Carta ao Salomão

Amigo, guia, conselheiro e confessor

23/09/2015 14h21 | Atualizado em: 23/09/2015 14h23

Foto: Reprodução
Olá, mestre Salomão!
Meu grande amigo, guia, conselheiro e confessor. Esta foto que você tanto gostava, com o Aurélio vestindo a camisa do Atlético Goianiense abraçado por mim, é uma lembrança e uma homenagem à sua pessoa.
Sentimos muito sua ausência, mas espiritualmente você está presente entre nós, nos nossos bate-papos, nos nossos aperitivos, acompanhados de petiscos que só nosso Tocantins pode nos proporcionar. No entanto, faz-me falta os seus conselhos e as suas opiniões que nortearam muitas das minhas tomadas de decisões, tanto políticas quanto pessoais. Até das suas broncas sinto falta.
Ao invés de falar só em política, gostaria de contar alguns “causos” acontecidos com Salomão e amigos.
Comecemos esse nosso “trololó”, como você falava, colocando nas mãos de Deus o nosso Dragão, Atlético Goianiense. Que murrinha, heim?! Esse time não sai de perto da degola, só quer saber de cair pra Terceirona? Estamos todos, eu, Roberto Sahium, Epitácio Brandão, José Augusto, Geraldo e Lico, sofrendo mais que “bituca nas mãos de bêbado” por causa do nosso time. Por favor, avisa aí aos – agora – seus, que fiz uma promessa de não beber durante três fins de semana e ir à missa nos três domingos, se o Dragão não cair. Fala pra Eles darem uma forcinha aí que aqui em baixo a coisa tá desandando.
Olha o sacrifício a que me proponho! Olha a gravidade da situação! Quem me conhece sabe que me proponho a sofrer, sofrer muito, pela nossa causa.
Ajuda aí!
Mais um causo: certa feita, no Rio de Janeiro, acompanhado de todos os amigos que citei acima, fomos ver o jogo do Vasco e Atlético no Estádio São Januário. Após o jogo, o deputado José Augusto cantava bem alto em todos os lugares: “É ou não é piada de salão, time de português querer ser campeão”. Só ouvia xingatórios.
Em São Paulo, jogo Atlético e Corinthians no Pacaembu, o Salomão comprou ingressos, só que foi no lado da torcida corintiana. Nesse dia, o Dragão marcou 3 gols só no primeiro tempo, e cada gol marcado, seu primo Torres, 2 metros de altura e da largura de um guarda-roupa vibrava. Tão logo a torcida nos descobriu disse que ia nos dar um “cacete”. Moral da história: tivemos de sair escoltados do estádio pela polícia, que queriam tomar a câmera fotográfica do Sidney Madalena. Pegamos um taxi e corremos para o hotel. Não posso nem ver mais camisa do Corinthians que eu arrepio.
Agora sim, meu amigo, podemos falar de outros assuntos. Quero novamente lhe parabenizar pela sua escolha amorosa. Sua Joana vem dando conta do recado assim como você sempre previu. Seu “O Jornal” continua servindo de farol moral e ético da imprensa tocantinense. Apesar das dificuldades, seu veículo continua vivo, sua palavra, sua alma ainda chega às mãos dos leitores tocantinenses, graças ao empenho e a dedicação da companheira e do seu filho Aurélio – filho de peixe, peixinho é mesmo! – que não medem esforços para manter seu sonho vivo, seu coração pulsante e sua credibilidade intacta.
E olha que nos tempos atuais, tempos sem Salomão, as coisas não vão nada bem no nosso Tocantins.
Falando só um pouquinho da política, posso dizer, assim como você previu, Marcelo Miranda teve dois sentimentos: a alegria da vitória e a tristeza da descoberta da situação das finanças estaduais. E olha que a tristeza parece ter sido bem maior que a alegria. Afinal, como dizia você, meu amigo, o problema é o tamanho do problema!
Isso só aumenta a minha admiração por você, que vislumbrou, anteviu, praticamente todo o cenário político que se descortina nestes dias. Quando você falou em “excesso de bondade” dos nossos governadores, eu confesso que não dei muita “trela”, mas, hoje, sei que foi isso que nos impediu de estar melhores.
Quando nossos governadores deixaram o coração falar na hora de atender aos caprichos de certas categorias, abriram mão do controle do caixa e, por essas e outras, chegamos onde estamos.
Menos mal para os gestores tocantinenses, que o cerne de toda essa bagunça política esteja em Brasília, no governo federal, onde a Dilma enfiou os pés pelas mãos, mexeu na economia e o nosso Brasil desandou de vez.
Se o nosso Dragão nos põe o medo do rebaixamento para a terceira divisão no futebol, o dragão da inflação já rebaixou nossa economia a níveis que nem você poderia prever. Até a CPMF quer voltar, imagina!
O povo tá revoltado e não se satisfaz mais com o simples protesto. Nos computadores, os eleitores estão se comunicando com muita facilidade, e vai ser difícil conter as massas...
Meu mestre Salomão, como você faz falta! Como seus conselhos seriam proveitosos nos dias que o nosso PMDB enfrenta, hoje, no Tocantins!
Os dias, que eram de racha total, hoje são de indefinição, de disputa pelo poder, de ver quem pode mais que quem...
Na Câmara Municipal, na condição de suplente, pude voltar aos meus discursos, sentir pulsar o mesmo idealismo de quando prefeito de Mara Rosa, sabendo que a lataria pode estar um pouco usada, mas o motor está “tinindo”.
Pelo lado social, tive a honra de assistir a missa e participar do aniversário do velho amigo Siqueira Campos. Está vendendo saúde e não deixa de falar sobre política até hoje. Como faz falta no Senado, ajudando o Tocantins.
Falando do nosso Estado, quem está brilhando na Capital Federal é a senadora Kátia Abreu, hoje poderosa Ministra da Agricultura e o deputado federal Junior Coimbra, como diretor do Ministério Nacional do Turismo.
Por fim, estou me prolongando demais nesse nosso “trololó” – é que a saudade é grande, meu amigo – e não posso esquecer de fazer a você um apelo especial, mas cheio de boas intenções: pega um desses santos que você já ficou amigo aí por Cima, e pede pra ele abrir a mente desse nosso povo, do Brasil e do Tocantins, em especial, para que saibam fazer as escolhas certas no ano que vem e elejam pessoas realmente interessadas em fazer o bem para a sociedade – assim como você, que nunca se candidatou, mas que foi eleito o preferido de todos – para que o nosso Tocantins só melhore, só progrida e se torne, cada dia mais, aquele Tocantins que você sempre sonhou.
Falando nisso, pede pra São Pedro abrir as torneiras sobre o Tocantins que o calor aqui tá brabo, meu irmão!

Um abração...

Carlos Braga – ex-prefeito, deputado estadual e vereador