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CARANHA DE NATAL

22/12/2014 16h16 | Atualizado em: 22/12/2014 16h22

Divulgação

Delícias do fim de ano


Mas! Em nome da saúde, o povo de hoje quer comer muito, alimentos de qualidade e aquele não engordante. Criar barriga, então, nem pensar! Todos querem estar bem na fita e apresentar imagem de feitura bonita. Manter a forma é o juízo antecipado, feito no altar da existência.
Importunando e fazendo a pergunta: Você já elegeu os pratos para a sua ceia de Natal e fim de ano?
O brasileiro é um povo sortudo, tem matula pra tudo que cobiça! Levando pro lado da tradição, podemos falar que a ceia de Natal e Fim de Ano deságua várias opções e o cardápio abastado, sendo o peru, o bruster, o chester, o frango caipira, a leitoa e a caranha assada algumas das provisões priorizadas no meu falatório.
Caranha assada? Sim senhor ou e senhora!
Como são muitas as opções, bem planejar e, maiormente com antecedência, tem suas virtudes. Mas fale a verdade: você sabe o que é um bruster? Já viu um chester vivo? Igualmente como a nossa, sua resposta para esses questionamentos deve ter sido um sonoro “não”. Por isso, lancei-me a uma investigação: com a incumbência de apontar a diferença entre perus, chesters e brusters (os dois últimos, quase lendas urbanas).
Quanto ao frango caipira e leitoa pururuca (os dois, realidades do Brasil sertanejo) e a caranha assada, virtude tocantinense, igualmente serão aludidas.
O primeiro passo foi entrar em contato com empresas que vendem as aves congeladas. Depois de cerca de três horas entre conversas com assessorias de imprensa, telefonistas e recados não respondidos, renunciei. Não consegui nenhum representante das companhias disponível para comentários sobre a questão.
Recorri, então, a pesquisar na internet e sobre o assunto encontrei o chef Floriano Spiess, que, pelo métier, já deve ter assado sua parcela de aves natalinas e fala com conhecimento de causa. Veja o que ele teceu:

Chester, segundo o próprio Apiess, esse galinhão é uma ave da espécie Gallus Gallus Domesticus, a mesma da galinha poedeira e do frango comum. O animal foi melhorado geneticamente e selecionado para maior rendimento. Abatido em idade maior do que a do frango de granja e menor entre as galinhas comuns, de uma carne mais suculenta, mas com um sabor mais suave. Uma ave fornida, digamos assim. Cerca de 60% do peso da ave é de carne de peito e, por isso, o prato é recomendado para as pessoas que apreciam o corte.

Peru, outra espécie - Meleagris Gallopavo, da ordem Galliformes. E de onde vem a tradição de comer peru no Natal? Possivelmente veio dos Estados Unidos, onde é prato obrigatório na festa de Ação de Graças. Quanto ao paladar, a característica marcante do peru é o sabor forte. O gosto lembra muito as carnes de caça, como javali e pato. A maciez vai depender do modo de preparo: a dica é preparar sempre em fogo baixo.

Bruster, da mesma espécie do chester e do frango (Gallus Gallus Domesticus). O sabor é suave e, o tamanho, um diferencial. Essa ave atinge o dobro de tamanho de um frango normal. É tipo um frangão melhorado criado em granja.
Quanto ao frango caipira e a leitoa, hoje no Brasil afora é prosaico e bem comum, onde eu mesmo farei as considerações, pela sabedoria roceira adquirida no meu tempo de boiadeiro de galinhas e de porcos.
De modo que, comer o ronca e fuça é costume vindo lá das Minas Gerias, era mania dos portugueses, donde nas suas festas natalinas e entrada de ano não faltavam tal iguaria. Costumes fortalecidos pela crença onde a ladainha popular aconselha comer na entrada do ano tudo aquilo que vai pra frente, que não cisca e nem que anda pra trás. Comer carne de porco significa, ainda, prosperidade, fecundidade, tudo que é bom.
O costume de comer as penosas, também, viera junto com os portugueses e até hoje cheira a era do jeca tatu. Conta a história que no Brasil Império de Dom João VI, os galináceos foram objeto de inflação, mas aí, como não tinha nem rádio e nem televisão, não prosperou a falação.
Pra alcançar tal virtude de saúde e com afeição de comer muito, nomeadamente nas festanças natalinas e princípio de ano, sugiro a caranha assada. Além de prato autêntico, de origem do território tocantino que determinado pela reputação de suas características, consiste em possível proteção legal contra uso de terceiros, em termos de propriedade industrial.

Caranha do Tocantins

Batizado em Tupi é Karãna e cientificamente de Piaractus brachypomus, da mesma família dos pacus e o tambaqui.
O animal foi escolhido por ser natural do Rio Tocantins, de fácil captura, apresenta bom rendimento de carcaça, cerca de 75%, carne clara, suculenta, sabor suave e de todo produzidos em criames.
E de onde vem a tradição de comer caranha assada, principalmente no Natal?
Possivelmente, lá ainda no século 19 d.C., era matula certeira dos ribeirinhos e barqueiros que zanzavam no Rio Tocantins, transformando em prato obrigatório nos almoços de Natal e entrada de ano.
Recomendado para ser consumido assado na grelha em folha de bananeira ou alumínio, sempre em fogo baixo. Temperos e suas variedades a gosto.