Educação: “O” Caminho para o Desenvolvimento?

  • 06/Mai/2018 15h56
    Atualizado em: 06/Mai/2018 às 15h59).
Educação: “O” Caminho para o Desenvolvimento? Foto: Divulgação


Estamos tão acostumados com o discurso corrente de que “só pode haver desenvolvimento através da Educação”, que a resposta que darei agora para a pergunta do título pode parecer muito estranha, especialmente vinda de um educador que já foi secretário de Educação. A reposta é: a Educação é o caminho, “vírgula”. Isso significa dizer que o processo de escolarização é um dos componentes para que haja o desenvolvimento regional, mas nunca o único responsável. Atribuir o fardo da exclusividade à Educação é distrair a sociedade do que de fato pode garantir a superação das desigualdades e o estabelecimento de índices positivos de qualidade de vida nos contextos regionais.

Sem sombra de dúvida, o investimento em Educação é muito importante. Afinal, qual é o principal objetivo revelado, em regra, para o processo de escolarização? Formar crianças e jovens sempre mais inteligentes, aptos a responderem aos desafios de sua época. Se se incrementa a esse objetivo o desenvolvimento de habilidades que permitam a essas crianças e jovens darem as devidas respostas de seu tempo numa perspectiva sustentável, recuperando e preservando os recursos naturais e dando sobrevida ao planeta Terra, melhor ainda será o processo. Para isso, os investimentos são fundamentais.

Teoricamente, o percentual definido constitucionalmente no Brasil para que a união, os estados e os municípios invistam em Educação é significativo: 25% de seus orçamentos. Porém, o orçamento se constitui sobre arrecadação e previsão de arrecadação, além de constituir uma receita que pode ser duramente afetada pelo conjunto das despesas. É o que acontece hoje no Estado do Tocantins, por exemplo. De todo modo, a aplicação séria, justa, criativa e bem planejada desses recursos já garante uma base bastante sólida para que as nossas crianças e os nossos jovens sejam pessoas sempre melhor formadas.

Acontece que a Educação, por si só, não é capaz de garantir a superação das desigualdades sócio-territoriais e o necessário desenvolvimento regional enquanto demandas coletivas. Se o governo não realiza um planejamento integrado que associe às políticas educacionais uma política de trabalho, emprego e renda; uma política de assistência social às famílias de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social; uma política de cultura e lazer que complemente o seu processo formativo com diversão e arte; uma política de ciência e tecnologia que apresente os fundamentos de soluções tecnológicas de base territorial; enfim, uma política de desenvolvimento local/regional que sistematize as possibilidades para o desenvolvimento a partir das potencialidades territoriais, de nada terá valido SOCIALMENTE a boa experiência escolar.

Não obstante, para as individualidades tudo isso é muito importante. Um jovem bem formado, crítico-criativo, é capaz de se arranjar em qualquer lugar que lhe ofereça oportunidade. Se ele for desapegado do vínculo orgânico com o seu espaço de criação, tanto mais fácil. Só que isso, obviamente, não colabora para que haja nesse lugar e nessa região o desenvolvimento que se espera, e sim, a sua decadência, com o intenso processo de migração dos jovens. Por isso, é fundamental que associada à política educacional, haja sempre o suporte de outras tantas políticas. Ao conjunto dessas políticas que se associam através de um planejamento integrado e estratégico se dá o nome de políticas territoriais e é a sua operação a grande responsável para que o desenvolvimento incida sobre o território.

* Por Adão Francisco de Oliveira,  historiador e sociólogo, doutor em Geografia, professor da UFT e ex-Secretário Estadual de Educação, Juventude e Esportes do Tocantins.