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Apapá Branco

09/09/2014 16h10 | Atualizado em: 09/09/2014 16h15

Divulgação
O Sardinhão Branco

Os bicharedos da geografia, aqueles que gostam de fazer livros pra vender pro governo federal e estadual lá da capital dos livreiros, minutam que o Brasil tem doze grandes bacias hidrográficas. Sete destas bacias têm o nome de seus rios principais: Amazonas, Tocantins, Paraná, São Francisco, Parnaíba, Paraguai e Uruguai; as outras são agrupamentos de vários rios, não tendo um rio principal como eixo e por isso são chamadas de bacias agrupadas, juntando as águas das chuvas.
É um mundaréu de água, qualidade que não poderia ser diferente, a não ser o país do mundaréu de espécies de peixes. É tanto peixe que dá coceira de inveja ao mundo todo, pretexto de olhos gordos e rechonchudos dos peçonhentos Aracnídeos Gigantes que rodam nossas águas, inimigos do Boitatá, Curupira e até o Saci-perere.
Neste jequi de mais de 230 espécies de importância econômica para o Brasil, apresento o Apapá Branco, que além de ser um importante peixe para a diversificação da cadeia aquicola brasileira, mas também um excelente produto para a indústria sardinheira brasileira, que tem no seu ambiente natural um estoque comprometidamente baixo.
A autora Delphine Perret conta em seu livro como as sardinhas escaparam da dominação humana e migraram para o mar. Narra que antigamente, as latas de sardinhas eram os frutos de uma árvore conhecida por sardinheira. Uma iguaria tão nobre que somente o governo tinha o direito de cultivá-las e come-las.
Um dia, Luizinho, menino traquino, sonhava em ter um pé de sardinhas, decide desobedecer às regras e pegar um ramo da árvore para plantar em seu quintal.
Luizinho, hoje amigo do Zezinho e do Joãozinho, plantou. E não é que pegou.
E as sardinhas não pararam por aí, descrevem outros autores, presentemente elas estão freqüentando as reuniões importantes do Palácio do Planalto, ganharam lugar cativo e acabou sendo incorporada como item da cesta básica brasileira. Migraram da Classe D e alojou-se na Nobre e cobiçada Classe C.
Quanto aos sardinheiros, dizendo eles. “Levamos 50 anos para consolidar a cadeia produtiva de sardinha”. Diga-se, da porteira pra fora.
Com olhar caolho das autoridades, os sardinheiros, pescaram quase todas as sardinhas da costa brasileira, venderam barato, não fizeram manejo do estoque natural, perderam as mudas. Aí tem que recorrer à velha chave inglesa, pediram autorização para importar o peixe congelado, com alíquota abaixo do porão dos barcos pesqueiros, de 2%.
O principal comprovador para toda esta boa vontade do governo a favor da importação de sardinhas e justificado pela perda de mais de 10 mil empregos na indústria de sardinha nas regiões Sudeste e Sul do País
Que indigência pai d égua e insustentável.
Só no nosso quintal, nas águas do Tocantins, dono de mais de duas dúzias de espécies de peixes, top model para fabricação de sardinhas. Com a faculdade de substituírem espécies em oração, e gerar mais de 300 mil empregos, possibilitar uma movimentação financeira maior que R$ 10 bilhões anualmente. Sem contudo esquecer, que daqui pode sair as 110 mil toneladas para manter os 10 mil empregos lá no Sul.
E o melhor disso tudo, o local para produção deste colossal tesouro, esta no centro do Brasil, no Estado do Tocantins, túnel acessível para auferir empreendedores de todos os cantos e recantos do planeta, que queiram produzir e industrializar de sardinhas.
E como forma de entusiasmar esta coisa, apresento de fato o Apapá-branco da família Pristigasteridae e batizado nas nossas águas de Pellona flavipinnis. Alguns estudiosos a classificam como que pertencente a família Clupeidae.

Características do Apapá-branco
Pela população ribeirinha recebe o nome de Apapá-branco, sardinhão-branco, sardinha e tubarana. 
Corpo alongado, comprimido lateralmente, pode chegar a 50 cm, coberto de escamas que lhe dão coloração peculiar, prateada no tronco e na cor escurecida ao redor da boca. Boca pequena voltada para cima e em placas, que em muito dificultam as ferradas. 

Ecologia do Apapá-branco
Ocorrência: encontrado nas bacias dos rios Araguaia – Tocantins e Amazonas.
Habitat: espécies de água doce são peixes pelágicos (superfície e meia água), ocorrendo em rios, lagos e matas inundadas.
Hábitos: pequenos cardumes de Apapá são comuns em corredeiras. Gosta de ficar na espreita de pequenos peixes na superfície da água, durante as horas crepusculares.
Alimentação: carnívoros, consome pequenos peixes e insetos. Treinados podem comer rações de carnívoros.
Reprodução: fecundação externa, desova total no inicio da enchente. Em igarapés ou margens inundadas pode fazer desova parcelada.
Acredito que aceita hipofização (inseminação artificial) sem dificuldade. 
Status de conservação: não ameaçado
Importância: principalmente para as indústria de sardinhas. 
Dicas de pesca: pescar o ano todo em locais com corredeiras, locais de barranco alto ou em curvas de rio onde a turbulência da água forma rebojos. 
Iscas: atacam iscas artificiais e naturais. São ariscas e dão saltos acrobáticos.