Corram... a disputa ao Senado vem aí!

  • 19/Fev/2018 22h31
    Atualizado em: 19/Fev/2018 às 22h58).
Corram... a disputa ao Senado vem aí! Foto:

Ricardo Abalem Jr


É determinante em nosso modo de vida moderno a influência Romana, mesmo 2.771 anos depois da fundação do Senatus Romanus. A linguagem, os Códigos de Leis e principalmente a Política tiveram os preceitos básicos romanos arraigados pelo tempo.
O termo em latim senātus deriva de senex: "homem velho". Portanto, senado significa, literalmente, "conselho de anciãos". Foram eles os responsáveis pelos primeiros passos na nova Roma, até que decidiram pela eleição de um único líder.
Se compararmos a e(in)volução do Senado, desde os Anciãos das tribos de Lácio, vamos identificar uma trajetória em busca do poder, pelo poder. Assim como a religião e a cultura de Roma, a Política também se adaptou para sobreviver. E aqui no Brasil (de hoje) os políticos não fogem a essa regra. Parecem até camaleões.
O Senado brasileiro é um palco de atrações que revela atores na mesma linhagem, só trocaram as togas pelos ternos. Mas mantem os mesmos propósitos (ou deveria?). 
Na era Monárquica, a principal função do Senatus era selecionar os futuros reis. O Conselho dava o aval inicial as candidaturas, uma vez eleito pelo povo o novo Rei era novamente sabatinado pelo colegiado. Na fase Republicana, os senadores exerciam suas funções em carácter vitalício. O senado romano controlava a justiça, as finanças públicas, as questões religiosas e dirigia a política externa. Mas durante o Império Romano, o senado foi reduzido a 5% dos seus membros (600 para 30), período identificado pelos historiadores como o mais eficaz do colegiado. Talvez esse enxugamento hoje também nos permitisse avançar por aqui.
Mas o que percebemos, especialmente folheando os 12 Regimentos Internos do Senado Brasileiro, desde 1826, é que os artigos são mais para garantir os direitos dos membros da chamada Câmara Alta e dos funcionários privilegiadíssimos daquela casa, do que realmente estabelecer deveres aos que deveriam representar nossas tribos (estados) com a mesma intenção dos Conselhos de Anciãos que precederam a era romana. Emprestar, nesse estágio da vida - maturidade e vivencia política -, através dos seus conhecimentos para construir um Brasil melhor para as futuras gerações, deveria ser o foco. E acredito que temos muita gente de bem pronta para isso (independentemente da idade). Falta mesmo é eleitor com capacidade para discernir.
Porque ser Senador da República? Para ostentar o cargo mais nobre das representações políticas? Ou para se aproveitar do magnífico orçamento anual de R$ 4.250.987.696,00, dos quais R$ 3.609.552.498,00 são gastos só com pessoal e encargos? Poderíamos também citar os R$ 10.132.194,00 gastos com Assistência Pré-Escolar aos Dependentes dos Servidores Civis, Empregados e Militares ou a Ajuda de Custo para Moradia ou Auxílio-Moradia a Agentes Públicos em Brasília que nos custa R$ 1.356.738,00.
Sinceramente, gostaria de acreditar que as alternativas acima estivessem todas incorretas e um quadradinho, escrito ao lado: “quero ser Senador para doar meus conhecimentos a esse País maravilhoso – sem salários ou privilégios”... aparecesse para assinalar. Já sei, é Utopia.
Eu acredito na essência da arte de fazer política, o que está desacreditado na maioria dos brasileiros é a decência em grande parte dos políticos. Mas cada povo tem o líder que merece, afinal o elegeu. Enquanto o povo se mantiver permissível e/ou corrupto, votando por vantagens pessoais; enquanto existir funcionário público assinando notas frias ou sentando em cima de processos esperando uma propina; parlamentares trocando emendas com prefeituras por apoio ou com instituições do terceiro setor por “coisa pior”.... fica difícil cobrar representantes melhores.
