BR-242, a rodovia que irá unir o Atlântico ao Pacífico

  • 15/Jun/2018 10h14
    Atualizado em: 15/Jun/2018 às 10h19).
BR-242, a rodovia que irá unir o Atlântico ao Pacífico Foto: Divulgação

*Por Liberato Póvoa


Parafraseando o ilustre amigo Emílio Vieira, que se mostra um profundo conhecedor das diversas regiões goianas e tocantinenses, notadamente o “Vale do Paranã”, resolvi também fazer uma incursão geoeconômica, numa região tocantinense, que guarda inteira relação com Goiás.

Há duas semanas, estive em Taguatinga-TO, onde o amigo Saulo de Almeida Freire, atuante causídico naquela comarca, comentou sobre o importante projeto (na verdade, o prosseguimento) de construção da rodovia BR-242.Voltando a Goiânia, visitando o amigo Gercílio Godinho, comentamos sobre esse importante projeto, quando ele, com a autoridade de laborioso ex-prefeito, e com o mesmo entusiasmo de Saulo, corroborou as informações que obtive “in loco”.

Saulo me pegou na casa da mana Luzia, enfiou-me na sua caminhonete e rodamos nos arredores da cidade, onde ele ia me mostrando as obras iniciadas, já com picadas abertas, para um empreendimento que poderá ser a redenção do Sudeste tocantinense, com reflexos em Goiás, se o próximo governo de ambos os Estados tiver vontade política e vontade de alargar as fronteiras comerciais da região.

Como se sabe, o Brasil, apesar de sua extensão continental, tem apenas uma costa voltada para o oceano, o Atlântico. Para encurtar distância, ganhar tempo e se economizar no transporte, precisa estar ligado ao Oceano Pacífico, para alcançar os países asiáticos, o maior centro consumidor de grãos do mundo, proporcionando competividade ao produtor brasileiro. 

Na verdade, nosso país seria apropriado para se construírem ferrovias, que proporcionaram o progresso nos transportes de cargas dos Estados Unidos (43% de transporte ferroviário e 32% de rodoviário), do Canadá (46% ferroviário e 43% rodoviário) e da Rússia (81% ferroviário e apenas 15% rodoviário), posto que a vida útil de uma rodovia bem construída gira em torno de quinze anos, enquanto as ferrovias têm vida maior e custo quase zero de conservação. No Brasil apenas 24% da carga é transportada por ferrovias e 62% por rodovias, reservando 14% para o transporte fluvial. A nossa malha ferroviária remonta a época do Império.

Mas parece que os “lobbies” das grandes montadoras de caminhões obsta a construção de ferrovias, e um exemplo deplorável é a “Ferrovia Norte-Sul”, que anda salpicada de escândalos provenientes de atos de corrupção.

Pensando no problema viário para escoamento da produção, o governo brasileiro, desde a instalação do regime militar, em 1964, começou a construir rodovias, ferrovias, portos e outras grandes obras voltadas para o desenvolvimento brasileiro com vistas à exportação e ao estabelecimento do livre comércio.

O transporte intermodal exige o entrelaçamento de rodovias, ferrovias e fluvial. Portos foram construídos em Santos (SP), Itajaí (SC), Ilhéus (BA), Itaqui (MA). Rodovias foram implantadas (Transamazônica, Belém/Brasília (BR-153), Brasília/Fortaleza (BR-020), Brasília/São Luís (BR-010) e, cortando estas, a BR-242, conhecida como a “Rodovia do Sal”, ligando o Nordeste ao Mato Grosso.

O Oeste baiano tem a maior planície em área contínua do mundo, com uma área de mais de 900 km x 200 km de terras agricultáveis, tornando-se num dos maiores celeiros mundiais de produção de grãos. Mas surgiu no Brasil, mais recentemente, um outro grande celeiro de produção de grãos, o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul.

Para escoar a produção é utilizado o sistema intermodal de transporte através da Rodovia BR-020 (Brasília-Fortaleza) e as Rodovias Leste/Oeste e Norte/Sul tanto no transporte de grãos quanto no de calcário e fósforo, produtos que ganham notoriedade face à alta produtividade na região de Taguatinga (calcário), Taipas (calcário e fosfato), Arraias (fosfato) e Natividade (calcário), além de Dianópolis (calcário).

