Carta ao Salomão

Amastha mais perto do Palácio Araguaia

08/10/2016 11h40 | Atualizado em: 08/10/2016 11h45

Foto: Arquivo O Jornal
Ruy Bucar
Ruy Bucar
Prefeito reeleito de Palmas sai das urnas fortalecido, e pode ser um páreo duro para a senadora Kátia Abreu que já está na fila

Ruy Bucar

O prefeito reeleito de Palmas Carlos Amastha (PSB) foi um dos grandes vitoriosos destas eleições. O prefeito não apenas se reelegeu com certa tranquilidade, como conseguiu derrotar de uma só vez os maiores líderes políticos do Estado. O governador Marcelo Miranda (PMDB), os ex-governadores Siqueira Campos e Carlos Henrique Gaguim (PTN), os senadores Vicentinho Alves (PR) e Kátia Abreu (PMDB), sem falar nos adversários diretos, a vice-governadora Cláudia Lelis (PV), e o ex-prefeito de Palmas Raul Filho (PR), que não conseguiram nem de longe ameaçar o projeto de reeleição do colombiano.

Amastha teve uma eleição consagradora. Obteve 68.634 votos dos 145.487 eleitores que compareceram às urnas no domingo, o que corresponde a 52,38% dos votos válidos, quase o dobro dos votos do segundo colocado, Raul Filho (PR), que conquistou 31,43% dos votos. Uma vitória folgada, proporcionalmente maior que a eleição passada, em 2012, quando Amastha foi eleito com 49,65% dos votos válidos. Naquele pleito o segundo colocado, Marcelo Lelis (PV) alcançou o percentual de 43,24% dos votos válidos.

Este resultado também refletiu na eleição dos vereadores. A coligação do prefeito conseguiu eleger sete parlamentares contra dois da eleição passada. De sobra emplacou o afilhado Tiago Andrino (PSB) como o segundo mais votado. Com este resultado Amastha desponta no cenário estadual como um líder emergente sobre o qual recai a responsabilidade de comandar um novo capítulo da história política no Estado pós-derrocada das velhas oligarquias que vinham se revezando no poder até aqui. Só por ser prefeito da Capital Amastha já está a meio caminho do Palácio Araguaia.

O atual inquilino do Palácio, o governador Marcelo Miranda (PMDB) que ocupa o cargo vive um momento especialmente delicado, com popularidade em baixa e pouca inspiração para virar o jogo. Miranda talvez tenha sido o maior derrotado nestas eleições. Ainda que seu partido tenha feito o maior número de prefeituras, as grandes cidades que têm peso eleitoral para decidir as eleições – Palmas, Araguaína e Gurupi – permanecem nas mãos da oposição. Marcelo perdeu, sobretudo, a oportunidade de se exercitar politicamente. No interior, onde apareceu ajudou mais aos adversários do que aos aliados. Seu governo anda tão ruim que seu apoio se não dispensado, foi pouco solicitado.

Miranda, que já foi considerado o melhor governador, hoje figura como o pior governador da história do Tocantins e um dos piores do Brasil. Segue a reboque da crise sem coragem de tomar medidas para a recuperação financeira do Estado. Ao optar por trazer secretários de fora tomou a decisão de se divorciar da realidade e tapar os ouvidos aos clamores populares. Nestas condições não terá fôlego para enfrentar 2018 e não será nenhuma surpresa se fizer como o velho Siqueira, renunciar para tentar forçar alguma mudança. Com a renúncia, Siqueira encerrou de forma melancólica sua longa carreira de sucesso e mando político. Marcelo não está longe disso.

Desgastado, Miranda não terá força para fazer a primeira dama e deputada federal Dulce Miranda, governadora, que é o seu mais profundo desejo, cada vez mais difícil de ser realizado.
O fim das oligarquias abre espaço para uma nova geração de líderes. Amastha é o mais bem posicionado no momento. Seu partido, o PSB, ampliou o seu poder no Estado saindo de três para sete prefeituras. Venceu na Capital e no terceiro maior colégio eleitoral, Gurupi, e compõe a vice do segundo maior colégio, Araguaína e em vários municípios. Tem apoio à direita e à esquerda e ambição de sobra. Mas não está sozinho. Os senadores Vicentinho Alves (PR) e Kátia Abreu (PMDB) e os prefeitos reeleitos de Araguaína, Ronaldo Dimas (PR) e de Gurupi, Laurez Moreira (PSB), são nomes com projeção estadual pelos quais passa a eleição do novo governador do Estado.

Marcelo Miranda também vai ter um nome nesta disputa, ainda que seja para perder. Marcelo terá que se contentar com uma cadeira no Senado, isso se ainda conseguir fazer alguma coisa. Os ex-governadores Carlos Henrique Gaguim (PTN), e Sandoval Cardoso (SD), pela votação que obtiveram na disputa pelo Palácio Araguaia devem, obrigatoriamente, serem incluídos nessa lista. Ambos seguramente desejam retornar ao Palácio Araguaia, mas dificilmente terão apoio político para essa empreitada. O senador Ataídes Oliveira (PSDB) não conta. É um senador biônico, sem voto e sem carisma para conquistar o eleitor.

Se as eleições fossem hoje poderia se prever um embate entre Kátia e Amastha, os dois nomes com melhor desenvoltura na política do Estado. Kátia, a líder do agronegócio que tem projeção nacional. Aliados próximos dizem que para a senadora conquistar o Palácio Araguaia bastaria disputar as eleições. O que aumenta a possibilidade de ocorrer na medida em que o seu sonho de disputar a Presidência da República perder alento, como vem acontecendo.

Amastha o novo, que surgiu como fenômeno eleitoral e tenta se firmar como um gestor criterioso, antenado com os novos tempos, em que as rede sociais são instrumentos estratégicos de gestão, mas também de marketing político. Seria uma disputa em pé de igualdade. Os dois de direita, bons gestores, ricos e vaidosos.

Mas a eleição não é hoje, e até 2018 muita coisa pode acontecer. O mais importante é compreender o recado de agora das urnas para prever o que pode acontecer. Nesse sentido o recado parece claro. O eleitor de uma forma ou de outra disse não às velhas oligarquias. Ou seja, é o momento do novo. Se não tão novo, pelo menos diferente do que aí está e já não consegue mais atender as aspirações da sociedade tocantinense.