Dada a largada rumo ao segundo turno das eleições suplementares.

  • 24/Abr/2018 11h54
    Atualizado em: 24/Abr/2018 às 12h15).
Dada a largada rumo ao segundo turno das eleições suplementares. Foto:

     Ricardo Abalém Jr.

     As convenções que definiram os candidatos ao governo do Tocantins para as eleições diretas de 3 de junho foram mesmo cheias de surpresas, mas uma coisa elas apontaram claramente: haverá segundo turno na eleição suplementar.
     Dos 13 nomes que se apresentaram como pré-candidatos ao Governo do Tocantins, 7 conseguiram (em convenção) o aval partidário para registro de suas candidaturas. Se os registros serão homologados, saberemos em 5 cinco dias. Se serão questionados no TRE ou se o Tribunal vai indeferir algum deles, só dia 18 de maio pra saber.
     Marcelo Miranda (MDB), Carlos Amastha (PSB), Katia Abreu (PDT), Ataídes Oliveira (PSDB), Ronaldo Dimas (PR), Mauro Carlesse (PHS), Paulo Mourão (PT), Marlon Reis (REDE), Vicentinho Alves (PR), Marcos Souza (PRTB), Osires Damaso (PSC), Janad Valcari (PMB) e Mário Lúcio (PSOL), todos se apresentaram, em algum momento, como pré-candidatos ao governo do Tocantins.
     Mas as baixas nesse elenco começaram ainda em março, quando o Tribunal Superior Eleitoral cassou o mandato do então governador Marcelo Miranda. A decisão deixará Marcelo inelegível novamente.
     Ronaldo Dimas estava bem avaliado perante a opinião pública, mas não se sentiu seguro nas mãos do senador Vicentinho e resolveu permanecer na Prefeitura de Araguaína.
     Ataídes Oliveira, que também correria o risco de ter sua candidatura judicializada, percebeu que o PSDB estava dividido e resolveu liberar a turma. Afinal não conseguiu unir o partido e nem comandar nenhuma das alas tucanas. Uma seguirá Carlesse, outra Amastha, e uma parte segue com Vicentinho.
     Paulo Mourão, que preferiu permanecer fiel ao PT (mesmo sabendo da ligação do partido com a senadora Kátia), desistiu da disputa e não foi visto em nenhuma convenção.
     Osires Damaso, que viabilizaria sua candidatura com a estrutura política e o tempo de TV do MDB, também recuou quando os modebas se retiraram ‘oficialmente’ do processo. Janad Valcari desistiu e aportou no palanque de Vicentinho.
     Dos 13 nomes, restaram somente 7 postulantes ao Palácio Araguaia. Dois deles terão que buscar o aval da justiça para manter seus registros de candidatura. O ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha e a senadora Katia Abreu.
     Mesmo havendo divergências nas interpretações jurídicas sobre os dois casos, a sinalização da justiça (aqui no Tocantins) é que se trata de duas matérias distintas. A situação de Amastha é prevista na Constituição, e a situação de Kátia, somente na legislação eleitoral. Mesmo assim a decisão virá dos tribunais, antes mesmo da votação popular (é o que se espera).
     Digamos que os 7 registrados permaneçam na disputa até o final do primeiro turno. Como seria esse cenário, do ponto de vista político e partidário?
     Não há como fazer uma leitura quanto as candidaturas de Marlon Reis, Mario Lúcio e Marcos Souza. São marinheiros de primeira viagem e não possuem nenhuma estrutura partidária, com musculatura, envolvida em suas campanhas. São candidaturas - governador e vice - de um único partido, a chamada “chapa puro sangue”. Resta saber se por opção ou por não conseguir agregar outras siglas.
     Faremos uma avaliação rápida das 4 principais candidaturas. Claro que chamamos de “principais” pela estrutura partidária (coligações) e os apoios (lideres) declarados, jamais pela qualidade pessoal de cada candidato. Todos são dignos de respeito e exercem um direito Constitucional.
     O governador interino Mauro Carlesse sem dúvida saiu na frente. Montou uma coligação partidária ampla, com apoio declarado de líderes expressivos e conta ainda com a estrutura do Palácio Araguaia e da Assembleia Legislativa.
     Prenunciou para outubro uma composição fortíssima para o Senado, com os pré-candidatos Siqueira Campos (DEM) e Cesar Halum (PRB), e garantiu o apoio dos deputados federais Lazaro Botelho (PP), Cesar Halum (PRB), Carlos Gaguim (DEM), Dorinha Seabra (DEM), e, tudo indica que pode também conquistar o apoio de Dulce Miranda (MDB). Exceto Halum, todos são candidatos à reeleição.
     Escolheu como vice um deputado estadual do seu partido, Wanderlei Barbosa. Filho do primeiro prefeito de Palmas e principal detentor do legado político da família, Wanderlei, estrategicamente fortalece a candidatura de Carlesse na capital. Coligação: PHS, DEM, PP, PRB, PPS, PTC e PMN.
