A máfia das companhias aéreas e a conivência do Legislativo

  • 25/Jun/2018 09h01
    Atualizado em: 25/Jun/2018 às 09h07).
A máfia das companhias aéreas e a conivência do Legislativo Foto: Divulgação

Existe uma atividade no setor na economia brasileira que chega a dar um infarto em quem costumeiramente dela se utiliza: as companhias aéreas.

Estes dias, precisei comprar duas passagens Goiânia/Rio de Janeiro e de início verifiquei em que arapuca o consumidor se acha: para o mesmo trecho, no mesmo dia, no mesmo tipo de aeronave, as passagens, em quatro companhias diferentes variavam, com os seguintes preços: R$ 443,00 pela Azul; R$ 581,00 pela Gol; R$ 914,00 pela Avianca e R$ 2.123,00 pela Passaredo.

Comprei os dois bilhetes da empresa Azul Linhas Aéreas, em promoção, ida e volta, por R$ 1.426,07. Dois dias antes do embarque, um dos passageiros teve sério problema de saúde, chegando a se internar numa UTI, forçando a remarcação para outra data.

Consultando a agência de viagens onde efetuara a compra, fui surpreendido com a informação de que para remarcar o voo eu teria que pagar R$ 760,00 (setecentos e sessenta reais) por passageiro, ou seja, mais do que eu pagara pelos bilhetes originais, e receberia menos duzentos reais de reembolso por passageiro. Tente um reembolso pra ver! Mas a operadora não tem qualquer culpa, uma vez que a deliberação é da própria companhia aérea.

Isto é um assalto, no sentido literal da palavra.

Neste nosso Brasil de coisas inexplicáveis, a existência dessas tais companhias aéreas está merecendo uma dura intervenção do Governo, por uma série de fatos: quando se aproximam férias, feriados prolongados ou eventos em determinadas regiões, as companhias aumentam sem qualquer critério o preço; se se marca uma passagem com muita antecedência, o preço é menor, mas se o passageiro quiser viajar de repente, por uma urgência qualquer, tem que cair numa “diferença de tarifa”, que custa os olhos da cara; em caso de reembolso por não utilização da passagem, tem que pagar uma taxa que muitas vezes engole o valor pago pelo próprio bilhete.

Para que o leitor compare, vamos fazer um paralelo com as viagens rodoviárias.

As passagens de ônibus têm preços similares, variando muito pouco de empresa para empresa, de acordo com os veículos utilizados; pode-se comprar uma passagem com um mês de antecedência ou na hora do embarque, que o preço não varia, inclusive o passageiro pode, até duas horas antes do embarque, remarcar a passagem ou mesmo deixá-la em aberto por um ano, sem pagar taxa alguma, o que já ocorreu comigo.

Na semana passada, por exemplo, fiz uma viagem de ônibus, pela empresa Expresso, mas, na hora do embarque meu bilhete sumiu. Tive, obviamente que comprar outro, mas a própria empresa me orientou que fizesse um boletim de ocorrência (BO) e, com o próprio BO eu me apresentasse no guichê, que utilizaria aquele documento para ser emitida nova passagem; assim fiz, e no retorno o funcionário, ali no próprio guichê emitiu nova passagem, a custo zero, e usei o crédito para voltar. Simples, não?

Experimente fazer isto com uma empresa aérea! Elas dificultam pondo o passageiro em contato com um site que nada resolve ou numa linha telefônica onde, do outro lado, já existem mensagens pré-gravadas ou delicadas mocinhas adrede treinadas para nos ludibriar e escoladas para nos deixar sem solução.

Esta tal ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), substituta do Departamento de Aviação Civil (DAC), nada faz, apesar de ter sido criada pela Lei nº 11.182/2005 com a finalidade de “promover a segurança da aviação civil e para estimular a concorrência e a melhoria da prestação dos serviços no setor”. Ela não se preocupa com o consumidor, que ultimamente paga até pelas bagagens (como se a gente pudesse viajar apenas com a roupa do corpo), e o serviço de bordo, em que, anos atrás, eram oferecidas até refeições em certos voos, agora se limita a distribuir reles barrinhas de cereais, água e refrigerante, e há algumas cobrando até pela utilização de poltronas mais espaçosas.