Mas vamos falar sobre as eleições por aqui. No Tocantins o processo de 2018 será mesmo único. Até no quesito composições, as ordens podem estabelecer um novo paralelo (e não é o 13 do meu amigo Edson). Nas eleições anteriores, além da polarização de forças em duas frentes, outro aspecto uníssono era a escolha dos candidatos ao senado. Uma espécie de tabuleiro de xadrez era posta a mesa e de acordo com a influência, região e potencial ($) dos interessados se fechavam as composições. Muitos inclusive dormiam candidatos e acordavam aos prantos sentados à beira da calçada. Era o peso da caneta ou o medo da pancada que norteavam essas definições.
Mas um cenário diferente vem se aflorando. Em 2016 não se ouvia falar muito na disputa pelo Palácio Araguaia, até porque a coisa já estava feia para o lado do executivo e a situação econômica nacional não oferecia boas perspectivas.
Naquele momento as duas vagas para o Senado enchiam os olhos de gregos e troianos. Teve gente que disputou a prefeitura em 2016 convidando seus vices e já estabelecendo até data de saída para se candidatar a uma das vagas em 2018. E não foi só um prefeito não.
Muitos que saracoteavam como pré-candidatos ao senado não imaginavam (até meados de 2017) que outros líderes tradicionais da política tocantinense estariam também interessados na disputa. Até então era natural construir perspectivas num cenário com os atuais senadores Ataídes (PSDB) e Vicentinho (PR) e com os deputados federais Cesar Halum (PRB) e Carlos Gaguim (sem partido), que já adiantavam essa intenção. Nomes como Siqueira Campos (DEM), Moisés Avelino (MDB) e Eduardo Gomes (SD) surgiram depois e serão decisivos para finalizar as coligações. Inclusive, quanto ao Dr. Moisés acho que ele não tem dúvida do seu potencial para a disputa, porém deve lhe incomodar mesmo a incerteza se o MDB lhe daria a vaga.
Outras candidaturas foram lançadas recentemente. Alan Barbiero (PSB) e os candidatos do PRTB, Marcelo Claudio e Fernando Storni. Provavelmente alguns pré-candidatos ao governo podem recuar e se encaixar na disputa pelo senado, como seria o caso de Paulo Mourão (PT) (considerando a proximidade do PT com a senadora Katia Abreu). Assim como outros pretensos candidatos podem surgir, como Luana Ribeiro - PDT (que estaria disposta, se na chapa de Ronado Dimas) e Raul Filho (PR) (que sempre sonhou com a Toga, digo Terno).
Fato importante mesmo é que os candidatos ao senado terão – pela primeira vez - um papel diferente na estrutura das campanhas dos que pretendem se aportar na Praça dos Girassóis.
Os senadores tocantinenses sempre foram eleitos meio que a reboque, mas dessa vez pode ser diferente. Quando se vislumbra uma disputa em três ou quarto frentes efetivamente capazes de chegar ao segundo turno, como previmos para 2018, o valor dos aliados conta e conta muito. Eleição estadual é diferente da municipal, grupo faz a diferença.
Nesse cenário – dado ao histórico dos atuais pré-candidatos ao senado - pode se imaginar que alguns não serão rebocados pelos candidatos a governador e sim, podem abrir portas para alguns deles.
É Importante lembrar que são dois votos para senador. A maioria tem seu candidato preferido, mas acabará votando em mais um. E acredito ser esse o fiel da balança, o “x” da questão. Se todos os pré-candidatos que cito nesse editorial se confirmarem na disputa, poderemos ter mais senador eleito pela força do segundo voto, do que pela preferência do primeiro voto.
Para o eleitor seria um festival de opções. Para os candidatos, ao equacionar esse cenário, pode ser um balde de agua fria na maioria. Tem muito tubarão e as águas são rasas e cristalinas.
Como eu digo desde 2016... corram que a disputa pelo senado no Tocantins vem aí...