Carlesse segue tranquilo para a vitória sem tomar conhecimento de adversários

  • 10/Set/2018 14h34
    Atualizado em: 10/Set/2018 às 14h38).
Carlesse segue tranquilo para a vitória sem tomar conhecimento de adversários Foto: Divulgação

Uma eleição fria que não consegue empolgar nem a própria militância. Vitória tranquila do governador Mauro Carlesse (PHS) já no primeiro turno. São as percepções que mais se ouve sobre as eleições de 2018 no Tocantins e que parecem retratar bem o quatro real da disputa pelo Palácio Araguaia. E uma tem estreita ligação com a outra. A primeira é resultado direto da segunda ou vice-versa. A eleição é fria porque não há adversários que ameace a vitória do governador que a cada dia se torna mais evidente.

Carlesse não é o responsável sozinho por este céu de brigadeiro que jamais se viu em outras eleições no Estado. Os adversários – o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB) e o juiz Marlon Reis (REDE) - contribuíram muito para a construção deste cenário. Cometeram erros primários na elaboração de estratégias para combater o favoritismo do candidato governista. Quiseram construir coligações competitivas eleitoralmente e cometeram contradições inaceitáveis para o perfil que representam.

Amastha, antes da cassação do ex-governador Marcelo Miranda, parecia ser a bola da vez. Jovem, rico e liberal. Despontou na política em 2012 como um fenômeno eleitoral. Venceu a eleição da Capital contra e tudo e contra todos. Derrotou de uma vez só o mirandismo e o siqueirismo e virou um forte concorrente a ocupar espaço entre os maiores grupos da política do Tocantins. Fez uma boa administração e consolidou o nome no Estado, mas foi imprudente. Depois de desempenho surpreendente na eleição suplementar - quase vai para o segundo turno e se tivesse ido o resultado do pleito poderia ser outro – costurou alianças meramente eleitoreiras que o descaracterizam. Deixou-se juntar a adversários que representavam o atraso e que agora os viam como líderes importantes. A tentativa de simular uma desistência do processo revelou um líder intempestivo e vaidoso que não aceita ser contrariado. Jogou fora valioso capital político ao subestimar a inteligência do eleitor. Pode terminar a eleição em terceiro lugar o que significa não ter força para alcançar 2022.

O juiz Marlon Reis (REDE) saiu da eleição suplementar como a grande sensação. Teve uma votação expressiva para um iniciante e nome ainda pouco conhecido no Estado. Também cometeu imprudência. Fez alianças consideradas “espúrias” para um candidato ideologicamente estruturado na ideia de ficha limpa. A inexperiência administrativa e política podem comprometer um futuro promissor. Priorizar um discurso moralista em vez de um sólido programa de governo com base nos anseios populares pode contribuir para esvaziar um projeto alternativo para o Estado cansado da mesmice.

Nem os mais otimistas dos carlessistas podiam imaginar um cenário tão favorável quanto este que se apresenta. A campanha e propaganda no rádio e na TV não conseguiram alterar uma tendência que começou ainda na eleição suplementar. Carlesse representa renovação sem risco de instabilidade. As pesquisas de intenção do voto confirmam a boa aceitação do projeto governista. Carlesse tem baixa rejeição e lidera as intenções de voto com folga. O governador tem condições reais de vencer no primeiro turno e ainda fazer os dois senadores – Eduardo Gomes (SD) e César Halum (PRB) e de quebra a maioria da Câmara Federal e da Assembleia Legislativa, se não fosse o comodismo natural de uma campanha sem polarização.

Pelo menos é o que se pode observar da campanha até aqui. Mas até a eleição muita coisa ainda pode acontecer. É preciso lembrar que não há eleição sem polarização e polarização nivela as candidaturas e equilibra o jogo. Ou seja, tanto Amastha como Marlon ainda podem surpreender. Pode. Ainda que suas campanhas até agora não tenham demonstrado possibilidade de empolgar o eleitor e mudar o cenário. Certo mesmo só depois de abrir as urnas. É isso aí, é esperar pra ver o que vai dar.

*Ruy Bucar – especial para O JORNAL