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Pirarara

18/08/2014 15h07 | Atualizado em: 18/08/2014 15h13

Divulgação
O Tubarão da água doce

Nas historietas contadas pelo Mestre Tapuia, uma ferrou minhas idéias pra sempre e vem chacolejando meu prumo. Trata-se da lenda do peixe Pirarara.
Conforme reza a narração de Tapuia, Pirarara era um grande guerreiro dos antepassados dos Indios Javaés, da Nação Iny, ocupante de uma extensa fossa tectônica. Hoje, Planície do Rio Araguaia.
O Velho Tapuia tinha aparência indígena, mas jurava de pé que não era índio. Contar causos e a carapinagem de canoas e gamelas de pau Landi era sua vocação. Vivia nas cercanias do Furo d´Pau, localidade existente abaixo da barra do Rio Loroti com Rio Javaé, na Ilha do Bananal.
Voltando ao guerreiro Pirarara, muito cestoso, não gostava de ser contrariado. Constantemente pressionava o Supremo Tribunal dos Pagés – STP da tribo a investir contra o Estado democrático de direito dos índios opositores ou considerados não amigos. Diante disso as perversidades e as tocaias eram caprichadas e habituais. “Seja qual for a parecença aqui presentemente, a gangada é legítima a semelhança ”
Continuando a prosa, conta o Velho Tapuia, que enquanto o pai de Pirarara, o Cacique Pindarô visitava uma tribo vizinha, o jovem guerreiro aproveitou do andamento para tomar como prisioneiros e ordenar execuções de índios da própria aldeia, que achava não amigos.
Outra esparrela prosaica de Pirarara era criticar os deuses. Nhandaruvuçu o Deus dos deuses, por um longo tempo observava tudo. Cansado daquele comportamento chamou Tupã e ordenou que assustasse o guerreiro com seus mais poderosos relâmpagos. Chamou também Iururaruaçú, a deusa das torrentes, e ordenou-lhe derramar as mais fortes tempestades sobre Pirarara, que na ocasião estava a maltratar seus não amigos na proximidade da aldeia. O fogo de Tupã fora visto por léguas de floresta.
O Mestre Tapuia ressalta na conversa, que Pirarara ao perceber as ondas furiosas do rio e ouvir a voz enraivecida de Tupã, ignorou-as, soltando debochadas risadas e palavras de desprezo. Tal situação obriga Tupã a intensificar as descargas elétricas ultra-robustas e furiosos trovões sobre Pirarara, que pulava, corria, fingindo-se de arara por entre os galhos das árvores de landis, canjeranas e camaçaris. Nisso a mata cheia de luz, um relâmpago fulmina seu coração, que mesmo assim recusa-se a pedir perdão.
Todos aqueles que se estavam com Pirarara, correram para as casas terrivelmentes assustados, enquanto seu corpo vivo, mas morto de alma, foi levado pelas enxurradas para as profundezas do Rio Javaés, de onde surge transformado por Xandoré, o demônio que odeia os homens, em um enorme e briguento bagre.
Pirarara, agora um peixe desalmado, cesto maldoso, de vez em quando retorna para emboscar um e continuar o terror da região.


Características do Peixe Pirarara 
Ágil, de graúda resistência física, violento impulso muscular, tolerância à dor e grande capacidade de recuperação dos ferimentos. Sobressai-se pela coragem, vigor, robustez, incansável persistência, agressividade, habilidade para lutar ao ser fisgado e morder. Diante de sua força, pode colocar em risco pessoas e outros animais. Possui muita energia e pouca vontade, além de necessidade, de praticar atividades físicas. Não é recomendado ao aquarismo em casa com criança pequena.
O Pirarara é considerado por muitos o Tubarão da Água Doce ou Pit Bull das águas amazônicas, capaz de vencer oponentes duas ou até três vezes maiores.
O Pirarara é um bicho da família dos Pimelodidae, fora batizado de Phractocephalus hemioliopteru. Possui corpo de couro, roliço, largo na frente, afilado na traseira, com superfície dorsal ossificada e granulada. Pode alcançar 1.100 mm de comprimento e pesar até 40 kg. Tem cabeça achatada longa e larga, olho arredondado pequeno, possuindo três pares de barbilhões, um na maxila e dois na mandíbula. Nadadeira peitoral curta, adiposa com base larga. Cauda truncada e amarelada. É um dos peixes de couro mais coloridos das bacias Araguaia-Tocantins e Amazônia. Sua coloração é muito bonita, sendo o dorso castanho esverdeado, os flancos amarelados e o ventre esbranquiçado.


Etimologia
Pirarara, em Tupi-Guarani: pira, pi´rá peixe e arara, ara´ra, ave da família dos Psitacídios do Brasil.

Ocorrência
Bacias dos rios Araguaia – Tocantins e Amazônica.

Habitat
Remansos, poços no canal dos rios, baixios de praias, lagos e matas inundadas, em águas com pH de 5,5 a 6,8 e temperaturas entre 20 a 27º C.

Hábitos
Espécie fluvial de couro com tem como hábito se aquecer ao sol durante o dia, próximo à superfície. Em alguns locais, como no Rio Javaé, chegam a colocar a nadadeira dorsal para fora da água.

Reprodução
Desova total na enchente, fecundidade até 300 mil ovócitos. Nos periodos de reprodução, realiza migração reprodutiva rio acima, a partir do início da enchente.
O híbrido Cachapira, oriundo do cruzamento do Cachara e o Pirarara, é uma das raças desenvolvidas pela piscicultura, tendo como uma das qualidades necessárias fundamentais, a completa falta de agressividade contra seres humanos.

Alimentação
Come de tudo. E muito. Consome peixes, tartarugas, crustáceos, frutos (ajuda a dispersão de sementes) e até animais mortos em decomposição.

Ameaças
Pesca predatória, destruição do habitat e poluição.

Importância
Comercial

Entre as mais variadas formas de comercialização, pode ser encontrado sem cabeça e eviscerado, filé e em postas. Apresenta carne de coloração avermelhada, de textura firme e com sabor pouco acentuado, baixo teor de gordura e ausência de espinhos intramusculares, o que a torna adequada aos mais variados usos e preparos, agradando ao mais exigente e requintado paladar.

Pesca
A pesca mais usual é feita com iscas naturais (peixes inteiros ou em filés, por exemplo, de traíra ou piranha-caju). Em situações especiais podem ser pegos com iscas artificiais, pois, quando estão em áreas rasas, atacam colheres e plugs de meia água.
A melhor hora para capturá-los é no início da noite e a melhor época começa em maio, se estendendo até outubro, período em que os rios estão em seu leito normal.

Dicas
Pode ser capturado na calha e na confluência dos rios, especialmente na época de seca. Prefira as áreas que não tenham muito enrosco para não correr o risco de perder o peixe.
Os Pirararas são mestres em correr para as galhadas de sarãs e para locas de pedras.

Equipamentos
Equipamento do tipo pesado com linhas de 30 a 50 lb. Os anzóis mais utilizados são os de n° 8/0 a 14/0, por causa da grande boca da pirarara.
Deve-se utilizar chumbada que possa correr na linha, tendo seu peso variando de acordo com a profundidade do pesqueiro, da correnteza. Pode-se pescar na rodada ou ancorado.