O povo escolheu, democraticamente, a estabilidade.

  • 08/Jun/2018 11h39
    Atualizado em: 08/Jun/2018 às 12h02).
O povo escolheu, democraticamente, a estabilidade. Foto:

        Ricardo Abalém Jr.


        No último dia 3 os tocantinenses vivenciaram um verdadeiro exercício de democracia, o poder da livre escolha. Democracia em sua plenitude, com todos os direitos respeitados, inclusive o (quase) direito de não votar. Afinal, a obrigatoriedade apenas faz alcançar um grande número de votos, mas pode comprometer a qualidade destes. Nesse ponto o Brasil ainda precisa avançar.

        Em 1985, com a eleição do mineiro Tancredo Neves à presidência da república, o Brasil iniciou o ciclo de rompimento definitivo com o regime militar-autoritário (1964 a 1985). Três anos depois, em 1988, com a promulgação da sétima Constituição da República Federativa do Brasil, se instalava efetiva e definitivamente a democracia em nosso país.

        A Constituinte de 1988, batizada pelo ilustre deputado Ulisses Guimaraes de Constituição Cidadã, resgatou a esperança de uma nação. A liberdade e a pluralidade das ramificações politicas permitiriam ao brasileiro o direito de decidir livremente os seus rumos. E assim caminhamos, e às vezes, até cantamos.

       Nesse período de 30 anos de redemocratização do país e coincidentemente de criação do Tocantins, nunca participei de um processo político tão singular como foi o primeiro turno dessa eleição suplementar.

       O tocantinense deu um show de democracia. Foram às urnas aqueles que tiveram esse entendimento, deixaram de ir aqueles que optaram pelo silêncio. Os candidatos foram votados pela maioria da população, mas 43,5% disseram (na prece do silêncio) que o farol precisa apontar para outra direção.

       Sem a tradicional polarização, a divisão de forças oportunizou aos diversos grupos políticos o posicionamento e a apresentação de suas plataformas de campanha. Expuseram seus pensamentos e tremularam suas bandeiras.

       O processo já iniciou democrático (até demais). Logo na composição das coligações, além do “lavar as mãos” de vários partidos, se observou que praticamente todas as siglas se dividiram internamente. Fizeram jus a nomenclatura: (re) PARTIDOS. E essa condição parece ter inspirado os eleitores. Se nem os partidos se alinharam, o povo também não se sentiu na obrigação.

       A matemática mais importante certamente não foi a dos números e sim a do sentimento externado. A Justiça Eleitoral, acertadamente, deixou a responsabilidade de escolha para o cidadão. Nada de tapetão ou de criar pseudos mártires. A vontade popular decidiu.

       Analisando a votação no Tocantins, inclusive por cidades, se verifica que a hegemonia foi mesmo do eleitor e que, em nenhum momento, tivemos candidatura (nomes) soberana à vontade popular. Prova disso foram as vitórias e derrotas locais inusitadas, imprevisíveis até aos olhares dos marqueteiros.

       O recado foi direto: acima do líder e acima dos partidos, está a vontade do povo.

       Tinha candidato que esbravejava a vitória em primeiro turno, que nem vai participar do segundo. Candidato surpreendido pelo resultado, mesmo usando “aparelho que adivinha as coisas”. Teve candidato que, mesmo molhando a bagagem, se sentiu vitorioso e também do tipo que jogou a culpa na vontade popular pela inexpressiva votação.

       Os candidatos derrotados anunciam agora que não apoiarão ninguém no segundo turno, mas essa condição eles não podem impor a quem lhes deu o voto de confiança no primeiro turno. Incentivar o eleitor a não participar do processo de escolha do seu governador, depois de ter sido candidato (e derrotado), soa egoísta e antidemocrático.

       O Segundo Turno

       O eleitor tocantinense vai experimentar pela segunda vez o gostinho de votar em dois turnos, expectativa também para as eleições ordinárias de outubro. A única eleição em dois turnos aqui no Estado foi em 1990. No primeiro turno Moisés Avelino (PMDB) obteve 49,12% dos votos, Moisés Abrão (PDC) 37,33%, Ary Valadão (PDS) 10,51% e Célio Moura (PT) 3,04%. No segundo turno os votos do Ary e do Célio se dividiram, mas a vitória ficou fácil para Avelino que obteve mais de 10% de frente no primeiro turno.

       Hoje, sexta-feira (8), tem início o programa eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e TV para o pleito do dia 24 de junho. Um período de 17 dias de campanha, onde o Governador Mauro Carlesse e o Senador Vicentinho Alves devem trabalhar em três frentes.

       A primeira para manter o grupo aliado responsável pela chegada ao segundo turno. Uma segunda linha de ação deve focar em agregar novos eleitores, aqueles que no primeiro turno apoiaram os concorrentes. E uma terceira estratégia, desafiadora, será motivar o eleitor que deixou de votar no primeiro turno a comparecer às urnas.

       Vicentinho terá que trabalhar (articular) muito para manter o grupo de apoio, isso é fato, pois alguns aliados já estão descendo do ‘bonde’. Dificuldade maior ainda será agregar novos aliados, considerando que não se encaixa no perfil do “novo” e nem mais do “filho da terra”, uma vez que perdeu em Porto Nacional, sua cidade natal e onde foi prefeito.

       No primeiro turno a campanha de Vicentinho teve uma articulação política bem orquestrada pelo ex-deputado federal Eduardo Gomes e passa a contar, no segundo turno, com o reforço de marketing da Agencia Public.

       Mauro Carlesse, com seu jeito simples, parece mesmo ter nascido ‘virado pra lua’. Está sempre no lugar certo e na hora certa. Logo no primeiro mandato assumiu a presidência da Assembleia Legislativa e com a cassação de Marcelo Miranda se tornou Governador Interino.

       Venceu o primeiro turno das eleições suplementares contra dois senadores da republica e um ex-prefeito da capital, que inclusive foi o mais votado nos dois principais colégios eleitorais do Estado (Palmas e Araguaína).

       A vitória de Carlesse teve base sólida na gestão do governo, curta e simples, mas com resultados positivos. Contou também com a insatisfação da população, especialmente do funcionalismo público, que já não suportavam mais a instabilidade no Tocantins com mais um troca-troca de governador. E, é claro, a força dos deputados aliados (estaduais e federais).

       Para o segundo turno já conseguiu ampliar sua base de apoio entre os deputados estaduais e agregou novos prefeitos como aliados. Certamente quem surfou ou pretende surfar na “Onda Carlesse” procuram a mesma praia... A Praia da Estabilidade.