Carta ao Salomão

Melhorou ou piorou?

23/02/2017 09h54 | Atualizado em: 23/02/2017 10h01

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Nem o impeachment, nem a derrota vergonhosa nas urnas, nem o fato de ter seus malfeitos desmascarados pela Lava Jato parecem ter ensinado alguma coisa ao PT. Agora na oposição, o partido insiste na velha tática de tentar enganar o povo torcendo a realidade. O discurso, dessa vez, é que o Brasil piorou no governo Temer. Será mesmo? Os números não mentem – quem mente são as pessoas, como já dizia o ex-presidente Itamar Franco. Basta fazer um comparativo entre indicadores econômicos do período pós-impeachment e os do governo Dilma.

Selic: no fim da era PT, a taxa básica de juros era de escandalosos 14,25%; hoje a taxa está em 13%, com previsão de queda para um dígito até o final deste ano. Inflação: 10,67% de inflação foi um dos presentes que a ex-presidente Dilma deixou ao povo brasileiro; esse índice hoje é de 5,35%, com tendência de queda.

Relevante, também, é a redução no pagamento dos juros da dívida pública, que chegou à cifra impressionante de R$ 4,270 trilhões no “reinado” petista. Em 2015, o Brasil pagou R$501 bilhões de juros da dívida. Em 2016, esse pagamento caiu para R$407 bilhões. Mais um número: a nossa balança comercial, de R$20 bilhões em 2015, foi para R$48 bilhões em 2016.

Será que o Brasil melhorou ou piorou?

É bom, ainda, destacar os prejuízos com o swap cambial, ou seja, com as intervenções do Banco Central no mercado do dólar. Em 2015, o Brasil perdeu R$ 89,7 bilhões com o swap cambial. Em 2016, a situação se inverteu; houve um lucro de R$ 75,6 bilhões.
Outro dado que merece atenção: em 2015, tivemos uma receita corrente líquida de R$ 1,221 bilhão, uma queda de 6,4% em relação ao ano anterior. A profundidade da crise legada pelo PT impôs perdas também em 2016, mas, depois do impeachment, a queda de receita recuou para 2,97%.
As perdas na poupança doméstica também recuaram. Em 2015, o aperto financeiro fez muita gente limpar suas reservas para pagar dívidas, escola, aluguel e outras contas pessoais. O resultado ficou negativo em R$53,56 bilhões. Em 2016, as perdas na poupança caíram para R$40,7 bilhões.

E a Petrobras, que foi arrasada na era PT? A empresa saiu de uma dívida de R$ 510 bilhões, ao final de 2015, pra R$ 361 bilhões, já no final de setembro de 2016. As ações aumentaram mais de 160% no final do ano. Quanto aos programas sociais, eles não apenas foram mantidos pelo governo Temer, como foram ampliados. O Fies, por exemplo, teve investimento elevado de R$ 14,8 bilhões para R$ 20,8 bilhões, de 2015 para 2016. O Cartão Reforma, lançado recentemente, vai injetar R$ 500 milhões na economia.

Vale a pena conferir, ainda, a evolução do Risco Brasil – quanto maior a pontuação, menor a credibilidade do país no mercado internacional. Pois de 462 pontos, em março de 2016, o Risco Brasil caiu para 282 pontos em janeiro deste ano. O Ibovespa, por sua vez, pulou de 40 mil pontos, em fevereiro de 2016, para 66 mil pontos, em fevereiro deste ano. Quanto maiores os pontos, melhores são os negócios.

O Brasil melhorou ou piorou? A conclusão é óbvia.

Não dá para fazer milagres, ainda mais depois de uma crise sem precedentes, alimentada pela irresponsabilidade e pelos desmandos do PT. O desemprego ainda é absurdo. E a única saída para equilibrar as contas da Previdência – que já registra um déficit de R$ 149 bilhões – é uma reforma radical. Reforma que o governo Temer já teve a coragem de mandar para o Congresso Nacional e que precisa ser aprovada com a maior urgência se quisermos tornar o sistema sustentável.

Também é essencial aprovar outras reformas estruturantes, que o PT não foi capaz de levar adiante em quase 14 anos de governo. A retomada do emprego passa por uma ampla reforma trabalhista e a recuperação econômica exige uma reforma tributária profunda, capaz de dar fôlego novo a investimentos produtivos.

Ainda há muito a ser feito para corrigir os rumos do Brasil. Mas estamos, aos poucos, saindo do pesadelo em que fomos mergulhados na era PT. O povo não se deixa mais enganar por discursos mentirosos e populistas. (Ataídes Oliveira -Senador pelo PSDB/TO)