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Que Rei sou eu?

23/02/2015 14h18 | Atualizado em: 23/02/2015 14h21

Fábula

Tucunaré gostava de sombra e água fresca, inteligente e habilidoso considerado estrategista, recebera do supremo Tupã o desígnio para ser o Deus da Briga e da Guerra. Seu culto atraía muita gente, pois primava pela exasperação ao combate e a intriga, isto, um dos seus principais alvitre.

Lá no antigamente a Depressão do Araguaia transforma-se em uma planície de solos aluvionares, com topografia plana de altitudes entre 200 e 250 m. Passagem ocorrida no Grande Dilúvio da era Noé, da onde a graúda cratera fora soterrada pelas águas barrentas em voçorocas. Este sítio daí em diante passa a ser conhecida por Ilha do Bananal, popularmente entre os Javaés como: Iny òlòna, o lugar de onde surgiram os humanos, ou Ijata òlòna, o lugar de onde surgiram as bananas.

Nesta época Tucunaré era um sacerdote do povo que deu raiz de origem aos Inys.

A teologia desses primitivos Inys girava em torno do politeísmo, isto é, existiam diversos deuses e deusas. Havia uma hierarquia de divindades, com Tupã o rei dos deuses, mantendo certo nível de controle sobre todos os outros.

Cada divindade geralmente mantinha um domínio sobre determinado aspecto da natureza. Tucunaré por exemplo, controlava os rios e lagos. Peurê, Deus do Céu. Sumá deusa da arte e da agricultura. Outras divindades exerciam seu domínio sobre o abstrato, a Caupé, deusa da beleza e do amor, e Rudá, o deus do amor.
Embora fossem imortais, na mitologia Iny, os deuses não eram onipotentes, como estamos assistindo acontecer no Reinado Central Brasileiro.
Os Inys obedeciam ao destino, que se impunha a todos eles.

Tupã, mesmo sendo rei dos reis e das rainhas, lá no fundo morria de inveja de Tucunaré, que além de muito esbelto, bonito e senhor de uma bocarra que deixava todas as fêmeas instigadas a beijá-lo. Tucunaré praticava ádvenas missas, sua onipotência sobre seus opositores e os mais fracos, causava revolta até no Anhangá, deus das trevas, deidade suprema dos Infernos. Levedura e álibi perfeito para Tupã castigá-lo e pra tal, ajusta Jaci, conhecedora profunda das atitudes dos homens para coordenar esse Deus-nos-acuda, empreitada repassada a Yara, a deusa dos serenos rios e lagos.

Yara no artifício da sedução atrai os incautos ao seu interesse entoando uma canção acompanhada de uma melodiosa musica penetrante, entra nas entranhas do miolo.

E engana-se quem pensa que a bela e dona de uma madeixa dourada, a Yara é voltada apenas a encantamento. Prova disso é que Tucunaré não resistindo as graças e desejos pela sereia, pula no Rio Loroti para pegá-la.

Lá nas profundezas do rio, Tucunaré, seduzido pela canção, atordoado pelo perfume e pelo corpo de Yara perde os sentidos. Tupã perde a paciência e no entrevero desnuda Tucunaré, transformando-o em um peixe bocudo.

Jaci, há muito tempo apaixonada pelo Tucunaré, então com pena, põe o corporativismo celestial em operação, leva Tambatajá, deus de amor e protetor de todos os perigos, até o amado, para fazê-lo um peixe diferenciado, gravando um falso olho na rabeira e faixas transversais no corpo, como mecanismos de camuflagem para enganar futuros inimigos.

Deste feitio, descendentes do nosso Tucunaré povoam o Rio Loroti, chegaram ao Rio Javaés, daí migram para o lagos Butelo, Lago Escondido e Mamão. Em seguida os Tucunarés dominam todas as águas da planice do Araguaia, rumam para a bacia do Tocantins e Amazonas.
No Tocantins, o Rio do Loroti, berço dos Tucunarés, lá na Ilha do Formoso, os Tucunarés, brotam como águas nas ribanceiras dos rios.

Peixe

O nome vem do Tupi "tucun" (árvore) e "aré" (amigo), ou "amigo da árvore", ou seja, até hoje gosta de uma sombra e agua fresca. Varios são os Tucunarés conhecidos lá pras bandas mencionadas: Pitanga, Tinga, Putanga, Açu e comum.

Sua carne é de qualidade excepcional, considerada nobre e para paladar requintado. Entre os pescadores, o mais perfeito para a prática da pescaria.
Assim: o Tucunaré o rei da pesca esportiva é também o rei da carne de pescado para todos aqueles que tiveram o privilégio de degustá-lo.

Ele tem como habitat natural a bacia amazônica, atualmente presente em lagos do sudeste e nordeste.

O tucunaré é uma espécie territorial e sedentária, não realiza longas migrações. Quando os rios estão com as águas baixas, habitam principalmente as lagoas marginais, partindo para a mata inundada durante as cheias.

Os tucunarés têm hábitos diurnos, eles dormem rente ao chão e apenas quando está escuro.

Fazem uma espécie de ninho utilizando pequenas pedras, tem período de reprodução alongado. Normalmente a fêmea fica tomando conta do local, enquanto que o macho circula em volta para evitar a entrada de intrusos no seu raio de ação. Os filhotes de tucunaré são protegidos pelos pais até atingirem aproximadamente dois meses de idade e um comprimento médio de 6 cm. Enquanto estão protegidos pelos pais, os alevinos não possuem a pinta na cauda, uma das características mais marcantes no tucunaré. Nessa ocasião, predomina uma faixa preta longitudinal ao longo do corpo. Apenas quando se separam, começam a aparecer tanto a pinta como as listras verticais. Nesta ocasião habitam as vegetações nas margens. Os filhotes, após serem abandonados pelos pais seguem aos milhares, em cardume, para regiões de águas quentes se protegendo em locais de densa vegetação.

O tucunaré é um peixe carnívoro, por isso, geralmente se utiliza o sistema de cultivo desta espécie juntamente com algum forrageiro (peixe do qual o tucunaré se alimenta, como lambari e tilápia). Esse é um método bastante simples, mas que apresenta problemas quanto ao manejo, pois não é possível saber se os peixes estão se alimentando corretamente nem a quantidade de alimento que se encontra disponível.

Estas dificuldades geralmente levam a um baixo crescimento dos peixes e uma frustração por parte dos piscicultores, quando o objetivo é uma criação comercial.
O oferecimento de ração ao tucunaré é possível, desde que os alevinos (filhotes de peixes) estejam treinados a se alimentar com ração comercial, como ocorre atualmente com o pintado e o cachara, que também são peixes carnívoros. Algumas pisciculturas de cria vendem alevinos de tucunarés treinados a comerem ração.