OS DESAFIOS DO JOVEM ADVOGADO

  • 12/Fev/2018 10h56
    Atualizado em: 12/Fev/2018 às 11h05).
OS DESAFIOS DO JOVEM ADVOGADO Foto: Divulgação

Caríssimos internautas! Honrado pelo convite, proponho-me a ser, neste celebrado veículo noticioso, um humilde escriba, cujo propósito é somar a essa plêiade de notórios profissionais da imprensa, a fim de retratar, neste artigo de estréia, alguns desafios da advocacia brasileira, mormente sobre o jovem advogado.
Para não restar duvida, explicarei o que vem a ser o jovem advogado, instituído em 2015, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a qual criou o Plano Nacional de Apoio ao Jovem Advogado, benefício que alcança o profissional com até cinco anos de OAB e incluem, segundo a Ordem, tópicos como educação jurídica e defesa das prerrogativas. Portanto, jovem advogado não é apenas aquele que possui pouca idade, mas os que estão em início de carreira.

O ex-presidente nacional da OAB, Dr. Marcus Vinícios Furtado Coêlho, por ocasião do estabelecimento do projeto, enfatizou: “Aprovamos um importantíssimo provimento, que dialoga diretamente com 40% da advocacia brasileira. Da mesma forma que esta gestão constrói grandes vitórias para a advocacia pública e para a mulher advogada, por exemplo, agora se estabelece um marco para o advogado iniciante na carreira”, destacou.

Esse artigo de opinião é da lavra de um ex-servidor público federal que há pouco menos de 01 (um) ano conquistou a chave para o ingresso no mundo jurídico através da advocacia. Aliás, ser aprovado no exame da Ordem costuma ser a principal preocupação do bacharel em direito recém-egresso da faculdade, não obstante o alto índice de reprovação dos candidatos, os vencedores da pugna pós-exame nutrem com uma preocupação extra: seu futuro prático na profissão. Explico, no entanto: a advocacia apresenta-se como um nicho cada vez mais competitivo exigindo do jovem advogado muito mais que uma boa formação acadêmica.

Muito se comenta o método de como o advogado deve proceder ao divulgar os seus serviços e resultados para a população em geral. Contudo, devemos sempre nos voltar às normas para desvendar quaisquer tipos de dúvidas. O artigo 28 do Código de Ética e Disciplina da OAB é claro ao versar que: “O advogado pode anunciar os seus serviços profissionais, individual ou coletivamente, com discrição e moderação, para finalidade exclusivamente informativa, vedada a divulgação em conjunto com outra atividade”. (grifo meu)

O jovem advogado, portanto, com raras exceções, é bom que se ressalte, não consegue de imediato uma vasta clientela, tendo que herculeamente trilhar seu caminho sob a esperança de dias melhores, isto é, captação ética de clientela, falta de experiência, gastos excessivos com a manutenção do trabalho, pouco “networking“, baixas remunerações, calotes de clientes, e o tão almejado e ao mesmo tempo demorado resultado positivo em suas ações, faz com que o resultado prático de tudo isso seja a desvalorização, que leva à desistência de uns ou o aceite de condições não condizentes com a profissão por outros e, com isso, o recuo de profissionais em seguir na profissão.

No que se refere às dificuldades enfrentadas pelos jovens advogados tocantinenses, fora os estorvos acima elencadas, uma delas está em conseguir pagar uma anuidade elevadíssima, uma vez que à vista ou parcelado em três vezes no cartão de crédito é cobrado R$ 611,00 (seiscentos e onze reais), porém no boleto bancário dividido em 10 vezes esse valor eleva-se para R$940,00 (novecentos e quarenta reais). Ora, na capital do País, por exemplo, onde quase tudo é superfaturado, uma anuidade à vista ao jovem advogado fica ao preço de R$ 350,00 (trezentos e cinqüenta reais), ao passo que parcelada o valor ascende para R$ 400,00(quatrocentos reais).

Outro polêmico tema e que afeta o dia-a-dia do advogado é a implantação do alvará eletrônico, dispositivo criado pelo Tribunal de Justiça, através de portaria, que é um descumprimento flagrante da garantia legal (Código de Processo Civil e Estatuto da Advocacia da OAB) de que o advogado tem o direito de representação processual do cliente, quando munido de procuração ad juditia. Essa violação, no entanto, impõe ao advogado o prejuízo de não receber seus honorários no momento da expedição do alvará judicial, visto que o advogado representa o cliente durante todo o processo, mas na hora de receber o alvará não tem poderes para isso, afetando diretamente o recebimento dos seus honorários, que possui NATUREZA ALIMENTAR, conforme a súmula vinculante nº 47 do STF.

A priori, é perceptível entre advogados, o descontentamento com a implantação do alvará eletrônico no Tocantins, bem como a ausência de tomada de medidas mais enérgicas dos dirigentes da OAB-TO para que fosse revista essa implantação tão prejudicial aos advogados tocantinenses.
Pois bem, migrando de assunto e analisando perfunctoriamente, concordo com as palavras do Presidente do Conselho Federal da OAB, Dr. Cláudio Lamachia, que diz: “A jovem advocacia é o presente magnífico, mas também representa o futuro promissor da OAB.” E para almejar sucesso na advocacia, destaco alguns requisitos essenciais. Vamos a eles:

Estudo: Este é o primeiro requisito para uma advocacia de sucesso, porquanto uma advocacia de ponta requer muito preparo. E, se não gosta de estudar, repense se é o caminho da advocacia que você quer seguir.

Networking: O grande desafio do advogado é conseguir clientes, portanto, ser visto é o melhor networking que um advogado possa ter.

Ter visão empreendedora: Empreendedorismo é a palavra da vez nos negócios. É através dessa capacidade que o advogado cria seu diferencial, se posiciona estrategicamente e começa uma carreira de sucesso.

Construa sua reputação com calma e paciência: A construção da sua reputação é um trabalho diário. Para isso, procure trabalhar da forma mais transparente e eficaz possível, mantendo um bom relacionamento com seus clientes e parceiros.

Tenha orgulho em ser advogado: Seja um advogado por escolha e não falta de opção.

Nas palavras de Rui Barbosa em sua obra intitulada “Orações aos Moços”, na qual dá conselhos e expõe sua convicção sobre o exercício da profissão aos formandos da turma de 1920 da Faculdade de Direito de São Paulo:

“Mas, senhores, os que madrugam no ler, convém madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o refletir. O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas idéias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas.”

Diante dessa perspectiva, resta ao jovem advogado entender o poder e a responsabilidade em suas mãos. Resta a nós, jovens advogados, demonstrar a classe e a sociedade que ser jovem advogado não é sinônimo de desconhecimento, por mais difícil que sejam os caminhos a serem percorridos ao sucesso, porém, o nosso sucesso só depende de nós mesmos.


Thiago Marcos Barbosa de Carvalho
Advogado-OAB-TO Nº 8321
e servidor público.
E-mail: thiagombarbosa.advogado@gmail.com