     O senador Vicentinho Alves reuniu em sua convenção 72 prefeitos, mas perdeu musculatura partidária com a saída do PP, PRB, Avante, PPS e DEM (que estavam praticamente alinhados com o republicano).
     Para reequilibrar as forças, regionalmente, o senador buscou um vice de Araguaína – vereador Divino Bethânia Jr (PROS) - e confirmou Eduardo Gomes (SD) como candidato ao Senado na eleição ordinária. Vicentinho se fortalece na região norte e na capital. Os deputados federais, Vicentinho Junior (PR) e Josi Nunes (PROS) engrossam as fileiras da campanha.
     Mesmo sem o apoio oficial do MDB, a presença na convenção de toda a bancada de deputados estaduais e de diversos prefeitos - como o ex-governador Moisés Avelino (Paraíso) - é um indicativo que a maioria dos emedebistas acompanhará o senador. Coligação: PR, PROS, SD, PMB e PPL.
     A composição em torno da candidatura da senadora Kátia Abreu ganhou um reforço de última hora, com o apoio do deputado estadual e pré-candidato ao governo, Osires Damaso (PSC).
     A baixa também veio no último momento. O PT local não conseguiu chegar a um acordo com a senadora, que não quis conversa sobre composição ou promessas. Acordo dela mesmo só com a nacional (efetivar Donizete no Senado, se eleita no dia 3 ou 24 de junho). O PT correu para os braços de Amastha, mas a senadora confiou na nacional que já tornou nula a convenção do PT Tocantins e a legenda poderá ficar neutra nessa eleição, a exemplo do MDB, PSDB e PV.
     Kátia tem como vice o empresário Marco Antônio Costa (PSD), companheiro de longa data e que já foi seu suplente no Senado Federal. Costa reforça a campanha em Palmas. Coligação: PDT, PSD, PEN, Avante e PSC.
     Carlos Amastha preparou uma festa no espaço cultural, com direito ao cenário de um terminal rodoviário para recebê-lo, e inclusive chegou de ônibus. Nem todos entenderam, mas tudo bem. Um ‘gaiato’ gritou lá atrás, “é porque ele está de passagem...”, o brasileiro é ligeiro na criatividade quando se trata de fazer piada. Mas o Marcelinho (marqueteiro) caprichou na estrutura.
     O ex-prefeito de Palmas chegou acompanhado da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), que havia saído da reunião do seu partido, onde buscou – sem sucesso - apoio para Amastha. Subiram no palanque em clima de festa, mas o alto astral durou pouco mais de 30 minutos após a chegada do líder.
     No meio do discurso do Amastha, uma comitiva formada por Adir Gentil, Júnior Coimbra, Ricardo Ayres e alguns secretários municipais, desceu correndo do palanque para recepcionar os ‘refugiados’ petistas (com bandeira do Lula e tudo mais). Surpresa geral, alguns líderes desceram do palanque na hora que o petista Célio Moura e o deputado “Zé Roberto Lula” (nome parlamentar) subiram com a bandeira “Lula Livre”. A foto do Amastha (PSB) segurando a bandeira do Lula, ao lado da Cinthia (PSDB) circulou (bombou) nas redes sociais o dia inteiro. Deve ter chegado aos presidenciáveis Geraldo Alckmin e Joaquim Barbosa.
     A indicação de Moura para a vice pegou todos de surpresa, inclusive integrantes do conselho político do ex-prefeito que haviam aclamado o nome do petebista José Geraldo no início da tarde. Mas como a ordem era agregar tempo de TV para a campanha, valia tudo.
     Amastha vai tocar uma campanha turbulenta (mesmo de ônibus). Antes até que o seu registro seja questionado, terá que fazer a nacional do PT mudar de ideia e permitir a coligação. Mas não será fácil. A lealdade de Kátia à Dilma, no momento mais difícil do PT, pode fazer com que o Partido dos Trabalhadores decida não permitir que o seu tempo de TV seja usado contra a senadora, que pode a qualquer momento ampliar a base do PT no Senado Federal – apenas se licenciando para o suplente Donizete Nogueira (PT) assumir.
     E se tudo der certo, Amastha terá que lidar com o desgaste do PT após a prisão de Lula e o choque entre as correntes partidárias em sua base de apoio. Ainda não se sabe se a vantagem de Amastha nas pesquisas, feitas antes da sua renúncia, será suficiente para equilibrar a balança com a nova situação. Coligação: PSB, PTB, PCdoB, Podemos e *PT (caso a determinação da nacional não tenha efeito).
     Com os registros no TRE as coligações e partidos, que lançaram seus candidatos, começam imediatamente a campanha eleitoral. O tempo é muito curto e, embora o primeiro passo seja chegar ao segundo turno, será necessário manter a diplomacia, afinal, no segundo turno os adversários de agora poderão estar abraçadinhos nos palanques. Só pra registrar...