa de voto, não vai ser quando ele chegar ao poder. Talvez isso explique as mudanças que estão ocorrendo nesta reta final da campanha.

A verdade é que Carlesse ainda não entrou na campanha de corpo e alma. Como fez na eleição suplementar. Com larga vantagem sobre os adversários, fragilizados com a derrota recente, segurou a campanha e não deu a devida atenção à movimentação dos concorrentes. Sem Carlesse na campanha os adversários não encontram resistência para fincar bandeira em redutos governistas como Gurupi, dentre outros, e aos poucos estão mudando o panorama da disputa.

É preciso ressaltar que Carlesse tinha todas as condições de liquidar a fatura no primeiro turno. Preferiu levar a campanha em banho-maria e pode se arrepender de ter dispensado apoio. O que parece ter economizado agora pode ter que gastar em dobro ou até o triplo atrás de um resultado que já esteve em suas mãos. Nunca é demais lembrar do fenômeno Gaguim que perdeu a eleição para ele mesmo. Gaguim era governador, fazia um bom governo, tinha apoio de mais de 100 prefeitos, aparecia nas pesquisas eleitorais com mais 70% de aceitação e terminou derrotado.

Pelo andar da carruagem Carlesse já não faz mais os dois senadores como parecia no início da campanha. Uma cadeira será ocupada por candidato da oposição. Vicentinho Alves (PR), Paulo Mourão (PT) ou Irajá Abreu (PSD) disputam a vaga. Nas últimas semanas, com a reviravolta no cenário nacional, Irajá e Mourão ganharam fôlego na corrida. Irajá parece mais preparado para despontar na reta final. Reforçado naturalmente pela possibilidade da mãe, senadora Kátia Abreu (PDT) se tornar vice-presidente da República. As pesquisas indicam que Ciro Gomes (PDT) disputa vaga no segundo turno, e chegando lá é o que mais chance tem de vencer o pleito com qualquer adversário que disputar. Até com o ultradireitista Bolsonaro (PSL).

Se abandonar o comodismo e descer do salto Carlesse ainda tem condições de assegurar a vitória no primeiro turno. Caso contrário terá que correr atrás do prejuízo. E poderá ser tarde demais.

Se continuar no ritmo que vinha pode empurrar a disputa para o segundo turno, e aí a briga é diferente. A disputa será em pé de igualdade. O favoritismo agora poderá estar do outro lado. É isso aí. É esperar pra ver o que vai dar.

Por Ruy Bucar – especial para O JORNAL