Médico intensivista esclarece principais dúvidas a quem tem familiares internados em UTI 

  • 22/Jun/2018 14h44
    Atualizado em: 22/Jun/2018 às 14h48).
Médico intensivista esclarece principais dúvidas a quem tem familiares internados em UTI  Foto: Divulgação

Ao ter um familiar internado pela primeira vez em uma Unidade de Terapia Intensiva, muitas famílias frequentemente sentem-se temerosas à beira do leito de seu ente querido que está enfermo. Os tubos, curativos, fios e aparelhos com os quais a equipe da UTI está tão acostumada são amedrontadores para os membros da família. De acordo com o médico intensivista Jorge Luiz Souza Rodrigues, que atua na UTI da Intensicare no Hospital Oswaldo Cruz, em Palmas, são várias as dúvidas que surgem neste momento, e por esta razão as famílias são acolhidas pela equipe da UTI para receber apoio, explicações e descrições sobre os equipamentos, tratamentos e o estado de saúde do paciente em uma linguagem acessível.

“O primeiro impacto para as famílias é sempre difícil. Então nós temos essa preocupação de, no momento da internação, que a família converse com o médico, com a equipe da UTI, e depois, durante o tempo em que o paciente estiver conosco, de oferecer aos familiares as principais orientações de como proceder quando seu familiar está em tratamento na Unidade de Terapia Intensiva. Os pacientes, quando vem para a nossa UTI, se tornam familiares nossos também. Nosso trabalho vai além dessas paredes e das nossas obrigações. Estamos o tempo todo pensando em nossos pacientes e cuidamos deles como se fossem da nossa família também. Quando os familiares compreendem que a vida do paciente é tão importante para nós quanto é para eles isso os tranquiliza e é essa confiança que buscamos passar o tempo todo”, informa o médico intensivista.

Diariamente são realizadas visitas de rotina pela equipe médica aos leitos dos pacientes, no momento da visita da família, que tem duração de uma hora e acontece pelas manhãs. “Sempre digo às famílias nessas visitas que precisamos de três pontos para que o paciente seja curado. A primeira delas é uma combinação de diagnóstico bem feito e tratamento acertado. O segundo ponto é o que chamamos de reserva do paciente, que é aquilo que ele traz: hábitos alimentares, noites mal dormidas, seu condicionamento físico, enfim o resumo de como ele viveu sua vida até aqui. E o terceiro ponto é exatamente o cuidado da família, por meio de orações, da presença no leito do enfermo, tudo isso estimula que o paciente tenha vontade de se curar e isso faz toda a diferença”, pontua o médico intensivista.

Dúvidas recorrentes

Entre as dúvidas apresentadas pelas famílias, as mais frequentes são: se o familiar pode tocar o paciente, o que pode ser levado para dentro da UTI e como proceder no momento da alta.

“O visitante pode tocar em seu familiar internado, o que não pode é tocar em um paciente de outro leito. Os familiares são hígidos, estão em boa saúde, e não vão adquirir doenças na UTI. O problema é trazer pessoas doentes para o leito, por isso temos essa restrição de quem pode visitar e também não permitimos o familiar tocar em outro paciente, por exemplo. Apenas os profissionais que atuam na UTI podem fazer isso, pois estão sempre utilizando luvas e máscaras descartáveis, sempre higienizados”, explica o médico Jorge Luiz.

Outra dúvida das famílias é sobre o que pode ser levado ao paciente como, por exemplo, produtos de higiene pessoal, fotografias, cartinhas, etc. “Buscamos individualizar o atendimento a cada paciente, porque cada ser humano é único. Então o que pode ser trazido para o leito depende de cada caso, mas na grande maioria das vezes permitimos tudo isso, às vezes uma alimentação diferenciada, para o paciente que pode comer normalmente, claro que com a aprovação do nutricionista e da equipe médica, entre outros exemplos”, pontua Jorge Luiz.  

Na hora de o paciente deixar a UTI, as famílias se preocupam sobre como será o cuidado em casa com seu ente querido que está em recuperação. “Antigamente nós encaminhávamos todos os pacientes à enfermaria ou a apartamentos do hospital após a alta da UTI para um período de adaptação. Mas hoje mudamos essa política porque temos muitos pacientes que podem ir direto para casa. No final da internação nós trazemos o familiar para a UTI e o ensinamos como cuidar de novo daquela pessoa que, muitas vezes, perdeu sua capacidade de andar, de falar, ou se alimentar, devido a alguma doença que o levou à internação. Buscamos reabilitar a família e o paciente a essa nova etapa”, finaliza o médico.