Como sempre procuro escrever com base em documentos ou pesquisas, posso dizer, sem medo de errar, que a culpa e a conivência é desse Poder Legislativo putrefato, VAGABUNDO, que temos em Brasília.
 
E explico. Os deputados brasileiros podem gastar mensalmente entre R$ 30.788,66 e R$ 45.612,53 com despesas de correio, água e luz e passagens aéreas; já os senadores podem gastar, só com passagens aéreas, até 24 mil reais por mês, isto sem se falar na utilização dos providenciais jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), que diariamente cruzam os céus cheios de “otoridades”. 

Ao longo de 2017, a  FAB realizou 4.390 horas de voo, o que equivale a cem voltas ao mundo, transportando ministros e membros do Legislativo e do Judiciário.  Ao todo, foram 2.330 voos, segundo levantamento dos registros de voo da própria FAB, o que representa uma média de seis decolagens por dia, tudo a custo zero para pilantras passearem às nossas custas. O levantamento, realizado pela RHYPERLINK "http://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/163213/horas-de-voo-da-fab-com-autoridades-em-2017-sao-su.htm"ádio CBN, não inclui as viagens presidenciais. De acordo com a rádio, quem mais utilizou os aviões da FAB foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar viajou 210 vezes no ano, totalizando uma média de 16 viagens por mês, um parasita que almeja ser presidente da República, quando nem reeleger-se deputado merece. 

O valor das despesas com as viagens não é informado pela FAB, que considera os dados estratégicos. Segundo um engenheiro da USP, que calculou o gasto com combustível do avião utilizado por Maia, um VC-99B - Legacy, que comporta até 15 pessoas, a aeronave gasta 1.200 litros por hora. Considerando o preço médio do combustível da aviação, as viagens de Maia custaram aos cofres públicos mais de R$ 1,3 milhão. A maioria dos voos foi entre Brasília, Rio de Janeiro (onde o deputado mora) e São Paulo. Merece uma ação popular nas costas para ressarcir os cofres públicos.

O presidente da Câmara, esse Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, foram os parlamentares que mais utilizaram o serviço.

Maia voou 164 vezes, sendo 56 delas para sua residência, localizada no Rio de Janeiro, enquanto Jungmann e Barbalho voaram 119 e 106 vezes, respectivamente. A maior parte das justificativas de viagens de todos os parlamentares é “serviço”, exceto a de Maia, que entremeava viagens para a residência, no Rio de Janeiro... com dinheiro nosso.

Agora, pergunto eu: que interesse tem um deputado ou senador em regulamentar essa situação de verdadeiro achaque das companhias aéreas? Evidentemente nenhum, se têm passagens e jatinhos da FAB à disposição para voar na hora em que bem lhes aprouver, talvez nem saibam quanto custa uma passagem.

Deputado e senador, depois de eleito, nunca foi a uma rodoviária nem entrou em um ônibus, exceto para fazer “city tour” em cidades paradisíacas em pacotes convenientemente montados para encobrir supostas atividades oficiais, aqui ou no exterior.

Não é preciso muito exercício de raciocínio para mostrar que essa corja aboletada na Praça dos Três Poderes precisa ser trocada agora em 2018.
Não vamos gastar sal com carne podre nem vela boa com defunto ruim: fora com esses vagabundos aproveitadores, que vivem às nossas custas! Vamos expelir do Parlamento esses parasitas que só nos envergonham. O Brasil tem muitos nomes bons e sérios como peças de reposição nessa vergonhosa engrenagem da nossa política.

Vamos dar nossa resposta nas urnas.


*Por Liberato Póvoa