Carta ao Salomão

Quem pode desbancar o Amastha?Raul Filho e Cláudia Lelis são os candidatos com melhores condições políticas de apear o prefeito do poder

10/09/2016 17h18 | Atualizado em: 10/08/2016 17h25

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O ex-prefeito Raul Filho (PR) conseguiu uma proeza política. Juntar no seu palanque, adversários históricos e aliados de última hora, todos, motivados pelo mesmo desejo: derrotar o prefeito Carlos Amastha (PSB). Entram nesta lista o ex-governador Siqueira Campos (sem partido), os senadores Vicentinho Alves (PR) e Kátia Abreu (PMDB), os deputados federais Carlos Henrique Gaguim (PTN), Irajá Abreu (PSD) e Dorinha Seabra Rezende (DEM), o presidente da Assembleia Legislativa Osires Damaso (PSC), a deputada Luana Ribeiro (PDT), dentre outros.
Raul Filho é de longe o candidato que mais incomoda o prefeito Carlos Amastha (PSB). E não é pra menos. Bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto e talvez por isso tenha conseguido formar uma frente partidária tão ampla. Ao todo oito partidos integram a aliança Coragem Pra Fazer Diferente que são (PR, DEM, PSC, PTN, PSD, PDT, PPL e PT do B). Uma demonstração de força política e garantia de tempo na televisão. Um dado importante numa eleição que pode ser decidida pelo palanque eletrônico.
O republicano reúne as melhores condições, no momento, para desbancar o prefeito Amastha. Mas tem um problema pela frente. A inelegibilidade que persegue os seus passos. Se conseguir superar este processo será um forte candidato a polarizar com o prefeito e quem sabe, superá-lo nas urnas. Sairá fortalecido deste processo e com condições reais de assumir a dianteira da disputa e se manter na liderança. Se não conseguir, pode contribuir para fortalecer o favoritismo do prefeito.

A vice-governadora Cláudia Lelis (PV) começou cedo a pré-campanha. Trabalhou muito e mostrou determinação. Não conseguiu deslanchar, mas surpreendeu na reta final das convenções ao reunir uma grande frente partidária formada por nada menos que 12 partidos (PV, PMDB, SD, PP, PPS, PSDC, PROS, PRB, REDE, PRTB, PHS e PMB), o apoio do governador Marcelo Miranda (PMDB), dos deputados estaduais Wanderlei Barbosa (SD) e Eli Borges (PROS), dos ex-deputados federais Eduardo Gomes (SD) e Júnior Coimbra, além do ex-deputado Marcelo Lelis (PV), o nome com maior apelo popular em Palmas.

Cláudia Lelis saiu fortalecida da convenção, não propriamente por sua capacidade de articulação, mas pela inconsistência de outros pré-candidatos como o empresário Fabiano Parafusos (PRB) que desistiu da empreitada logo após passar na convenção e deixou o seu grupo à deriva. Sem nenhum esforço Cláudia ganhou o apoio do SD, PROS e do REDE. Se o Raul Filho não conseguir superar a inelegibilidade Cláudia Lelis pode assumir a posição de polarizar com o prefeito Carlos Amastha e se tornar o nome capaz de derrotá-lo.

Nesta condição Cláudia Lelis pode atrair apoio das forças políticas dominantes que vêm buscando se articular para tentar derrotar o “estrangeiro” que é visto como uma grande ameaça ao domínio dos grupos políticos tradicionais. Com Raul no páreo Cláudia terá que trabalhar muito para sua campanha deslanchar e não será fácil. Ela paga o ônus da impopularidade do governo e não tem o benefício de ser governo.

No pelotão de trás dois candidatos, deputado Zé Roberto (PT) e o ex-deputado Sargento Aragão (PEN) travam uma luta desesperada para pontuar nas pesquisas e ganhar direito de participar dos debates na TV. Zé Roberto entrou na disputa para tentar marcar pontos para o PT e ganhar alguma visibilidade para sua reeleição de deputado. Sua candidatura faz parte da estratégia de sobrevivência do PT que busca disputar todos os cargos para não encolher.
Já o ex-deputado e ex-vice-prefeito de Palmas Sargento Aragão tem uma briga pessoal com o prefeito. Sua única motivação é tentar derrotar o ex-aliado que se transformou em inimigo. Nessa ânsia de derrotar o prefeito Aragão pode ajudar na sua reeleição. É que dividindo os votos da oposição Aragão contribui para viabilizar o candidato da situação. Os dois têm chances remotas.

O prefeito Carlos Amastha ainda é considerado o favorito na disputa, mas já não é mais o candidato imbatível como apregoa seus aliados. O prefeito acumula desgaste e divide com Raul Filho a liderança nas pesquisas. Resultado talvez de sua postura personalista, egocêntrica e autossuficiente. Perder o apoio da senadora Kátia Abreu foi um erro estratégico difícil de reparar. Com muito tempo na televisão o prefeito parece apostar todas as suas fichas no palanque eletrônico. Na eleição passada funcionou, resta saber agora em que terá todos contra ele.