Em coletiva à imprensa, secretário da Saúde fala da situação financeira da pasta

  • 01/Mai/2018 12h21
    Atualizado em: 01/Mai/2018 às 14h22).
Em coletiva à imprensa, secretário da Saúde fala da situação financeira da pasta Foto:

O secretário de estado da Saúde, Renato Jayme, reuniu a imprensa para uma coletiva a fim de apresentar a real situação financeira da pasta.

Conforme Renato, o débito acumulado nos últimos dez anos com fornecedores, prestadores de serviços, falta de repasses aos municípios e outras despesas chega a R$ 138.691.858,90. Além do corte orçamentário que ficou em R$ 284 milhões.

A previsão de receita para manutenção do sistema público de saúde é de R$ 437 milhões, por ano. Entretanto, houve um corte de cerca de um terço desse valor, ou seja, R$ 284 milhões. Apenas R$ 153 milhões foi aprovado pela Assembleia Legislativa. Essa frustração de receita, somada à dívida de R$ 138 milhões, deixou a pasta com déficit financeiro de R$ 418 milhões, informou Renato.

Diante desse quadro crítico, o secretário informou que o programa “Opera Tocantins”, que objetiva reduzir a fila de espera de pacientes por cirurgias seletivas através de mutirões, deverá ser reajustado. “O programa até poderia ser afetado por essa questão da dívida. Nós estamos com um grupo de estudos e vamos discutir essa semana como e quando vai acontecer. Mas a situação é crítica, não sei se a gente vai conseguir fazer”, disse Renato Jayme. “Pode ser que venha aí um atraso, um remanejamento. Porque a gente precisa primeiro criar condições. Não adianta fazer cirurgias se não tiver material, se não tiver medicamentos, se não tiver leitos”, argumentou o secretário.

Conforme informou o secretário, do total de R$ 138 milhões da dívida acumulada, R$ 13 milhões são referentes à falta de repasses aos municípios para custeio das Unidades de Pronto Atendimento (Upas), Samu, Farmácia Básica, Centros de Atenção Psicossociais (CAP’s), Hospitais de Pequeno Porte (HPP), bem como para a promoção de serviços de Média e Alta Complexidade (MAC).

“Esse repasse não estava sendo realizado com a frequência necessária. O que gera lá no município uma demanda maior, e essa demanda acaba sendo encaminhada para nossa rede hospitalar, nos hospitais de referência. Isso também é uma coisa muito crítica que encarece, às vezes tumultua e cria um índice de ocupação cada vez maior”, ressaltou.

Segundo Renato, a saúde do Estado enfrenta esse problema financeiro, além da falta de medicamentos, leitos e ambulâncias pela falta de priorização das gestões passadas. “O motivo de ter gerado essa dívida e essa redução orçamentária na Saúde, foi a falta de prioridade da gestão. Existia projetos muito bem elaborados, porém, não havia uma vontade política e um senso de prioridade na saúde”, afirmou o secretário.

Ainda conforme o secretário, após o levantamento, o governo visa agora encontrar saídas para resolver os desafios encontrados. “Nós temos que buscar alternativas, mas a realidade é que a situação é muito crítica e muito difícil de se resolver”, afirmou, acrescentando que o objetivo é fortalecer a saúde nos municípios para desafogar os hospitais de referência, principalmente o Hospital Geral de Palmas (HGP).

Conforme Renato, nesse primeiro momento, a equipe está ajustando os gastos e desenvolvendo um plano emergencial para criar um cronograma financeiro, onde apenas as despesas essenciais serão contempladas. “Nós temos uma consciência de uma dívida, uma consciência de uma redução orçamentária e temos fornecedores que prestam serviços. Acho que nesse momento vai ser feito o diálogo e o alinhamento para que não sejam paralisados os serviços, até que nós possamos buscar as soluções necessárias. O que não pode é parar”, finalizou.