O dia em que o morro descer e não for carnaval

  • 19/Fev/2018 11h33
    Atualizado em: 19/Fev/2018 às 11h37).
O dia em que o morro descer e não for carnaval Foto: Divulgação

No ano de 1966, o saudoso sambista Wilson das Neves, falecido no dia 26 de Agosto deste mesmo ano, compôs em parceria com Paulo César Pinheiro a música “O DIA EM QUE O MORRO DESCER E NÃO FOR CARNAVAL”. Seria uma profecia em forma de samba?

Pois bem, atualmente o Rio de Janeiro passa por uma Intervenção Federal na Segurança Pública, um contingente de 5 mil homens das Forças Armadas, sendo uma participação ostensiva desses militares. Enfatizo aqui, a letra integral dessa canção. (*Por Rafael Dias)


"O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)

No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for carnaval"