Haddad atropela adversários e bota um pé no segundo turno

  • 18/Set/2018 13h43
    Atualizado em: 18/Set/2018 às 13h48).
Haddad atropela adversários e bota um pé no segundo turno Foto: Divulgação

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) está com um pé no segundo turno. É o que aponta as pesquisas de opinião pública realizadas nos últimos dias. O petista, que substitui o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva na corrida pelo Palácio do Planalto já vem sendo considerado como uma das maiores revelações deste pleito e o mais provável adversário do ultradireitista Jair Bolsonaro (PSL), no segundo turno.

Em uma semana de campanha Haddad atropelou adversários fortes como Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (REDE) que até a semana passada vinham embolados na disputa pelo segundo colocado. Marina e Alckmin que após a subida do Ciro foram empurrados para o terceiro lugar, ao que tudo indica estão fora do processo. Pelos dados das últimas sondagens só um milagre pode coloca-los de volta rumo ao segundo turno.

Ciro Gomes luta desesperadamente para reconquistar a segunda posição que ocupou durante um bom tempo e chegou a ser visto como a solução ideal para evitar a polarização entre os extremos, esquerda e direita. É um candidato qualificado e apresentou as propostas mais plausíveis, tendo inclusive servido de inspiração para outros candidatos. O tom intempestivo e a língua solta que o fizeram ser temido pelas elites não ajudam nesta disputa acirrada que corre pelos extremos. Ciro parou de crescer, perdeu musculatura, mas ainda não pode ser considerado fora da disputa do segundo turno. Esta semana será decisiva.

O que muda no Tocantins

No Tocantins, pelos menos dois candidatos ao Senado estão sendo beneficiados por esta mudança no cenário nacional. Primeiro, o deputado Irajá Abreu (PSD), que disputa uma das duas cadeiras para a Câmara Alta que melhorou o seu desempenho encostando-se aos candidatos favoritos. O jovem foi beneficiário direto do crescimento da candidatura Ciro Gomes que tem a sua mãe Kátia Abreu como vice. Uma eventual vitória de Ciro coloca a senadora numa posição jamais alcançada por um líder político local, com poder para fazer e desfazer no Tocantins.

Segundo, o deputado Paulo Mourão (PT) que pode inflar no fenômeno Haddad. O já ganhou que domina a campanha de reeleição do governador de Mauro Carlesse (PHS) ajuda a aumentar a competitividade dos candidatos a Senado. O governador tinha chances reais de fazer os dois senadores se estivesse fazendo campanha de verdade. Neste ritmo morno fará apenas uma cadeira, a outra está sendo disputada por Vicentinho Alves (PR), Irajá Abreu (PSD) e Paulo Mourão (PT). Mourão e Irajá levam vantagem porque podem ser ajudados pelas reviravoltas na disputa nacional.

Direita X Esquerda

Muita coisa ainda pode acontecer até o dia sete de outubro. Até incidentes como o que vitimou Bolsonaro impactando diretamente o processo eleitoral. Por outro lado, pesquisas não são garantia de nada. Pesquisas quantitativas no máximo que conseguem é revelar um retrato do momento, não são capazes de apontar tendências. Quanto mais se aproxima a data do pleito maior a possibilidade de reviravolta na aceitação dos candidatos. O acirramento do debate, a consolidação de propostas de apelo popular e a redução dos indecisos pode alterar completamente o jogo.

Contudo, o mais provável, com base nas tendências de hoje é que a disputa do segundo turno seja a polarização pelos extremos, entre esquerda e a extrema direita. Para o articulista Luiz Nassif não será tradicionalmente entre direita e esquerda como acontece na maioria dos países democráticos, mas entre a democracia e a barbárie. O país vai ter que optar entre avançar ou recuar. Não será muito difícil para se escolher. Haddad tentará dar continuidade aos avanços conquistados pelos governos do PT. Bolsonaro quer retroceder o país ao período da Ditatura Militar de 64. A decisão é sua. É isso aí, é esperar para ver o que vai dar.

*Por Ruy Bucar – especial para O JORNAL