Carta ao Salomão

Saudade, lembrança, amizade e Deus

22/05/2015 17h06 | Atualizado em: 22/05/2015 17h08

Foto: Divulgação
Sebastião Rocha

Salomão, saudade é o que sentimos pela ausência momentânea ou duradoura da pessoa que gostamos admiramos e amamos. É a tradução na alma amorosa, da distância, falta, perda ou espera de quem partiu.
A lembrança por sua vez, é recordar de uma pessoa conhecida. De momentos vividos. Por ti, Salomão, todos nós temos sempre saudades e ótimas lembranças.
Já a amizade, é símbolo da união de almas parecidas, que se sentem bem e próximas, por afinidade e livre escolha, sem imposição ou fatalidade.
Então amigo Salomão, saudade, lembrança e amizade, principalmente, são palavras de Deus encontradas no vocabulário de poucos corações, de tenras e sublimes almas e de finitos exemplos. Sim, porque até essas palavras podem ser efêmeras, dependendo de quem as pronunciem, já o exemplo não, porque ele fica, permanece e pode ser seguido.
Mudando um pouco a caneta, lembro-me quando Joana me pediu para escrever essa missiva, de logo disse que sim. Mas moço, uma tal virose tomou conta de mim e passei três dias de cama, depois, quando o telefone mostrou na tela o nome Joana de Salomão, já atendi me desculpando e dizendo, logo, logo o farei.
Daí, passei três dias numa correria de prazos, reuniões e petições (que como fui seu advogado, você sabe), mas acordando sem querer às quatro e trinta da manhã, sempre pensando na carta, até que hoje no terceiro dia levantei, rezei e falei, está bem Salomão, vou escrever.
E por falar em Joana, amigo, continua como sempre, firme, inteligente e tocando as coisas, trabalhando dia e noite com a ajuda de Aurélio, o filhão de vocês, como sempre alegre e gentil.
Há, pedi a Joana e ela me autorizou contar daquele dia lá em casa, nós dois tomando uma gelada e conversando dois dedos de prosa, quando com sua peculiar sabedoria disseste:
“Coroné, Joana chegou no limite. Ou eu mudo pra casa dela ou ela muda pra minha”.
E o que você vai fazer? Perguntei eu.
“Coroné, eu vou pra casa dela. Ninguém melhor do que você que é advogado pra saber que, se não der certo, é muito mais fácil o homem sair da casa da mulher, que a mulher da casa do homem” rsrsrs.
Graças a Deus, deu certo. Maravilhoso.
Por fim amigo, quero dizer que agora e nessa mensagem não vou falar de política, nem nominar políticos, até porque o nosso país e, principalmente, o nosso querido Estado do Tocantins, estão passando por um período difícil e de enfrentamento, que está e há de nos levar a uma positiva e urgente reflexão, sob pena de sucumbirmos o coletivo aos devaneios soberbos de grupos e de poucas pessoas.
Não está fácil Salomão, entretanto, espero aqui ter mostrado a todos, inclusive aos que foram votados, que entre o céu e a terra existem muitas outras coisas tão importantes ou mais, que política, como o ser humano, a saudade, lembrança, amizade e gratidão a Deus.
Albert Einstein nos lembra que: “Pode ser que um dia nos afastemos... Mas, se formos amigos de verdade, a amizade nos reaproximará”.
Não sei Salomão quando será a nossa reaproximação e encontro, Deus fará isso, acho que daqui a uns quarenta anos.
É, pois é, é isso aí.

SEBASTIÃO ALVES ROCHA é advogado, procurador do Estado e escritor.