A “Rodovia do Sal” cruza três grandes e importantes rodovias, a BR-020, a BR-010 e a BR-153, e coloca Taguatinga no eixo central geográfico desse contexto. Além disso, no Município de Lavandeira, também no Sudeste, existe um potencial extraordinário para produzir cimento, além de calcário e fosfato.

Taguatinga e Natividade contam com indústrias de calcário instaladas e em pleno funcionamento, e em Arraias acha-se funcionando a maior indústria de fósforo no Brasil (Itafós Mineração) e Taipas (Rialma Mineração) começa a marcar posição com o funcionamento da indústria de calcário e fosfato. O entorno de Dianópolis conta também com quatro indústrias de calcário em franca produção (Sharp, Britacal, Alvorada e Diacal) Em breve, provavelmente em 2020, entrará em funcionamento a São Francisco Mineradora, em Taguatinga.

Todo calcário e fosfato produzidos na região é transportado pela BR-242, agora em fase final de construção, ligando Luís Eduardo Magalhães-BA a Gurupi-TO, onde se entrelaça com a Ferrovia Leste/Oeste, em Luís Eduardo Magalhães e a Ferrovia Norte/Sul, em Gurupi. A segunda fase de conclusão da BR-242 é entre Gurupi e o Estado do Mato Grosso.
Justamente pensando nos países asiáticos, o governo brasileiro já concluiu o complexo rodoviário denominado “Rodovia Bioceânica”, passando pelo Paraguai, Argentina e a Cordilheira dos Andes, que possibilitará a exportação de grãos através do Porto Internacional do Chile, fazendo com que o transporte seja reduzido em 10 dias, economizando 8.000 km para chegar à China.

Sendo o Sudeste do Tocantins o maior produtor de calcário e fósforo para incrementar a produção de grãos no Oeste baiano e em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a BR-242 terminará ligando o Oceano Atlântico, no Porto de Ilhéus-BA, ao Oceano Pacífico, no Chile, através da Bioceânica. Isso sem se falar no transporte ferroviário com a conclusão da Norte/Sul e Leste/Oeste.

Ao mesmo tempo em que a BR-242 abastece o Oeste baiano e o Mato Grosso de calcário e fósforo, fornecido pelo Sudeste do Tocantins, terá ainda duas outras finalidades: facilitar e permitir exportar os grãos produzidos através do Porto de Ilhéus e Porto Internacional do Chile e abastecer de sal toda essa região. Daí ter sido batizada de a “Rodovia do Sal”, porque tanto abastecerá o mercado de sal quanto de carne.

Com a conclusão da BR-242 (trecho Luís Eduardo Magalhães/Gurupi), o Sudeste tocantinense ganhará importância e notoriedade, face à sua privilegiada localização geográfica e se tornará o novo eldorado brasileiro, pois possui terras de cultura de primeira qualidade para ao plantio de soja, milho, algodão, feijão e outros grãos, podendo se despontar inclusive na produção de carne (boi, frango, suíno etc.) voltados à exportação, atraindo indústrias das mais diversificadas (frigoríficos, eletroeletrônicos, automobilística, distribuidoras de alimentos, etc.).

Para a conclusão da Rodovia BR-242 restam aproximadamente 60 km para pavimentação e 05 km de terraplanagem no trecho entre Luís Eduardo Magalhães e Gurupi, estando prevista sua liberação para o tráfego no ano de 2019 em face de alguns problemas ambientais num trecho de 14 km.

A BR-242 cruza as BR-020 em Luís Eduardo Magalhães-BA, a BR-010, entre Arraias e Conceição do Tocantins, e a BR-153 em Gurupi-TO. Além destas rodovias se interliga com a Ferrovia Leste/Oeste, em Luís Eduardo Magalhães, próximo ao povoado de Roda Velha, e a Ferrovia Norte/Sul, em Gurupi.

E Taguatinga, que se localiza em ponto estratégico, experimentará grande impulso de progresso, sendo importante registrar-se que parte do Oeste baiano pertence ao Estado do Tocantins, em face de ser o divisor de águas a divisa deste com a Bahia e que isto significa receita direta advinda do agronegócio.

A BR-010 incrementará e impulsionará o desenvolvimento da região de Campos Lindos-TO, pois ao passar por Balsas-MA, encurtará distância para exportação através do Porto de Itaqui, no Maranhão.

Se o Governo olhar com determinação o empreendimento, seguramente será a redenção do Sudeste tocantinense.